quinta-feira, 14 de junho de 2007

BCSP: A era contemporânea

Marcela Benvegnu

Formada pela Escola Municipal de Bailados com aperfeiçoamento no Centre de Danse International Rosella Hightower, em Cannes, na França, Mônica Mion, atual diretora do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP), assumiu a direção da Cia. em 2001, com a saída de Ivonice Satie. Mônica dançou por mais de 25 anos na companhia, além de ter sido solista, assistente de coreografia e ensaiadora. Seu objetivo na direção do BCSP é o popularizar a dança contemporânea.
O Balé é considerado uma das melhores e mais ousadas companhias de danças brasileiras. Eles se apresentam mais de 100 vezes por ano — em turnês brasileiras e internacionais — e ao longo de seus 39 anos de existência já recebeu mais de 40 prêmios, entre melhores coreografias, bailarinos, conjunto e prêmios especiais.
Desde 2001, o grupo chama atenção por conta do número de trabalhos assinados por coreógrafos estrangeiros. Dualidade@Br, de Gagik Ismailian e "Como Se Não Coubesse No Peito", de Denise Namura e Michael Bugdahn, marcam a produção de 2001 e "Res Ipsa", de Rami Levi em 2002. O ano seguinte é a vez de "Perpetuum" e "Black Milk/Queens", de Ohad Naharin, cuja versão integral de "Queens Of Golub" foi criada para o Nederlands Dans Theater em 1989 e dividiu a crítica de dança paulista na época.
A positividade dos trabalhos apareceu na crítica Companhia Apresenta no Municipal Coreografias do Israelense Ohad Naharin, de Inês Bogéa, na "Folha de S. Paulo", porém dois dias depois, a crítica Helena Katz, de "O Estado de S. Paulo" desconstruiu a obra e afirmou que a Cia. errou em investir tão pesadamente em coreografias do israelense na crítica, A Incômoda Subserviência do Balé da Cidade.
Entre encontros e desencontros da própria crítica paulista, que parece mesmo não se acertar — pois a crítica passa longe da opinião — a produção de 2004, destaca "Lei do Nada", de Gabriel Castilho e "Liqueurs de Chair", de Angelin Preljocaj. "A Linha Curva", de de Itzik Galili é o trabalho de 2005. No ano passado e em 2007 nenhum coreógrafo estrangeiro assinou trabalhos do BCSP.
Vale dizer que desde as primeiras direções do BCSP, a companhia sempre investiu em talentos brasileiros e em coreógrafos "da casa". Depois de uma bem sucedida temporada, onde fizeram 17 apresentações em 12 cidades de 4 países da Europa, o BCSP se prepara para a comemoração dos seus 40 anos em 2008. Além de uma série de apresentações no Brasil, a trupe deve ser apresentar no Gran Liceo de Barcelona, na Espanha.

(publicada em 15/06)

BCSP: O legado de Ivonice


Marcela Benvegnu

Às vésperas de completar 40 anos no ano que vem, o Balé da Cidade de São Paulo (BCSP) tem uma história que merece ser rememorada. Não só por ser um dos corpos estáveis do Theatro Municipal de São Paulo, mas por ser uma companhia que foi se transformando ao longo do tempo e nunca perdeu sua nacionalidade.
O Balé foi fundado oficialmente em 7 de fevereiro de 1968, na direção de Johnny Franklin, com o nome de corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo, porém, foi criado anteriormente, quando o Theatro era dirigido pelo bailarino Vaslav Veltchek, na década de 40.
O BCSP nasceu dançando balés de repertório — coreografias encenadas por grandes companhias de dança em todo mundo — pelo fato de Franklin acreditar que esses trabalhos serviam como base para uma estrutura sólida (e de fato serviram). E os primeiros profissionais que ingressaram no corpo de baile foram formados pela Escola Municipal de Bailados. Depois da direção de Franklin, Antonio Carlos Cardoso assumiu o cargo para reestruturar a companhia e incorporou ao repertório obras contemporâneas. É dessa época e de autoria de Victor Navarro, "Vivaldi", "Apocalipsis", "Corações Futuristas" e "Danças Sacras e Profanas".
Foi somente em 1993 — depois da direção de Klauss Vianna — que o BCSP sofreu sua melhor transformação. O sucesso da companhia veio pelas mãos de Ivonice Satie, que já havia sido bailarina desde os tempos do Corpo de Baile, ensaiadora e diretora assistente do Balé. Ivonice foi a responsável pela estréia internacional do grupo, quando os levou para participar, pela primeira vez, da Bienal de Dança de Lyon, em 1996.
Sob sua direção veio ao Brasil coreógrafos convidados como Vasco Wellemkamp, Gagik Ismalian, Germaine Acogny, Ohad Naharin e outros. De 1997 ao início de 1999, a companhia ficou sob direção de José Possi Neto, que manteve as turnês internacionais definidas por Ivonice e incentivou o surgimento de novos coreógrafos entre os próprios bailarinos do Balé da Cidade.
Em 1999, Ivonice reassumiu a direção.
Com a preocupação de privilegiar a maturidade profissional do grupo, criou a Companhia 2 do BCSP, um grupo formado por oito dos seus mais experientes bailarinos, que também começaram a preparar seus próprios trabalhos. Buscando ampliar as oportunidades para a companhia, fecha parceria com um banco e possibilita uma série de turnês nacionais, além de remontagens como "Paixão", de Deborah Colker, "Trindade", de Luis Arrieta, e "Shogun", da própria Ivonice.
(publicada em 08/06)

Revista de Dança

Queridos amigos e seguidores do Tudo É Dança, Escrevo hoje para dividir com vocês todos, que dançam comigo aqui durante todos esses anos, ...