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quarta-feira, 24 de junho de 2009

SPCD pelo interior

Serenade, coreografia de George Balanchine criada há 75 anos / foto: Alceu Bett

Marcela Benvegnu

Com pouco mais de um ano de existência, seis montagens no currículo — três exclusivas —, diversos projetos educativos e um livro a ser lançado, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) tem consolidado sua (boa) imagem no país. Excursionando pelo Brasil com trabalhos que abrangem diversas gramáticas corporais, a companhia chega a Piracicaba amanhã, às 21h, no ginásio do Sesc Piracicaba, para apresentar dois trabalhos: Serenade (1935), de George Balanchine (1904-1983), um dos maiores clássicos da dança mundial, e Gnawa (2005), de Nacho Duato (1957). Além das apresentações estão previstas duas atividades gratuitas da SPCD na cidade. A diretora artística adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo, hoje, às 19h, no Sesc, e amanhã, às 10h, Ricardo Scheir — professor, coreógrafo e ensaiador da SPCD — ministra aula de balé clássico para interessados, no mesmo local.
Serenade, de Balanchine, é uma obra comprometida com a música de Pietr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893), e revela formas incomuns em sua formação — como um grupo de cinco ou 17 bailarinas. Sem contar que o coreógrafo incorporou incidentes como o atraso de uma bailarina, o gesto que outra fizera para se proteger do sol, e a queda de uma terceira, como parte da coreografia. Balanchine nunca admitiu a existência de um enredo em Serenade, porém, é nítida a sensação que a partitura corporal aponta para uma narrativa. A coreografia teve sua estréia em junho de 1934 — há exatos 75 anos — com a School of American Ballet, e depois de algumas mudanças, em 1935, foi incorporada ao repertório do American Ballet Theatre.
A SPCD estreou Serenade, como coreografia de seu segundo programa — o primeiro trabalho foi Polígono, do italiano Alessio Silvestrin — em novembro do ano passado. A remontagem de Ben Huys (1967), atual ensaiador da The George Balanchine Trust, é sobre a música Serenade for Strings in C, Op. 48 (1880), de Tchaikovsky. “Serenade é um trabalho muito importante. É a primeira vez que uma companhia paulista apresenta um trabalho de Balanchine deste porte. Ficamos muito felizes em poder levá-lo para interior de São Paulo e litoral. Isso é um projeto da companhia. Serenade, além de lindo, apresenta uma musicalidade excepcional e é nesta obra que podemos ver o deslumbrante trabalho de Balanchine com o uso do espaço”, fala Iracity Cardoso, diretora artística da companhia (leia entrevista nesta página).
A segunda peça da noite, Gnawa, de Duato — diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha — revela o bom encontro do corpo brasileiro com o estilo do coreógrafo. De origem sub-saariana, os gnawa — uma confraria mística muçulmana do norte da África — incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho canções dessa comunidade. Gnawa pode ser pensada como um desdobramento do interesse do coreógrafo desperto por Mediterranea — coreografia de 1992 — , acrescida de certa luminosidade, calor exótico e música ritualística.
Segundo Iracity, o trabalho de Duato tem relação direta com o corpo brasileiro. “A companhia estreou esta obra no ano passado, e Duato tem uma carreira internacional consolidada. Gnawa apresenta esse ritual do norte da África e somado à música percussiva, tem muito no nosso temperamento”, fala a diretora.
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MOVIMENTO PARALELO
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Antes das apresentações de Serenade e Gnawa, a SCDP promove duas atividades em Piracicaba. A primeira está marcada para hoje, às 19h, no Sesc, quando a diretora adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo. “Corpo a Corpo procura aproximar o público mais amplo do universo da dança e ressalta o quanto de dança existe no nosso cotidiano”, fala Inês. “Por outro lado, ao revelar um pouco dos processos criativos e dos bastidores do trabalho da São Paulo Companhia de Dança, procuramos mostrar as diferentes profissões que integram um espetáculo”, completa.
Também amanhã, às 10h, no Sesc, o coreógrafo Ricardo Scheir — que assina Ballo, último trabalho da SPCD, e é professor e ensaiador da companhia — ministra uma aula de balé clássico para os alunos inscritos na oficina. “A minha aula é sempre uma surpresa. Não tenho como preparar nada anteriormente porque não conheço os corpos com que vou trabalhar. Até pedi para a organização que não estipulasse o nível das aulas, porque assim podemos sempre curtir algo diferente”, fala Scheir.

terça-feira, 14 de abril de 2009

No emBallo de Gnawa

crédito: João Caldas


Marcela Benvegnu

A estréia das duas novas coreografias da São Paulo Companhia de Dança (SPCD) — “Gnawa” (2005), de Nacho Duato (1957), e “Ballo” (2009), de Ricardo Scheir (1961) — aconteceram no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, nas últimas semanas. Apresentadas separadamente com outros dois trabalhos, — “Serenade”, de George Balanchine, e “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972) — que já integravam o repertório da companhia, a SPCD mostra em pouco tempo de existência grandes produções, assinadas por importantes nomes da dança.

Na primeira semana foi a vez da estréia de “Gnawa”, de Duato — diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha. De origem sub-saariana, os gnawa — uma confraria mística muçulmana do norte da África — incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho, canções dessa comunidade. Os corpos brasileiros são felizes no encontro da técnica de Duato, reforçada pelos movimentos de tronco. Se o trabalho não tem um compromisso político e é basicamente uma homenagem ao povo, como afirma o coreógrafo, deve ser encarada como tal. O elenco afinado traduz bem a mobilidade do coreógrafo e se mostra versátil em meio a tanto idiomas de corpo que a SPCD encara em seu primeiro ano.

A segunda estréia ficou por conta de “Ballo”, de Scheir — professor e ensaiador da companhia — com música espetacular de André Mehmari (1977), inspirada no tema de “Ballo Delle Ingrate” (“Baile das Ingratas”), do compositor italiano Claudio Monteverdi (1567-1643). O jogo de sombras proposto nas cenas iniciais, assim como os diferentes corpos, são um convite à reflexão ao tema principal: a punição das mulheres que não se entregaram ao amor. O contraste de figurinos e perucas chama atenção e se revela forte perante o espectador. Esse lado andrógino da dança, que chega até a desconfigurar figuras imaginadas — como Vênus ou mesmo Plutão — é convidativo. Faz com que se queira mais.

E “Ballo” traz mais. A gramática corporal do trabalho de Scheir é evidente. Ele é feliz quando usa no corpo dos bailarinos o seu próprio repertório de possibilidades, haja visto que Yoshi Suzuki — formado pelo coreógrafo — transita com facilidade pela coreografia. A dramaturgia é boa, pensada e bem encarnada no personagem de corpo forte da argentina Irupé Sarmiento (Ariadne). Mas em meio a uma boa coreografia (que no ano que vem estará melhor), bons figurinos, cenários e luz que dialogam, está a grande diva de “Ballo”: a música. Sem ela, a coreografia perderia todo o brilhantismo.

Formada por 16 pequenos movimentos organizados em três partes, a composição trabalha de forma perfeita o deslocamento de padrões rítmicos e melódicos e reverencia gênios da música como Reich, Bartók, e Shostakovich. Em algumas partes é possível ouvir o cravo mesclado com as cordas barrocas superpostas às modernas, em outras, o cravo e o piano são mediados pelo violino barroco e pela moderna orquestra de cordas. A proposta do músico é estabelecer o diálogo entre o novo e o antigo, e isso é refletido diretamente na coreografia de Scheir, que comprova que o corpo não tem nada de ingrato.
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REPERTÓRIO — Depois de alguns meses da estréia de “Les Noces” (1924), o corpo dos bailarinos da SPCD já responde à montagem de forma diferente. O difícil trabalho de pés — paralelo, para fora, esticado ou em flex (dobrado) — e mãos — punhos dobrados ou mãos esticadas — chama atenção pela limpeza. Raramente executada por uma companhia de dança profissional, com fortes características alemãs, a peça é dividida em quatro movimentos. A remontagem é assinada por Maria Palmeirim (1948).

Também na dobradinha estava “Serenade” (1935). Na remontagem de Ben Huys (1967) — atual ensaiador da The George Balanchine Trust — os corpos sinuosos da primeira versão se derreteram em formas longelíneas. As execuções fora do eixo, as torções de movimento, assim como os grandes saltos foram bem executados. Entretanto, os braços em quinta posição, muito usados no trabalho, requerem ajustes com este elenco. Uns estão muito fechados, outros muito abertos e confundem a figura coreográfica do espectador e conseqüentemente uma das maiores marcas do estilo balanchiano.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Duato e Scheir: os novos da SPCD

"Ballo": a estréia
Crédito: João Caldas


Marcela Benvegnu


A São Paulo Companhia de Dança nasceu mostrando resultados. Mesmo sem sede fixa, com uma nova audição realizada para completar o elenco e projetos que envolvem professores e nomes da dança (o Figuras da Dança e o Corpo-a-Corpo, são exemplos disso), ela continua na estréia de trabalhos. Gostem ou não, talvez a companhia seja a única no país com um repertório tão grande e importante em pouco mais de um ano de existência. Aos olhos dos outros, cabe saber como esse tempo (e dinheiro) foi aproveitado e se a gramática corporal desses novos bailarinos já está mais evidente nas criações.

Considerações à parte, a São Paulo Companhia de Dança, dirigida por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, estréia a partir desta semana, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, duas novas montagens, “Gnawa” (2005), de Nacho Duato (1957), e “Ballo” (2009), de Ricardo Scheir (1961), para marcar a abertura de sua temporada 2009. As coreografias se unem a “Serenade”, de George Balanchine, e “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972) — trabalhos apresentadas pela São Paulo Companhia de Dança no ano passado — em dois programas.

Os trabalhos do primeiro programa, que vai de hoje a domingo, têm em comum a relação com rituais. “Les Noces”, parte da trivialidade, um casamento tradicional de camponeses russos, para criar uma geometria de movimentos que aliou a tradição do balé às vanguardas modernistas do início do século 20. Já “Gnawa”, de Duato, diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha, é inspirada no universo étnico e religioso de uma confraria mística muçulmana do norte da África. De origem sub-saariana, os gnawa incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho, canções dessa comunidade.

No programa dois — de 2 a 5 de abril — “Serenade” (1935), de George Balanchine (1904-1983), criada inicialmente para os alunos da School of American Ballet, encontra ecos na nova criação de Scheir, “Ballo”, com música original de André Mehmari (1977). A composição teve como ponto de partida o tema de um madrigal de Claudio Monteverdi (1567-1643), “Ballo Delle Ingrate” (“Baile das Ingratas”). Na peça, Mehmari apresenta variações que remetem a diversos momentos da história da música e, assim, propõe um diálogo do antigo com o novo, do moderno com o arcaico. Da mesma forma, Scheir busca referências na obra de Monteverdi para tratar das relações humanas e de questões importantes para o homem de todos os tempos.

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PARA VER—
São Paulo Companhia de Dança. Temporada 2009. “Les Noces” e “Gnawa”. Até 29 de março. “Serenade” e “Ballo”, de 2 a 5 de abril. De quinta-feira a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h, no Teatro Sérgio Cardoso (rua Rui Barbosa, 153). Ingressos custam entre R$ 10 e R$ 20. Data, local e horários foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 3288-0136.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "