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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Festidança | Crítica 6 | Doce Sabor para os Olhos

Marcela Benvegnnu


Finalmente talvez não seja a melhor palavra para começarmos este texto, mas já era hora voltarmos a sentir no Festidança aquela sensação em que o corpo se eleva da cadeira em alguns momentos, tamanha a beleza do conjunto das obras apresentadas. Sim, obras, porque dança é arte.
Quase na reta final do evento, ontem subiram ao palco do Teatro Municipal 25 trabalhos, divididos nas baterias de dança contemporânea (solo masculino e feminino avançado, duo e trio avançado) e jazz conjunto sênior.
No contemporâneo solo masculino avançado foram apresentados bons trabalhos. Intérpretes com qualidade de movimento e, sobretudo, consciência corporal. A dança contemporânea exige treino, técnica, não basta ser um bom bailarino de outro gênero, desconstruir algumas formas e entrar em cena. Pesquisa de corpo, não só de processos e mais processos.
No solo feminino avançado Eugênia Granha Vasconcelos, com a coreografia “Água e Sal”, de Eduardo Menezes, pelo Pavilhão D, de São Paulo, fez a plateia silenciar. A intérprete – que veio do Uai Q Dança, de Uberlândia e no ano passado levou o prêmio de melhor coreografia do Festival de Dança do Triângulo com “O Sabor de Uma Laranja”, de Armando Duarte - mostrou que continua “mais” linda.  A coreografia é extremamente bem construída, o foco central é bem colocado e tem um porque de estar ali. Não é água sal, nem café com leite. É mesmo arte para os olhos.
            Na bateria de dança contemporânea duo avançado o Grupo Corpo Livre, de Valinhos (foto) - crédito Adilson Machado) transformou o tempo em outra coisa, um instante de felicidade. Em cena os intérpretes são um único corpo, a horizontalidade do trabalho chama atenção pela construção inteligente (assinada por Ricardo Scheir), que não precisa ocupar o palco todo para dizer alguma coisa. A coreografia tem um contexto muito bem articulado com a movimentação. Doce sabor para os olhos.
            A Companhia Independente de Dança de São Paulo, que interpretou “Deixa-me Cair”, do talentoso Edson Santos, é tão poética quanto à música interpretada: “Valsa de Eurídice”, de Vinícius de Moraes. E por falar nas trilhas sonoras, ótimas escolhas. Quem nunca ouviu e não se emocionou ao som de “The Sound of Silence”, de Paul Simon?
            Para encerrar a noite quatro trabalhos de jazz dance conjunto sênior. A Escola de Dança Alice Arja, do Rio de Janeiro, com seu Forró Jazz, de Carlos Fontinelli levou ao palco uma típica festa junina do interior. No lugar da quadrilha, o forró. Na seqüência, o Grupo Juvenil Studio A, de Vinhedo, de Zeca Rodrigues, apresentou Barbie´s World (por que dar o nome da música?). O trabalho é visual, colorido. Depois foi a vez da Cia de Dança Kahal, de Jundiaí. “Pulsante”, de Camila Campos é forte. Às vezes até mais forte do que o necessário.
            Fechando a bateria o Ballet Ana Araújo, de São José dos Campos, apresentou “Gente Jovem”, de Ana Araújo. Talvez alguns não tenham entendido a proposta da coreógrafa: o “retrô”. Desde a música, ao figurino, aos pés descalços (com proteção), a dança virou protesto. Aquelas perguntas que fizemos aqui ao longo da semana podem ser respondidas. O nome da música não é o nome da obra. A movimentação é pertinente ao contexto apresentado. E o espaço é usado de forma brilhante: é possível ver as mesmas seqüências feitas para diversos pontos. Em nenhum momento o trabalho cria uma massa que se movimenta junta sem ter o porquê de estar ali. De fato “o novo sempre vem”, mas nem sempre é percebido pelo todo.

MAIS:
- RAÇA CIA DE DANÇA - Quem ainda não garantiu seu ingresso para assistir “Tango Sob Dois Olhares”, de Roseli Rodrigues, amanhã, no encerramento do 21º Festidança, com o Raça Cia. de Dança, o faça. A penúltima montagem de uma das mais importantes figuras do cenário do jazz dance brasileiro, que morreu em março desde ano, deve ser vista e não só gravada na memória. Deve ser gravada na carne de todos aqueles se transformam seus movimentos em dança.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Roseli Rodrigues (1955-2010)

Eu não penso em uma foto para este post. Não é a imagem aqui a protagonista. Mais importante é a história, o sentimento, a memória.

O telefone tocou muito cedo e eu sabia qual era a notícia. Mesmo assim, ainda não acredito. Mesmo depois de ver, ainda não acredito. Tudo ainda está confuso dentro de mim.

Todos já sabem que Roseli Rodrigues agora dança em outro lugar. Todos os sites de dança já deram, os jornais, revistas, boletins...

Muita gente me escreveu, me ligou e me perguntou: Você não vai escrever nada? Fato é que eu não queria dar essa notícia. Não precisava ser a primeira. Longe disso. Eu não pensava em simplesmente nada. As horas demoraram dias para passar.

Fato é que eu escrevi, mas eu não precisava colocar aqui naquele momento. O pequeno texto, mensagem, desabafo, ou qualquer outro nome que dêem a um grito de silêncio em forma de palavras estava público no site do Raça Centro de Artes. (o texto está abaixo).

Confesso que escrevi a pedidos da Kika Sampaio. E eu não teria outra resposta para dar para ela a não ser um "sim, escrevo". Um sim, engasgado, porque confesso que foi muito difícil. Como foi complicado sentir. Como foi complicado lembrar...

Roseli Rodrigues foi o meu ídolo. O ideal de jazz. Quando ela falava o nome da gente nas aulas era um prêmio. Dava vontade de fazer tudo errado, para ela dizer "Marcela" toda hora. Confesso que eu fiz isso algumas vezes.

As horas ao lado dela passavam rápido. Eram risadas, olhares, aprendizado. As aulas eram simplesmente lindas do começo ao fim. A admiração era uma espécie de transe coletivo.

Ela foi um dos diversos motivos pelos quais eu fui estudar história do jazz . Depois de uma palestra em Joinville, eu não me lembro o ano, que falava sobre os caminhos do jazz que eu resolvi ir atrás dessa história que era tão minha, mas eu não sabia de onde vinha.

Era por causa dela que eu ia todos os anos para Joinville fazer aula.... Janeiro era o mês da dança em São Paulo porque a Roseli ia dar cursos de férias. Quem não queria vestir a camiseta do Raça, ou ter um CD da aula? Quem não voltava do curso e colocava o CD para tocar... e fazia o plié? TODO MUNDO! Quem não se orgulhava das fotos? Das lembranças?

Ainda sinto ela pegando no meu rosto em outubro de 2009 e me dizendo que eu estava trabalhando no lugar certo e que ela estava feliz por mim. Que eu merecia. Parece que ainda posso sentir os dedos... ouvir o tom da voz... a respiração. Ainda consigo sentir o cheiro.

É essa imagem que fica e todas as outras vividas... São história de um corpo em movimento que agora entra em pausa, para que "Novos Ventos" dancem por ai. Tudo foi lindo e maravilhoso de viver.

É só isso que eu consigo dizer:


... As palavras parecem não sair pelos dedos. De verdade, parece um sonho. Talvez seja.
A dona dos olhos azuis mais transparentes da dança, agora faz arte em outro lugar.
O sentimento que ela foi capaz de provocar em cada um dos indivíduos que passaram pelas salas de aula do Raça, pelos cursos Brasil a fora: só quem viveu....
A sua voz. O seu olhar. A forma de dançar. O pequeno gesto. A barra coreografada. A bronca. O sorriso. Os cabelos vermelhos.
Tudo agora está marcado. Grudado na carne, na memória, na lembrança, na história da dança brasileira que perde uma de suas referências.
Seja na “Noite Adentro” ou nos “Caminhos da Seda” que cada um escolheu trilhar.
Parte do jazz se vai. O swing diminuiu, porém, por ela, para ela: a força, a garra, a raça terão que continuar.
Roseli será sempre lembrada. Sempre amada e, sobretudo, aplaudida.
5,6,7,8. A dança agradece o seu amor, o seu trabalho, o seu olhar transparente de alma para a arte.
Obrigada!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Na rota da seda

Crédito: Alceu Bett

Marcela Benvegnu

Com direção de Roseli Rodrigues, o Raça Cia. de Dança chega hoje, às 20h, ao Sesi Piracicaba, para apresentar “Caminho da Seda”. Inspirado na Rota da Seda — elo entre o Ocidente e o Oriente — o trabalho leva ao palco mais de 600 metros de tecido que se misturam aos movimentos dos bailarinos. Hoje, após a apresentação, acontece um bate-papo com o grupo. Amanhã, às 15h, a companhia oferece um workshop gratuito, e às 20h a montagem será reapresentada. A entrada é gratuita.
Com coreografias de Roseli, o espetáculo de dança contemporânea mostra a união entre as nações e as etnias por onde passava a Rota da Seda, que além de servir como rota comercial, também deu origem à transmissão de conhecimentos, idéias e culturas e foi palco de inúmeras histórias, batalhas e romances. “O trabalho estreou em 2002, no Festival de Dança de Joinville, e depois sofreu uma releitura em 2005, para o mesmo festival”, conta Edy Wilson, assistente de direção da companhia.
“O ponto de partida da montagem é a Rota da Seda, mas a pesquisa da Roseli (Rodrigues) foi buscar o lado humano e não político do fato. Ela tentou desenvolver as sensações, emoções e relações que a rota promoveu e também tentou transcrever a nós artistas e ao público esses mesmos idéias”, conta Wilson. Em cena estão 12 intérpretes — Andrea Spósito, Carolina de Sá, Danilo Francisco, Jhean Allex, Juliana Portes, Luana Espíndola, Luis Crepaldi, Anderson Couto, Priscila Ribeiro, Rafael Luz, Rafael Zago e Rony Dias — que usam os mais de 600 metros de tecido com fibra de seda, não como cenário, mas sim como elemento coreográfico.
A parte musical conta com arranjos de Fábio Cardia e músicas do duo australiano Dead Can Dance, da cantora israelita Ofra Haza e Greg Ellis. O projeto de iluminação é de Yves Christian, e concepção de figurinos e maquiagem assinados por Maurício Pina e Roseli Rodrigues.

HISTÓRIA — Fundado na década de 80, o Raça Cia. de Dança de São Paulo tem em seu repertório trabalhos assinados por renomados coreógrafos como Luis Arrieta, Ivonice Satie, Henrique Rodovalho e Roseli Rodrigues — coreógrafa residente. A itinerância dos workshops e espetáculos do grupo pelas principais cidades do Brasil tem como objetivo principal popularizar a prática da dança e favorecer a criação de platéias. Em 2001 e 2002, com o apoio da Funarte e do Ministério da Cultura, a companhia se apresentou em diversas cidades dos Estados de Minas Gerais e São Paulo.
Como convidada, realizou turnê pela Itália, incluindo as cidades de Roma, Terni, Salermo, Tagliacosa, Crotone, Enna, Calabicheta, Piazza Armería e pela Sicília. Em 2004, se apresentou em Portugal no 39º Festival de Sintra, e no ano seguinte foi convidada para a Noite de Gala do 23º Festival de Dança de Joinville. “Estamos muito felizes com a participação no projeto Sesi Dança. O público tem prestigiado em peso as nossas apresentações, fruto do reconhecimento do nosso trabalho”, atesta o assistente.


Thank you, Dance!

by Judy Smith "