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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sapateado internacional invade Campinas

JASON SAMUELS SMITH, PADRINHO DO FESTIVAL
Crédito: Eduardo Patino

Marcela Benvegnu

Sempre que o final do mês de agosto se aproxima, os sapateadores afinam suas plaquinhas para participarem do Brasil Internacional Tap Festival. Um evento de sapateado, organizado por Christiane Matallo, que visa criar um intercâmbio entre sapateadores e interessados pelo gênero no Brasil e mundo. A nona edição do evento, que acontece no Sesc Campinas, começou ontem e vai até domingo.
Este ano o festival recebe grandes estrelas internacionais do mundo do sapateado, como Jason Samuels Smith (EUA), que é diretor do L.A Tap Festival, de Los Angeles, e ganhador do Emmy Awards como coreógrafo. Smith é o padrinho oficial do Brasil International Tap Festival e ministra aulas em todos os dias do evento para os cursos adulto e infantil.
Também nesta edição do festival estão Dormeshia Sumbry Edwards (EUA), que participou de musicais, como “Black and Blue”; “Bring in Da’noise, Bring in Da’funk” e “Imagine Tap”; Lisa La Touche (Canadá), co-diretora da Cia. de Lane Alexander (Chicago) e Corinne Karon (EUA), que já sapateou em todos os continentes.
Entre os nomes nacionais figuram Mestre Sombra, da bateria da Mocidade Alegre; o contrabaixista Gilberto de Syllos, que acaba de lançar em quatro idiomas o livro “Técnica para Baixo Elétrico na Música Brasileira”; Leandro Barsalini, que é professor de bateria e rítmica no Departamento de Música da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a organizadora e diretora do festival, Christiane Matallo, recém-chegada da Alemanha. Durante a programação o público poderá conferir o CD “Tap Bass”, de Christiane e de Syllos, que é o primeiro CD de contrabaixo e sapateado lançado no Brasil. Os interessados podem adquirir a obra no estande da Só Dança.

ATIVIDADES — Dividido em quatro dias com uma programação intensa de aulas diárias, o evento ainda traz aos interessados em geral quatro atividades distintas e com entrada gratuita. Ontem, às 17h30, aconteceu uma Tap Jam, com a banda do contrabaixista Gilberto de Syllos. Hoje, às 20h, é hora de ver as plaquinhas se agitarem na apresentação dos grupos amadores, e amanhã, no mesmo horário, os sapateadores profissionais convidados (KS Cia. de Dança e Luizz Baldijão) e os professores do evento se apresentam na mostra dos profissionais. No domingo, às 17h, é hora de ficar antenado nas últimas tendências do sapateado no mundo com uma mostra de vídeos. As atividades são todas gratuitas.

AULAS — Se você não fez a sua inscrição para as aulas do festival, ainda dá tempo. Amanhã e domingo acontecem as aulas do curso iniciante/infantil, com Jason Samuels Smith, Corinne Karon e Lisa La Touche, além das aulas dos professores do curso adulto, para as quais também é possível se inscrever. Para saber mais sobre os valores das aulas e da programação acesse o site www.christiane-matallo.com.br

segunda-feira, 28 de julho de 2008

"Tap Bass" é lançado em Joinville


Marcela Benvegnu


Aqueles que assistiram ao espetáculo “da Corda pro Pé” nos últimos quatro anos e sempre perguntaram sobre o repertório, não têm mais do que reclamar. A sapateadora, musicista, cantora e coreógrafa Christiane Matallo e o contrabaixista Gilberto de Syllos resolveram registrar em CD, vários dos sucessos do espetáculo. O resultado foi “Tap Bass”, que foi oficialmente lançado no Brasil durante o 26º Festival de Dança de Joinville. O trabalho inédito consagra-se como o primeiro CD para sapateado no Brasil e esteve à venda no stand da Só Dança, na Feira da Sapatilha.

“Tap Bass foi nosso primeiro trabalho e ponto de partida do espetáculo “da Corda pro Pé”. Meu trabalho como sapateadora e bailarina, sempre foi voltado à pesquisa do movimento que gera som. Assim como a montagem, este CD é dança para se ouvir, e por isso de certa forma, volta às origens”, fala Christiane. “Tap Bass’ é muito elucidativo ao universo da dança e também da música, principalmente ao do contrabaixo”, completa de Syllos, que assina a direção musical do CD.

No repertório do CD figuram oito músicas: o tema de “Flintstones” (baixo, voz, sax tenor, sapateado e trompete); “Sambateado” (baixo e sapateado), “Cotovelo” (baixo e sapateado); “Maracangalha”, (baixo, sapateado e sax tenor); “Solando” (solo de Christiane Matallo – sapateado); “Carinhoso” (solo de Gilberto de Syllos – contrabaixo); “Tocando Baixo” (baixo e sapateado), e um remix de “Flintstones, com Dj Neo.

“Acho importante ressaltar que os temas ‘Flintstones’ e ‘Maracangalha’, nos quais toco sax tenor e sapateio simultaneamente, trazendo a fusão das linguagens do sapateado (dança) e música. O instrumento é extensão do meu corpo, faço um diálogo entre sapateado e sax tenor”, fala a sapateadora. De Syllos ressalta músicas de sua autoria como "Sambateado" e "Tocando Baixo". O termo Sambateado foi criado por Christiane Matallo para unir o samba e o sapateado. A fusão pôde ser vista no carnaval de 2008, na ala Sapateia São Paulo, no desfile da Mocidade Alegre.

ENTRE CORDAS E PÉS – Para Christiane “Tap Bass” é uma proposta de estudo contínua. “Me permite encontrar inúmeros caminhos para desenvolver a rítmica do sapateado. Alguns momentos mais no padrão rítmico proposto do gênero musical trabalhado, em outros, quebrando-o completamente; horas fazendo contraponto; horas dentro da linha melódica. Os arranjos das músicas de autoria do Gilberto (de Syllos) são bem complexos e não seguem uma quadratura simétrica, o que mais uma vez eu tive que estudar as partituras musicais para que o trabalho tivesse um efeito e resultado não somente coreográfico como obra, mas como música”, fala. “Além de ‘Tap Bass’ ser o primeiro CD de sapateado no Brasil, as peças apresentam os ritmos brasileiros na sua essência. Isso também fez parte dos DVDS "A Arte de Sapatear com Christiane Matallo" (2007), nos quais assino a direção musical”, fala o contrabaixista.

A principal idéia de “Tap Bass” é fazer com que o ouvinte encontre no sapateado um instrumento musical, sem a necessidade do aspecto coreográfico. “Desta forma aguçamos o interesse das pessoas irem ao nosso espetáculo "da Corda pro Pé"”, fala Gilberto. “É o sapateado para se ouvir, porém, quebrando alguns paradigmas. O sapateado está intimamente ligado ao jazz, porém no CD temos outros gêneros musicais como samba, baião, ijexá e pop. O CD é para todos, sendo que cada um irá degustá-lo de forma diferente”.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Os slydes de Mr. Jimmy


Marcela Benvegnu
Às vésperas do dia 25 de maio — Dia Internacional do Sapateado e Dia do Sapateado no Brasil, bem como suas comemorações, com destaque para o Sapateia São Paulo — o gênero perde um dos seus maiores precursores. Nem todos, ao ouvirem falar de James Titus Godbolt, americano, nascido em 27 de outubro de 1927, em Atlanta, na Georgia, sabem que ele é Jimmy Slyde, astro que ficou conhecido por seus slydes — que significam deslizadas. Slyde morreu no último dia 16, aos 80 anos, em sua casa, em Hanson.

Segundo matéria publicada no jornal "The New York Times", (Jimmy Slyde, Dancer and a Giant of Rhythm Tap, Dies at 80), no último sábado, Mr. Slyde — como era chamado — estava com a saúde debilitada há meses. Sem dúvida, ele era um dos maiores sapateadores do mundo. Além de ser um dos responsáveis por levar o swing e o bebop para a Broadway e para o cinema, foi o "gigante" do rhythm tap — tendência oriunda dos negros americanos que trabalhavam com certo refinamento rítmico — com sua grande musicalidade, impecável timing e habilidade.

O primeiro encontro de Mr. Slyde com as artes veio da música. Quando criança, em Boston, sua mãe queria que ele aprendesse violino e, pelo que se sabe, era um bom instrumentista. O sapateado entrou em sua vida ainda criança. Ele começou a fazer aulas em Massachusetts, no estúdio de Stanley Brown, em paralelo às aulas de violino no New England Conservatory. Quando jovem já se apresentava com big bands pelo mundo. Trabalhou com Count Basie, Duke Ellington, Louis Armstrong e outros grandes instrumentistas do jazz.

Sua dança também atingiu a Europa. Em meados de 1970, Mr. Slyde foi para Paris, onde com a ajuda de Sarah Petronio — sapateadores — introduziu o rhythm tap. Na França, ele também atuou no famoso "Black and Blue," que estreou em 1985 por lá, e depois, em 1989, na Broadway. Mr. Slyde ainda pode ser visto em "Tap," com Gregory Hines e Sammy Davis Júnior, e em "The Cotton Club," "Round Midnight", entre outros filmes.

Mesmo depois de consagrado, seu prazer ainda estava em dar aulas e participar de jam sessions. Muitas delas feitas na La Cave, uma boate de Manhattan, em Nova York, que atraía estrelas do sapateado contemporâneo, como Savion Glover, Tamango, Max Pollak e Roxane Butterfly.
Mesmo longe dos grandes festivais de sapateado, seu nome sempre é lembrado. Uma de suas mais famosas frases era "Eu não sou um homem de executar rotinas. Se você dança, está traduzindo alguma coisa, especialmente se você está sapateando. Você mesmo está fazendo sons. Diferentes bailarinos têm diferentes sons. Alguns têm um som mais pesado, outros dançam com mais leveza. Eu sou extremamente orientado pelo som. O sapateado combina perfeitamente com a música, é a soma de tudo em um".
Crédito: Jack Vartoogian FrontRowPhotos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sambateado outra vez


Marcela Benvegnu

A “Folha de S. Paulo” já anunciava na semana anterior ao desfile das escolas de samba do grupo especial: ‘Na Mocidade Alegre, um grupo de dança irá mostrar a fusão do samba com o sapateado”. Eles se referiam ao sambateado, que depois foi notícia em “O Globo”, “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S. Paulo” e “O Diário de São Paulo”, além de aparições e matérias de TV.Quem não viu e aqueles que querem um novo “bis” do estilo, têm a chance de assistir novamente hoje, ao desfile das escolas de samba campeãs do Carnaval de São Paulo 2008.

Entre elas, a Mocidade Alegre, vice-campeã, com o enredo, “Bem-Vindo a São Paulo. Sabe Por Quê? Porque São Paulo é Tudo de Bom”, e que teve pela primeira vez na história do Carnaval paulista uma ala dedicada ao sapateado.Intitulada Ala Sapateia São Paulo, o trabalho assinado pela coreógrafa, musicista e sapateadora Christiane Matallo — que no ano passado já sambateou na avenida pela Mocidade — , retrata os próprios sapateadores, além de ser homônima ao evento que promove em São Paulo, para comemorar o Dia Internacional do Sapateado, que agora tem Lei no Brasil.

A ala conta com 21 sapateadores oriundos de São Paulo, Itatiba, São José dos Campos, Sorocaba, Piracicaba e Campinas. “É a união. A integração, o que eu sempre quis para o sapateado no Brasil”, fala a coreógrafa, criadora do “sambateado”. “O que fazemos na passarela é um diálogo com a bateria, sendo que o nosso instrumento está nos pés. É a união do samba com o sapateado”.

Christiane ministra aulas semanais de sambateado para a comunidade da Mocidade Alegre há um ano.O figurino dos sambateadores desenhado pelo carnavalesco Zikson Reis é todo azul royal; assim como o sapateado de sapateado confeccionado especialmente para o trabalho, pela Só Dança; com borracha especial para dias de chuva, trabalho de desenvolvimento acústico e material mais leve. “Tudo foi feito e pensado para que os bailarinos profissionais tivessem na passarela a mesma segurança e desenvoltura que têm no palco, afinal, são mais de 20 minutos direto de coreografia”, fala Christiane.

Hoje, a festa começa às 22h, com o desfile da Leandro de Itaquera, segunda colocada no Grupo de Acesso, que volta ao Grupo Especial em 2009. Em seguida, desfilam Unidos do Peruche, campeã do Grupo de Acesso, e as quatro primeiras colocadas do Grupo Especial na ordem inversa, Tom Maior, Rosas de Ouro, Unidos da Vila Maria, Mocidade Alegre e Vai-Vai. A transmissão é feita pela Rede Globo e Band.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Tom da (e na) dança

Marcela Benvegnu

O termo suíte, de origem francesa, nasceu para denominar sequências de dança no período barroco. Porém, hoje, é empregado para designar uma organização de peças musicais, dispostas a formar um conjunto para serem tocadas sem interrupções. É isso que “Suíte Para Tom Jobim”, espetáculo que o Studio de Dança Christiane Matallo apresentou ontem e reapresenta hoje, às 20h30, no Teatro do Centro de Convivência Cultural de Campinas, propõe.

A montagem concebida em forma de sequências coreografias se une a música brasileira para homenagear Antônio Carlos Jobim (1927-1994), que completaria 80 anos de vida em 2007. Apesar de não estar mais presente, o maestro deixa à todos sua maior riqueza: a música, que no palco se transforma em dança por meio de coreografias de balé clássico, sapateado e dança contemporânea.

No espetáculo será possível ver e ouvir canções como “Wave”, “Forever Green”, “Querida”, “Samba de Maria Luiza”, “Favela”, “Água de Beber”, “Pato Preto”, “Surfboard”, “Lamento”, “Garota de Ipanema”, “Só Tinha de Ser Com Você”, “Passarim”, “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Piano na Mangueira” e “Águas de Março”. A maioria delas será executada ao vivo por instrumentistas — Vânia Lucas, Gilberto de Syllos e Mário Ferez — que esporadicamente dividem o palco com Paulo Jobim (filho de Tom), que também recheou o espetáculo com belas e inéditas histórias. “Suíte Para Tom Jobim” tem direção artística de Christiane Matallo — que além de sapatear irá cantar, tocar saxofone e piano.

BRASILEIRO — Antônio Carlos Jobim foi o compositor brasileiro mais famoso dentro e fora do Brasil na última metade do século 20. Inicialmente tocando como pianista se consagrou como compositor nos anos 50, ainda na fase das parcerias com Marino Pinto, Billy Blanco, Dolores Duran e Newton Mendonça. Ficou conhecido internacionalmente em 1961, quando “Desafinado” e “Samba de Uma Nota só”, haviam entrado nas paradas de sucesso norte-americanas. Com ele a bossa nova — que em 2008 comemora 50 anos — se estruturou e passou a ser conhecida em todo o mundo.

PARA VER —“Suíte Para Tom Jobim”, com o Studio de Dança Christiane Matallo. Hoje, às 20h30, no Centro de Convivência de Campinas (Praça Imprensa Fluminense, s/n, Cambuí). Ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3232-4148.
Foto: Matheus Medeiros/JP

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Sapateia, Brasil!


Marcela Benvegnu

Intercâmbio, troca, formação e informação. Essas são algumas das qualidades que envolvem o Festival Internacional de Sapateado de Campinas, organizado pela sapateadora e instrumentista Christiane Matallo desde 2000, que a partir deste ano passa a se chamar Brasil International Tap Festival e acontecerá nos dias 30 e 31 de agosto e 1º e 2 de setembro de 2007 na cidade de Jaguariúna, a 16 quilômetros de Campinas.O evento traz profissionais com linguagens e frentes de trabalho diferentes para a construção e fundamentação do pensamento crítico do bom profissional ligado à arte do sapateado. O objetivo do evento é o de promover um encontro entre alunos e professores que participam de aulas, apresentações, tap jam sessions, exibição de filmes, bate-papos, entre outras particularidades.Este ano o festival recebe grandes artistas, como Jason Samuels Smith (USA), o único coreógrafo a ganhar um prêmio Emmy depois do coreógrafo de Fred Astaire e atualmente o melhor sapateador americano; Derick Grant (USA), diretor do “Imagine Tap”, espetáculo que reuniu nos palcos de Chicago, no ano passado, uma trupe dos mais renomados e talentosos sapateadores; Aaron Tolson (USA), co-diretor de “Imagine Tap”; Corinne Karon (USA), única sapateadora a se apresentar em todos os continentes do mundo e fazer uma performance na Antártida.Entre os professores brasileiros estão Dalga Larrondo, um dos únicos percussionistas do mundo a dominar a técnica do zarb, tambor utilizado na música clássica iraniana, e Christiane Matallo, considerada pelo jornal “The New York Times” como a “Carmen Miranda do sapateado” e a única brasileira a ministrar aulas no Tap City, o maior evento de sapateado dos Estados Unidos, por dois anos consecutivos.Além das aulas que acontecem durante todo o dia, as noites são reservadas para outras atividades. Na quinta-feira, dia 30, acontece a exibição de filmes lendários do sapateado americano, seguida de bate-papo; na sexta-feira, dia 31, uma jam session com a banda Gilberto de Syllos e no sábado, às 21h, no Centro Cultural de Jaguariúna, uma apresentação de grupos amadores, profissionais e estrelas convidadas.Todos os cursos custam R$ 400. Ainda restam algumas vagas e as inscrições podem ser feitas pelo site www.christiane-matallo.com.br e também pelo telefone (19) 3255-8323. O apoio é da Só Dança e da Prefeitura de Jaguariúna.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Mano Tap


Aqueles que ainda não foram assistir ao filme “Happy Feet — O Pingüim” não imaginam o que estão perdendo. Além da coreografia de Mano ser assinada por Savion Glover — o mesmo que coreografou Bring in ‘Da Noise, Bring in ‘Da Funk, e atuou em “Black and Blue” e “Jelly’s Last Jam”, com Gregory Hines — e Kelley Abbey, a mensagem que o filme de George Miller mostra, vai além do tap.Mano é um pingüim que nasceu diferente dos demais de sua espécie, nasceu sapateando. Sua vida se resume basicamente em uma coisa: ter uma canção do coração. A partir dela ele conquistará o amor de uma fêmea. Apaixonado por Glória — a melhor cantora do pedaço — mas sem ter como conquistá-la, Mano se afasta de seu bando, porém, não desiste de viver entre os seus e mostra que a dança, ou melhor, o sapateado pode mover montanhas. A vida dos pingüins é extraordinária, cheia de alegorias em termos de como nos conduzir como seres humanos. A maneira como eles sobrevivem nos confins do planeta, abraçando-se para fugir do frio, dividindo o calor, cantando para encontrar um parceiro é uma lição de vida para os individualistas. Pode-se dizer que Mano é um sobrevivente, da arte, da dança, da vida. Falar de sapateado nas telonas é um grande avanço, pois desde a overdose de Fred Astaire e Sirley Temple, que não se falava tanto — e tão bem — sobre o gênero. Pontuando os ápices do filme, a trilha sonora merece destaque e vai do rap às canções estilo broadway. Coreograficamente não se tem muito a dizer, Glover é mesmo um ótimo sapateador. A limpeza sonora das cenas também é excelente, visto que não adianta ele ser um exímio tapper, sem uma boa direção ou sonoplastia.A reflexão é que parece que todos os bailarinos são um pouco como Mano, lutam a cada dia em uma sociedade na qual você tem que ser igual aos outros para ser aceito. O diferente sofre, não consegue encontrar espaço para mostrar o seu trabalho — na maioria da vezes melhor do que se imagina — e por mais que ele tente, tente e tente é difícil lutar contra a maré. “Happy Feet” não é um filme sobre dança ou sapateado. É um trabalho sobre superação, esta que os bailarinos lutam a todo instante

Thank you, Dance!

by Judy Smith "