domingo, 6 de setembro de 2009

Redação Crítica de Dança / Joinville 2009


Segue abaixo algumas críticas publicadas pelos meus alunos no curso de Redação Crítica de Dança que foi ministrado durante do Festival de Dança de Joinville, em julho deste ano! O pessoal teve contato com a crítica durante três intensos dias e o resultado foi muito interessante. Temos excelentes textos aqui. Obrigada queridos!
Marcela Benvegnu
Alunos!!!! Críticos!!! Produtores de pensamento!!!!
Serenade, com a SPCD



Crítica de VANESSA AMARAL
Encanto e sentimento em noite de gala despertados por Serenade
“Exuberante”. Talvez esta seja a palavra que descreva a atuação da São Paulo Companhia de Dança em Serenade, na noite da última segunda-feira, 20 de julho de 2009. A Companhia apresentou-se no Centreventos Cau Hansen na noite de gala do 27º Festival de Dança de Joinville. No elenco constavam bailarinos das cinco regiões do Brasil e também da Argentina.
Com uma execução e leveza invejável exigida pela coreografia de George Balanchine (1904-1983), sobre a música de Tchaikovsky (1840-1893), a remontagem de Bem Bates encantou o público trazendo algo diferente dos ballet’s habituais.
Serenade não possui uma seqüência de fatos lógicos, Balanchine explorou questões formais impostas pela modernidade, estabelecendo uma relação radical entre som e movimento, sua proposta era esclarecer aos jovens bailarinos a distinção entre bailado em sala de aula e dança no palco.
Mantendo esta relação com sala de aula, o figurino composto por collants e saias longas de tule (também chamadas de tutus românticos) apresentou-se de forma simples e fiel a rotina de sala de aula de diversos bailarinos e bailarinas. Este, contudo dialoga harmoniosamente com o movimento e a marcante luz em fundo azul, que dançava graciosamente junto à Companhia.
Em geral sobre a Companhia é impossível não citar e parabenizar a harmonia presente no palco, que pôde ser facilmente percebida pelo público, pois os bailarinos se entregam e vivem o que dançam como um só corpo. Como resposta, recebem não somente aplausos, lágrimas e sorrisos do público, mas também admiração e respeito por tal obra executada por uma Companhia tão jovem e tão fiel ao que comprometem fazer. Deixando de herança a todos nós, um desejo e curiosidade de apreciar o que ainda está por vir.




Crítica de ANETTE LUBISCO

As rupturas e dissonância provocadas por Les Noces
Na noite de 20 de julho de 2009, as 20 h, no Centreventos Cau Hansen dentro do 27º Festival de Dança de Joinville apresentou-se dentro de sua noite de gala a “São Paulo Companhia de Dança”, apresentando em seu programa também Lês Noces. Lês Noces é um trabalho coreográfico onde se vê presente rupturas e dissonâncias.
A proposta coreográfica se deu a partir da união da coreógrafa bielorussa Bronislava Nijinska e do compositor e musico Igor Stravinsky.
Nijinska criou a movimentação para Lês Noces mostrando movimentos dançados com influência de ritual do casamento da Rússia antiga. Além de imagens vividas pela coreógrafa durante a Revolução da Rússia antiga, as inspirações do gestual moderno dos movimentos de danças folclóricas russas ajudaram na sensação de transmitir aspectos relacionados a rupturas sob que o trabalho se oferece. A mais conhecida criação da russa NIjinska, alia a tradição do balé as vanguardas modernistas do inicio do século XX reforçando a idéia de ousadia que Lês Noces perpassa.
Stravinsky compôs e escreveu a musica em quatro cenas explorando o clima solene dos rituais dos casamentos russos, onde os casais eram determinados pelos pais. A riqueza rítmica da musica oferecida de Stravinky e o teor dramático do trabalho provoca a dissonância refletida por todo momento na obra dançada, onde os integrantes/bailarinos passam a ser vozes coreográficas complementadas com harmonia do movimento e musica, ressoando como num todo. A arrojada musica de Stravinsky funde o folclore russo com modernas rupturas musicais
O figurino é visto sem a ostentação de cor, lembrando roupas do dia-a-dia dos camponeses russos. Les Noces é dançado também por mulheres onde Nijinska coloca a importância do uso da sapatilha de ponta, pois ela queria restituir silhueta alongada que se vê nos ícones russos e noutras imagens tradicionais da igreja Bizantina.
O cenário é feito por Gontcharova – russa – e artista plástica de pesquisa abstrata e que buscou perpetuar a arte popular russa.
O Lês Noces foi dançado pela 1ª vez em 1923 e em Paris e para a remontagem deste trabalho para o “São Paulo Companhia de Dança” foi chamado um “remontador” – bailarino que conhece profundamente a peça e que repassem estes movimentos com fidelidade – a portuguesa Márcia Palmerini.
O “São Paulo Companhia de Dança” foi lançado em janeiro de 2008, por iniciativa do governo do Estado de São Paulo, ocupado por elenco de 40 integrantes e que possui sem duvida resultados interessantes em tão pouco tempo de existência. Lês Noces traz a ousadia e sofisticação desta Companhia de Dança que desponta no mercado cultural mostrando a importância de programas com produção de alta qualidade técnica e artística.



Crítica de KARINA BORJA DE SOUZA
Simplicidade e Beleza



Simplicidade e beleza é como se pode definir o espetáculo da São Paulo Companhia de Dança apresentação ontem no 27º Festival de Dança de Joinville. A Noite de Gala foi enriquecida com as apresentações de "Les Noces" e "Serenade".
"Les Noces" uma criação da bailarina russa Bronislava Nijinska (1891 - 1972), música de Igor Stravinsky (1882 - 1971) e com figurinos e cenários assinados por Natalia Goutcharova (1881 - 1962).
O balé nos remete a antiga rússia onde todos os bailarinos se igualavam num só corpo, com movimentos fortes e próprios, nos trazendo um casamento de camponeses onde o matrimônio era um ato acordado pelos pais.
Delicados movimentos fecha a noite trazendo "Serenade" de George Balanchine (1904 - 1983) e música de Tchaikovsky (1940 - 1893). A suavidade transparecia na luz azul e nos figurinos esvuaçantes nos elevando e nos envolvendo com doces sensações. E essa obra-prima era apenas para mostrar aos alunos a distinção entre bailado em sala de aula e a dança no palco.
Foi uma noite que permeou entre o forte e o suave, o brutal e o delicado, e esse trabalho nos mostra o que uma companhia, mesmo sendo formada há pouco mais de um ano, tem a limpeza em sua assinatura e a dedicação dos bailarinos e remontadores levando aos que assistem a tristeza e a alegria em, apenas, alguns minutos de diferença.

Crítica de NILDA NAZARÉ PEREIRA OLIVEIRA

Os sentimentos que a dança pode despertar


Na Noite de Gala do 27º Festival de Dança de Joinville pudemos assistir a apresentação da São Paulo Companhia de Dança, que trouxe duas das coreografias de seu repertório: Les Noces e Serenade. A apresentação ocorreu no Centreventos Cau Hansen, para uma platéia de, aproximadamente, 4.500 pessoas.
A coreografia Les Noces retrata um casamento camponês, na Rússia do início do século XX, quando os noivos eram escolhidos pelas famílias e só se conheciam no dia do casamento. A obra foi criada em 1923, por Bronislava Nijinska (Minsk, 8 de janeiro de 1891 — Los Angeles, 21 de fevereiro de 1972). Trata-se de um Ballet em quatro atos: a Bênção da Noiva, a Bênção do Noivo, a despedida da Noiva da casa dos pais e a festa de casamento.
Os cenários austeros, que retratam casas camponesas, com suas paredes nuas pintadas de bege, o figurino em tons de bege e marrom e a forte música de Stravinsky (Oranienbaum, 17 de Junho de 1882 – Nova York, 6 de Abril de 1971), dão um tom extremamente sombrio, e refletem todo o sofrimento de uma jovem que não deseja realizar aquele casamento, da forma como era de costume.
Serenade, de George Balanchine (São Petersburgo, 22 de Janeiro de 1904 – Nova Iorque, 30 de Abril de 1983), foi criada sobre a Serenata em Si Maior para Cordas, Opus 48 de Tchaikovsky (Kamsko-Wotkinski Sawod, 7 de maio de 1840 - São Petersburgo, 6 de novembro de 1893), em 1935, e é o oposto, se assim podemos dizer, de Les Noces. Trata-se de uma coreografia leve e suave, que dialoga perfeitamente com o figurino em tons de azul, e saias de tule esvoaçantes, que, em conjunto com a iluminação também azul, reproduzia uma cena às vezes parecendo o mar, outras o céu.
Os bailarinos executaram as duas coreografias numa harmonia muito grande, demonstrando grande interação, o que é surpreendente para uma Companhia criada há tão pouco tempo, a São Paulo Companhia de Dança foi criada há pouco mais de um ano e meio, em janeiro de 2008.
Entretanto, o que mais chamou a atenção na apresentação da Noite de Gala foi o tipo de sentimento que uma coreografia de dança pode despertar.
Certamente o público do Festival é diferenciado, são pessoas que vivem e valorizam a dança, a elite da dança no país e, mesmo neste público, pode-se observar um sentimento de angústia, sofrimento e nostalgia evocados por Les Noces, refletido nas palmas reticentes e manifestações contidas, completamente contrárias ao que ocorreu em Serenade, quando a platéia explodiu em aplausos e manifestações de euforia.
Para quem afirma que em Ballet Clássico “é tudo igual”, vale a pena assistir a essas duas coreografias, para perceber os sentimentos que a dança pode despertar.



Crítica de MICHELLE CAMARGO
Quem precisa de príncipes e fadas?
Seguindo a tradição de alto padrão dos trabalhos apresentados na Noite de Gala, o 27º Festival de Danças de Joinville trouxe ao palco duas obras primas da dança clássica: Les Noces, de Bronislava Nijinska e Serenade, de George Balanchine, ambos primorosamente interpretados pela São Paulo Cia de Dança.
Acreditar que apenas príncipes e fadas emocionam e encantam o público do Festival é equivocadamente privar-se do despertar de novas emoções que a dança é capaz de proporcionar.
Em Les Noces, a intensidade da música de Stravinsky aliado à narrativa do balé traduz o sentimento de um período difícil na Russia, porém a força dos movimentos e a performance dos bailarinos da São paulo Cia de Dança trazem à tona o olhar de encantamento e admiração característicos do público dos prícipes e das fadas.
Já em Serenade, este olhar se reconhece na inteligência de Balanchine, que de forma delicada, poetiza o cotidiano de mais uma de suas belíssimas criações e no corpo da São paulo Cia de Dança, acolhe o olhar hipnotizado da platéia.
Se os príncipes e as fadas não estiveram presentes no palco da Noite de Gala do 27º Festival de Joinville, isso já não mais importa. Levamos para casa a descoberta de que emocionar-se é preciso, basta abrir bem os olhos, a mente e o coração!
Crítica de CAMILA EMBOAVA
Serenade. Ah, e então?
Serenade, criada em 1935, foi a primeira obra que George Balanchine (1904-1983) coreografou para os alunos de sua escola, a School of American Ballet. O coreógrafo pretendia ensinar a seus alunos a diferença entre a movimentação de aula e os bailados de palco, daí nota-se as inclinações de corpo, os braços mais leves, a movimentação menos rígida e acadêmica que acabou por “inaugurar” o balé neoclássico.
Ontem, o público do Festival de Dança de Joinville pôde ver no palco principal a remontagem de Serenade dançada pelos bailarinos da São Paulo Companhia de Dança.
Para que Serenade acontecesse, a companhia contou com a orientação do bailarino e professor belga Bem Huys, que dançou no New York City Ballet durante anos e ensinou tanto a coreografia e musicalidade aos bailarinos quanto a luz e o figurino aos técnicos.
O balé começa com 17 bailarinas no palco espalhadas de uma forma não-convencional e bela. O primeiro gesto da obra foi baseado em uma das bailarinas, que protegia o rosto do sol quando o coreógrafo chegou na sala. O balé inteiro acontece com intervenções de movimentações que simbolizam algum fato ocorrido durante os ensaios. A bailarina que chega atrasada e procura seu lugar, a bailarina que cai durante o ensaio, as moças limpando o suor. A obra diz sobre o cotidiano das bailarinas de Balanchine.
Durante o espetáculo fico imaginando o tamanho da comoção que a apresentação de Serenade causa aqui, em Joinville, onde grande parte do público tem envolvimento com a dança. Quantas meninas da platéia devem ter se reconhecido no atraso de uma das bailarinas? Quantas se identificaram com o “choro” de uma das alunas de Balanchine representado em cena?Assim como a queda da bailarina e o sol na janela das salas de dança, o balé Serenade é atemporal.
A musicalidade é impressionante, nenhum acorde parece ter sido desperdiçado, fica a impressão de que dança e música co-existem, Serenade foi feito para a música de Tchaicovsky (1840-1893) e é evidente que não existiria sem ela. Mas depois de ver Serenade no palco fica difícil imaginar que a música exista sem a coreografia. A iluminação azul e o figurino claro dialogam perfeitamente com a movimentação e são essenciais para fazer o mundo de Serenade existir. O balé tem uma dramaturgia inerente, cravada. E chega. Chegou em mim, chegou nas amigas que assistiram do meu lado, chegou até aos pré-adolescentes que não paravam de se mexer e conversar enquanto a São Paulo dançava Les Noces e que na metade de Serenade pareciam absorvidos.
A performance da São Paulo Companhia de Dança estava sublime. A movimentação rápida dos pés, as inclinações, a intenção de movimento, o vento de Balanchine estiveram muito dentro daqueles corpos que se organizavam no espaço e na música entre giros, saltos e braços de um jeito leve, deslizante, sutil e preciso.
A noite de ontem, pela riqueza da apresentação, me lembrou um poema inglês da época do romantismo, chamado A Flor Azul. Azul, como Serenade.
E se você dormisse? E se você sonhasse? E se em seu sonho você fosse ao paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E se, ao acordar, você tivesse a flor entre as mãos? Ah, e então?
Crítica de ANDRÉ LIBERATO
3 em 1

Que a SPCD é um projeto estridente, porém muito competente da secretaria de cultura do estado de São Paulo nós já sabíamos. Que Balanchine (1904-1983), russo de nascença radicado nos EUA, foi o grande inaugurador do neoclassicismo na dança nós também sabíamos. Que Joinville é o maior festival de dança do mundo segundo o próprio Guinness book, além de sabido, é também motivo de orgulho para todos nós que torcemos por uma dança mais disseminada e valorizada.

Bem, a soma de toda essa grandiosidade reunida deve servir para nos ensinar muitas coisas, uma delas, a que considero principal, é o caráter didático que Serenade imprime a um festival cujo carro-chefe ainda é o balé. Me explico melhor: assistir um clássico de Balanchine em Joinville é muito importante para que as diversas academias espalhadas pelos quatro cantos do Brasil, aqui reunidas, possam perceber um pouco da origem daquilo que estão fazendo, aprimorando, assim, seus próprios trabalhos. Afinal, Balanchine representa um divisor de águas na história do balé e, sem dúvida, é extremamente responsável pela visão que temos hoje da bailarina clássica.
Outro fator importante é a confirmação da possibilidade de termos no Brasil uma companhia clássica de alto nível técnico e investimento suficiente (que não é pouco) para manter essa qualidade.
Ainda que o projeto esbarre inevitavelmente numa tendência em supervalorizar os modelos estrangeiros, é inegável que o trabalho da SPCD tem se mostrado muito sério e capaz de elevar a dança ao status de maior prestígio na nossa sociedade.
Quanto ao trabalho em si, a obra de Balanchine me parece muito ousada quando vista imersa numa época em que o balé se apoiava em excesso nas narrativas lineares e nos recursos miméticos, mesmo considerando que o panorama americano, onde foi criada a obra, já se mostrava moderno desde as primeiras investidas de Lincoln Kirstein (1907-1996) na criação de um balé nacional.

A fruição estética de Serenade, apoiada na bela música de Tchaikovsky, e reforçada pela luz e figurinos nos leva a sonhar com a possibilidade de leveza daqueles corpos, numa tentativa de apreender seu espírito e trazê-lo para os tempos difíceis que vivemos. É claro que isso só é possível gaças a alta qualidade técnica dos bailarinos e do trabalho rigoroso de remontagem da obra.

Faço aqui um parênteses: a entrada do primeiro bailarino (a obra é um culto à figura feminina), o seu figurino e gestual diferenciado, quebra a construção cresente a que o espetáculo se encontrava no momento de sua entrada. Retomando a idéia de balé de ação de Noverre (1727-1810) que sugeria uma dança composta por inúmeros “quadros” em sequência, o novo que se estabelecia com a presença masculina contrapôs com o restante de tal maneira, como seria colocar uma Tarsila ao lado de um Iberê na mesma sala de exposição. No entanto, esse elemento não é grande o bastante para retirar a beleza e encantamento da obra.

É por tudo isso que considero o encontro entre a SPCD, Balanchine e Joinville de extrema valia para entendermos melhor esse ofício da dança que tanto amamos, mas que sofre com a ausência de conhecimento do passado que poderia auxiliar (e muito!) na construção de um caminho mais sábio no futuro.



Crítica de LEILA PATRÍCIA TORRES

Ousadia e leveza na Noite de Gala do Festival de Dança de Joinville



Como seria acompanhar um ensaio de bailarinos em sua rotina diária? a bailarina chegando atrasada, enxugando o suor ou protegendo seu rosto de uma fresta de luz? quem sabe até mesmo presenciar a queda de uma bailarina
no ensaio? Todos esses elementos, que passam às vezes despercebidos pelo público, estão diluídos em Serenade que retrata cada movimento com muita poesia e leveza.

Serenade é de autoria do coreógrafo George de Balanchine (1904 - 1984), e música de Tchaikvisky (1840 - 1893), a coreografia foi criada inicialmente para os alunos da School of American Ballet, e partiu de exercícios que tinham a intenção de mostrar aos alunos a diferença entre o bailado em sala de aula e a dança no palco. Serenade teve sua primeira apresentação em 1934 com alunos da escola, e sua estréia profissional deu-se em março de 1935.

Serenade não possui cenário ou objetos cênicos, apenas a luz azul que cria uma atmosfera atemporal e celestial. O figurino é simples, de saias longas de tule que trazem a estética do ballet romântico. A apresentação
de Serenade na Noite de Gala foi marcada pela ousadia tanto pela grandeza do espetáculo ser encenado por jovens bailarinos quanto pela própria São Paulo Companhia de Dança que também é muito jovem, foi lançada em janeiro de 2008, pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, a direção artística é de Iracy Cardoso e Inês Bogéa.

A SPCD montou o espetáculo com a ajuda do professor belga Ben Huys, indicado pelo Balanchine Trust que ensinou a coreografia original aos bailarinos: os movimentos, a colocação de cada um no espaço do palco, a
musicalidade e as intenções dramáticas. Enfim, a beleza do espetáculo impressiona pela simplicidade e leveza, saímos do espetáculo leves e felizes em saber que ainda se investe recursos financeiros e apoio governamental ao clássico.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eu voltei!!!!!!!!!!!!!

Queridos,

Há muito tempo não sabia o que era tirar férias. E esse ano, TIREI. De tudo. De todos. Do jornal. Do Blog. Até de mim mesma. E como foi mara! (maravilhoso). Mas agora é hora de voltar a ativa, de atualizar essas páginas e contar coisas que vivi, vi, senti. Prometo para semana que vem um texto sobre Billy Elliot, O Musical, que acabei de assisitir na Broadway em NY. Simplesmente sem palavras de tão maravilhoso. Vou também contar da aula de jazz (história e lyrical) que eu e a Erika Novachi demos em NY, na Broadway Dance Center. Foi demais.

Também preciso postar aqui as redações críticas dos meus alunos no Festival de Dança de Joinville (um texto melhor que o outro), e as prometidas críticas do Festidança, que aconteceu em junho (que vergonha - atraso básico).

Eu volteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Beijos que dançam para vcs! :- )

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Olhares múltiplos


Foto: Lenise Pinheiro
Legenda: Iracity Cardoso, diretora artística da SPCD


Criadora do Centro de Dança da Galeria Olido, em São Paulo, e diretora do Ballet Gulbenkian de Portugal de 1996 a 2003 — onde também foi co-diretora (1988-1993) —; Iracity Cardoso dirige a São Paulo Cia. de Dança, com olhares múltiplos. Experiência ela tem. Foi bailarina e assistente de direção do Ballet du Grand Theatre de Genève (1980-1988), além de bailarina do Staats Theather Karlsruhe e do Stadt Theater Bonn, na Alemanha; e do Stadt Theater Marseille, na França. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, Iracity faz um balanço das atividades da companhia em seu primeiro ano de fundação e fala sobre a pluralidade das gramáticas corporais adotadas pela direção. Confira os melhores trechos.
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Como olhar para a companhia pouco mais de um ano depois da sua fundação?
Iracity Cardoso — Olho para trás com bastante orgulho. Vejo o progresso e uma estrutura cada vez mais sólida. Acho que fizemos muitas coisas nesse período. Se pararmos para analisar temos menos de um ano da estréia do primeiro trabalho (Polígono, do italiano Alessio Silvestrin) e desde então não paramos de realizar projetos, como o Corpo a Corpo, o Figuras da Dança, e outros. Nesse período tivemos três obras criadas especialmente para a companhia (Polígono; Ballo, de Ricardo Scheir, e Entreato, de Paulo Caldas) e três obras de repertório (Serenade, de George Balanchine; Les Noces (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972) e Gnawa, de Nacho Duato).
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Todos esses trabalhos apresentam estilos plurais. Como o corpo dos bailarinos reagiu a isso?
Iracity — Para alguns bailarinos esse processo foi realmente difícil por muitos não estarem acostumados com essas diferentes técnicas. O contato com o contemporâneo, esse trabalho no qual o intérprete também colabora com a criação, foi novo para alguns. Nos grandes conjuntos, não somente de Serenade, mas de Les Noces, eles tiveram que se adaptar ao rigor e à disciplina da forma. O diferencial de tantas linguagens é que trouxemos remontadores para cada uma das obras, e temos o cuidado para que todas sejam interpretadas como únicas dentro de sua proposta original, fazendo com que os estilos não se misturem.
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Qual o motivo da escolha de Daniela Cardim (Het Nationale Ballet) para assinar a nova produção da companhia que estréia em outubro, no Teatro Alfa?
Iracity — Daniela é uma bailarina carioca, que está em Amsterdã há muitos anos e já iniciou uma carreira como coreógrafa. Queremos dar oportunidade a esses jovens criadores que estão no exterior. A coreografia ainda não tem título e ela trabalha com os bailarinos nas pontas, com a movimentação contemporânea.

SPCD pelo interior

Serenade, coreografia de George Balanchine criada há 75 anos / foto: Alceu Bett

Marcela Benvegnu

Com pouco mais de um ano de existência, seis montagens no currículo — três exclusivas —, diversos projetos educativos e um livro a ser lançado, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) tem consolidado sua (boa) imagem no país. Excursionando pelo Brasil com trabalhos que abrangem diversas gramáticas corporais, a companhia chega a Piracicaba amanhã, às 21h, no ginásio do Sesc Piracicaba, para apresentar dois trabalhos: Serenade (1935), de George Balanchine (1904-1983), um dos maiores clássicos da dança mundial, e Gnawa (2005), de Nacho Duato (1957). Além das apresentações estão previstas duas atividades gratuitas da SPCD na cidade. A diretora artística adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo, hoje, às 19h, no Sesc, e amanhã, às 10h, Ricardo Scheir — professor, coreógrafo e ensaiador da SPCD — ministra aula de balé clássico para interessados, no mesmo local.
Serenade, de Balanchine, é uma obra comprometida com a música de Pietr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893), e revela formas incomuns em sua formação — como um grupo de cinco ou 17 bailarinas. Sem contar que o coreógrafo incorporou incidentes como o atraso de uma bailarina, o gesto que outra fizera para se proteger do sol, e a queda de uma terceira, como parte da coreografia. Balanchine nunca admitiu a existência de um enredo em Serenade, porém, é nítida a sensação que a partitura corporal aponta para uma narrativa. A coreografia teve sua estréia em junho de 1934 — há exatos 75 anos — com a School of American Ballet, e depois de algumas mudanças, em 1935, foi incorporada ao repertório do American Ballet Theatre.
A SPCD estreou Serenade, como coreografia de seu segundo programa — o primeiro trabalho foi Polígono, do italiano Alessio Silvestrin — em novembro do ano passado. A remontagem de Ben Huys (1967), atual ensaiador da The George Balanchine Trust, é sobre a música Serenade for Strings in C, Op. 48 (1880), de Tchaikovsky. “Serenade é um trabalho muito importante. É a primeira vez que uma companhia paulista apresenta um trabalho de Balanchine deste porte. Ficamos muito felizes em poder levá-lo para interior de São Paulo e litoral. Isso é um projeto da companhia. Serenade, além de lindo, apresenta uma musicalidade excepcional e é nesta obra que podemos ver o deslumbrante trabalho de Balanchine com o uso do espaço”, fala Iracity Cardoso, diretora artística da companhia (leia entrevista nesta página).
A segunda peça da noite, Gnawa, de Duato — diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha — revela o bom encontro do corpo brasileiro com o estilo do coreógrafo. De origem sub-saariana, os gnawa — uma confraria mística muçulmana do norte da África — incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho canções dessa comunidade. Gnawa pode ser pensada como um desdobramento do interesse do coreógrafo desperto por Mediterranea — coreografia de 1992 — , acrescida de certa luminosidade, calor exótico e música ritualística.
Segundo Iracity, o trabalho de Duato tem relação direta com o corpo brasileiro. “A companhia estreou esta obra no ano passado, e Duato tem uma carreira internacional consolidada. Gnawa apresenta esse ritual do norte da África e somado à música percussiva, tem muito no nosso temperamento”, fala a diretora.
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MOVIMENTO PARALELO
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Antes das apresentações de Serenade e Gnawa, a SCDP promove duas atividades em Piracicaba. A primeira está marcada para hoje, às 19h, no Sesc, quando a diretora adjunta da companhia, Inês Bogéa, ministra a palestra Corpo a Corpo. “Corpo a Corpo procura aproximar o público mais amplo do universo da dança e ressalta o quanto de dança existe no nosso cotidiano”, fala Inês. “Por outro lado, ao revelar um pouco dos processos criativos e dos bastidores do trabalho da São Paulo Companhia de Dança, procuramos mostrar as diferentes profissões que integram um espetáculo”, completa.
Também amanhã, às 10h, no Sesc, o coreógrafo Ricardo Scheir — que assina Ballo, último trabalho da SPCD, e é professor e ensaiador da companhia — ministra uma aula de balé clássico para os alunos inscritos na oficina. “A minha aula é sempre uma surpresa. Não tenho como preparar nada anteriormente porque não conheço os corpos com que vou trabalhar. Até pedi para a organização que não estipulasse o nível das aulas, porque assim podemos sempre curtir algo diferente”, fala Scheir.

Panorama Sesi traz "bons" trabalhos

crédito: Lu Barcellos / Quasar Cia. de Dança

Marcela Benvegnu

Antes de aquecer as sapatilhas e os olhares para o Festival de Dança de Joinville, entre os dias 8 e 19 de julho, acontece a 9ª edição do Panorama Sesi de Dança, no Teatro do Sesi, em São Paulo. Pela segunda vez com a curadoria da coreógrafa, diretora e atriz Renata Melo, o panorama propõe um olhar sobre companhias de características distintas: grandes, pequenas, antigas, novas, com e sem subsídios, daqui e de fora, com estilos e técnicas variadas, com maneiras próprias de se produzir, com mais ou menos dificuldades em se manter.
O evento conta com apresentações gratuitas da Cia. Borelli de Dança, que faz a estréia nacional de seu novo trabalho, além das primeiras apresentações em São Paulo dos novos espetáculos da Quasar Cia. de Dança e da Staccato/Paulo Caldas. Além das três, o público poderá assistir gratuitamente a trabalhos recentes e elogiados da Cia. Druw — que esteve em Piracicaba no mês passado — , do Balé da Cidade de São Paulo, da Cia. Fragmento, da Cia. de Danças de Diadema e da Bruno Beltrão Grupo de Rua.
Renata comenta que “o público poderá observar como as características da formação de cada grupo determinam a qualidade e a natureza de seus trabalhos artísticos. A estréia nacional de Estado Independente, da Cia Borelli de Dança, de São Paulo, e a primeira apresentação na cidade de Céu na Boca, da Quasar Cia de Dança, de Goiânia, e de Quinteto, da Staccato/Paulo Caldas, que colheu excelentes críticas em sua recente estréia no Rio de Janeiro, conferem ao evento prestígio e visibilidade”.
A curadora comenta que o mesmo se dá com a participação do Balé da Cidade de São Paulo, a tradicional companhia municipal, com o espetáculo Canela Fina, merecedor de excelentes críticas e que permaneceu por pouco tempo em cartaz. A apresentação de H3, do Grupo de Rua/Bruno Beltrão, de Niterói, oferece ao público a possibilidade de verificar uma companhia nova, pouco conhecida em São Paulo e que vem obtendo grande projeção, além de elogios da crítica, no exterior. A Companhia de Danças de Diadema mostra Quixotes do Amanhã — também já vista em Piracicaba, no Sesi — como fruto de um trabalho sério e dedicado feito com comunidades carentes de sua cidade.
Já a Cia. Druw, de São Paulo, com trajetória heróica típica de grupos que trabalham com pequenos subsídios, mostra o excelente Lúdico, dirigido pela prestigiada diretora Cristiane Paoli Quito. O espetáculo, que agrada crianças e adultos, é inspirado no pintor russo Wassily Kandinsky. A jovem Fragmento Cia, de Dança apresenta Sob a Nudez dos Olhos, uma peça sensível, inspirada na ficção literária Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago.
O Panorama Sesi de Dança surgiu em 2001, quando passou a integrar a programação fixa do Teatro do Sesi São Paulo. Desde então, o projeto apresentou 90 coreografias para mais de 32 mil pessoas. Nestes oito anos de história, o palco paulistano recebeu companhias como Cia. Deborah Colker, Quasar, Cisne Negro Cia. de Dança, Cia Nova Dança, Cia. de Dança Palácio das Artes e a internacional Wood Dance Company, de Nova York, além de um espetáculo inédito da bailarina Regina Advento, que integra a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.

Para a dor: dança de prazer / Ballet de Londrina


crédito: Izabela Figueiredo


Marcela Benvegnu

Depois de um bem-sucedido “Decalque”, o Ballet de Londrina volta à cena para estrear seu mais novo trabalho. “Para Acordar os Homens e Adormecer as Crianças”, nos dias 17, 18 e 19 de junho, no Filo (Festival Internacional de Londrina), em Londrina. O trabalho, com coreografia de Leonardo Ramos, desencadeia por meio dos movimentos uma condensação da passagem do tempo, representada por nascimento, crescimento e maturidade.
“Para Acordar os Homens e Adormecer as Crianças” começou com a tentativa de tratar do tema da vadiagem, do ócio, do curtir a vida e acabou sendo uma alegoria sobre a quebra da dor para uma possível liberdade. O que aconteceu não foi um desvio: as obras artísticas parecem ter suas vontades e seguir os caminhos da própria existência humana. A dor, que estabelece relação contrapontística com o prazer para compor a dinâmica da vida, não poderia ficar de fora do espetáculo sem que sua ausência não fosse notada.
Assim, os movimentos dos bailarinos desencadeiam uma condensação da passagem do tempo, representada por nascimento, crescimento e maturidade. O espetáculo pretende ser como morfina para esta dor, uma hora em que a dura e incontornável realidade pode ser vista em terceira pessoa, diluída na precisão e beleza dos movimentos da dança. Gestos que remetem ao funcionamento do relógio, o contraste provocado pela presença do corpo do bailarino de 13 anos, tudo transmite a sensação da impermanência humana, revelada no próprio processo de envelhecimento.
O entorpecimento aparece cenicamente como elemento necessário para a transição do self. A lisergia, encarada como possível reconfiguração do real, coincide temporalmente com o meio-caminho entre a infância e a velhice. A trilha sonora, que surgiu depois de boa parte da coreografia, revela também o mesmo princípio. As músicas de pós-rock — e por proporem composições líricas na sonoridade própria ao rock — cumprem bem o papel de sublinhar as tensões e relaxamentos coreográficos do espetáculo.
A obra foi um desafio por ser uma tentativa de sair do consolidado “Decalque”, que permaneceu por dois anos nas mentes e corpos dos bailarinos da CIA. Ballet de Londrina. O novo espetáculo busca novas direções, baseando seu norte em trabalhos mais antigos da companhia em que o movimento, em detrimento do enredo, é o principal elemento constitutivo da obra.
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CIA — O Ballet de Londrina é um grupo profissional de dança contemporânea formado por 13 bailarinos. Criada em 1993, a Companhia já montou e apresentou 22 espetáculos de dança contemporânea, fez 11 turnês nacionais e 9 viagens internacionais. O grupo é mantido pela Fundação Cultura Artística de Londrina (Funcart), uma organização não governamental cujo principal objetivo é democratizar o acesso à formação e produção cultural de qualidade, por meio de uma ampla rede de projetos.

Tô atrasada!

Esse post não tem fotos... só palavras.
Para dizer o quanto eu estou em falta com a atualização. Isso que eu produzi muito nesses dias. Vou postar agora uma matéria do Ballet de Londrina que escrevi há semanas, depois todas as críticas que foram publicadas no Festidança, que eu fui crítica, em São José dos Campos, e depois comentarei o falecimento do crítico de dança Roberto Pereira.
Vamos trabalhar! Tudo É Dança...

Thank you, Dance!

by Judy Smith "