Marcela Benvegnu
Quem assistiu a apresentação do Programa 2 da São Paulo Cia. de Dança, no último final de semana, no Teatro Alfa, em São Paulo, pôde ver três diferentes coreografias, que pouco dialogam umas com as outras. Talvez esse seja um bom diferencial quando a preocupação está em (in)formar sobre dança. O grupo trouxe ao palco "Les Noces", de Bronislava Nijinska (1891-1972), seguida da inédita "Entreato", de Paulo Caldas (1965), e "Serenade", de George Balanchine (1904-1983). O investimento não foi revelado, mas os R$ 13 milhões — muito questionados — que a companhia tem para investir (o que é bem diferente de gastar) estão sendo bem usados. Afinal, "comprar" os direitos de Nijinska e Balanchine, não é para qualquer um.
"Les Noces" é uma peça forte, assim como a música de Igor Stravinsky (1882-1971). Raramente executada por uma companhia de dança profissional a peça é dividida em quatro movimentos. A remontagem, assinada por Maria Palmeirim (1948), é bem executada, embora em alguns momentos as baterias de pés pareçam dissonantes. E a situação se evidencia por conta do figurino de Natalia Gontcharova (1881-1962), em que as bailarinas usam meias brancas e sapatilhas pretas. Impossível não notar.
Ainda nas pontas está a suavidade de Balanchine em "Serenade". O elenco, desta vez mais afinado — no sentido do físico e de execução —, convence. Os movimentos criados pelo gênio do neoclássico são precisos, tamanha a beleza das formas, do uso do palco, das poses, das colocações. Na remontagem de Ben Huys (1967) — atual ensaiador da The George Balanchine Trust — ainda falta um ‘Q’ de dramaturgia, mas isso é reflexo da linguagem, que só com mais trabalhos e tempo de vida a companhia poderá mostrar mesmo sem ter um coreógrafo residente.
ENTREATO — Entre Nijinska e Balanchine está "Entreato" — título também inspirado no filme "Entr’acte", de René Clair, do balé dadaísta ‘Relâche’ — de Paulo Caldas. Apesar de o coreógrafo acreditar que o trabalho não precisa ser explicado (ele fecha seu texto de apresentação no programa com a frase de Francis Picabia em que afirma ‘Relâche não tem significado... Quando perderemos o hábito de explicar tudo?") ele tem pontos interessantes a serem lidos. Em cena o corpo explica muitas coisas.
Os movimentos apresentam um fluxo contínuo, que de repente se dissolvem nos feixes de luz de Renato Machado. A luz é coadjuvante, ajuda a desenhar a cena que vai do orientalismo ao mais andrógino dos gestos. Um scanner de sensações. O figurino é casual, calças, blusas, vestidos e meias — comuns, mas pelo menos eles não estão descalços como a maioria por aí.Um vídeo projetado à direita do espectador realiza um diálogo e ao mesmo tempo um contraponto com a obra de Caldas. Paula Penachio é projetada de baixo para cima de sapatilhas de ponta e tutu. É como vê-la por baixo de um vidro e é a troca dos frames que desenha sua coreografia. Era possível explicar mais, mas o espaço entre o começo e o fim do movimento destas palavras termina aqui.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
SPCD inicia Programa 2
Marcela Benvegnu
Depois de estrear com “Polígono”, de Aléssio Silvestrin, a São Paulo Cia. de Dança apresenta agora seu segundo programa, que inclui três peças representativas do repertório proposto pela companhia, marcado por diferentes momentos da história da dança. Dois grandes clássicos do balé do século 20: “Serenade” (1935), de George Balanchine (1904-1983), criado para ser o primeiro espetáculo apresentado pelo New York City Ballet, e “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972), um dos marcos da incorporação do modernismo à dança; além de “Entreato”, concepção inédita de Paulo Caldas.
“Les Noces”, de Nijinska, sobre música homônima de Igor Stravinsky (1882-1971) é a mais importante criação da coreógrafa. Apesar do mote aparentemente trivial — um casamento tradicional de camponeses russos apresentado em quatro movimentos — o trabalho se constitui num marco de inovação artística, por sua peculiar geometria de movimentos e sua austeridade cênica. O balé original já foi executado por companhias como Oakland Ballet Company, Les Grands Ballets Canadiens, Joffrey Ballet e Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre muitas outras.
Já “Serenade” (1935) — que promete ser um dos maiores marcos da noite se bem executado — de Balanchine, sobre a música “Serenade for Strings in C, Op. 48” (1880), de Tchaikovsky (1840-93), foi criada pelo coreógrafo para o School of American Ballet e aborda a distinção entre o bailado em sala de aula e a dança sobre o palco. “Parecia-me que o melhor meio de fazer os alunos compreenderem a técnica de palco era lhes dar algo novo para dançar, algo que nunca tivessem visto antes”, explicou o artista em um de seus escritos. Com a série de exercícios e adaptações que esse trajeto formativo propunha, movimentos de riqueza inesgotável iam se organizando sobre a música de Tchaikovsky.
Serenade é, 74 anos depois de sua criação, uma obra ainda rica em proposições artísticas, um clássico consagrado no repertório internacional. Como Nijinska, o russo Balanchine, freqüentemente citado como o grande criador do balé moderno, explorou as questões formais impostas pela modernidade a partir do rigor clássico. Depois de se exilar no ocidente, em 1924, e juntar-se à companhia de Sergei Diaghilev (1872-1929), entrou em contato com artistas como Stravinsky, Prokofiev, Satie, Ravel, Cocteau, Chagall e Picasso. Com a saída de Nijinska, tornou-se, então com 21 anos, o principal coreógrafo do Ballet Russo de Diaghilev.
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NOVA CRIAÇÃO — A presença da criação inédita de Paulo Caldas — leia-se Staccato Dança Contemporânea — no segundo programa da São Paulo Cia. de Dança reitera a proposta artística da companhia, de congregar tradição e ruptura. “Entreato”, com música de Sacha Amback — composta especialmente — de alguma maneira prolonga elementos de uma procura recente: a continuidade dos fluxos de movimento associada habitualmente à coreografia de Caldas, agora, perturbada por falhas, angulosidades e reversões, enquanto as extremidades do corpo assumem novos usos. Cada um dos bailarinos que integraram o processo de montagem foi também um criador com a oportunidade de experimentar a diferença de sua mobilidade, a partir de uma matriz comum de movimento.
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PARA VER — São Paulo Companhia de Dança — 2º Programa com “Serenade”, “Les Noces” e “Entreatos”. Estréia hoje, às 21h, no Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, nº 722), em São Paulo. Ingressos custam entre R$ 30 e R$ 80. O espetáculo pode ser visto até domingo. Mais informações: (11) 3224-1380.
* A crítica deste espetáculo será publicada na semana que vem.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Moscow City Ballet no Brasil
Marcela BenvegnuFundado em 1988 por Victor Smirnov-Golovanov, coreógrafo e ex-primeiro bailarino do Ballet Bolshoi, com o objetivo principal de ser um dos baluartes do que considera uma das grandes heranças russas para a humanidade — a dança clássica — o Moscow City Ballet transformou-se, em apenas 18 anos, em uma das mais respeitadas companhias de dança do mundo. A trupe, que está no Brasil para uma turnê de clássicos de repertório, se apresenta em São Paulo, nos dias 3 e 4 de novembro, no Teatro Municipal de São Paulo, com “Cinderela”; e em Campinas, no dia 12 de novembro, no Centro de Convivência Cultural, com “O Quebra-Nozes”.
A companhia é fruto das reformas da Rússia pós-soviética e seu sucesso no exterior fez dela uma das que mais excursiona pelo mundo afora. Um detalhe importante, trata-se de uma empresa privada, que não recebe subsídios do governo. Smirnov-Golovanov considera o balé clássico como uma parte importante da herança nacional russa e quer levá-lo ao público mais amplo possível, especialmente à nova geração de jovens apaixonados pelo balé. Todas as produções do coreógrafo, assim como suas versões de antigos clássicos, compartilham de um estilo e idéias claramente definidos, mantendo sempre sua identidade coreográfica e estabelecendo altos padrões de apresentação.
A companhia conta com mais de 50 bailarinos. As primeiras bailarinas da companhia na turnê que vem ao Brasil são Gulmur Sarsenova, Maya Vishnyakova, Natalia Padalko e Valeria Guseva, e os bailarinos principais são Sergei Zolotarov e Talgat Kozhabaev.
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DIREÇÃO — Personalidade notável das artes na Ucrânia, Smirnov-Golovanov é natural de Moscou. Formou-se na famosa Escola Coreográfica e teve dentre seus professores nomes notáveis como Lavrovsky e Goleizovsky, assim como George Balanchine e Jerome Robbins. Posteriormente tornou-se solista do Balé Bolshoi, onde atuou por mais de 20 anos. Entre 1970 e 1989 foi mestre de balé principal do Teatro de Ópera e Balé de Odessa. Em 1988 formou o Teatro de Balé Clássico de Smirnov-Golovanov — o Balé da Cidade de Moscou —, com o objetivo de promover as idéias originais dos grandes coreógrafos do século 19.
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PARA VER — Moscow City Ballet. “Cinderela”. Dias 3 e 4 de novembro, no Teatro Municipal de São Paulo, às 21h. Os preços variam entre R$ 50 e R$ 150. “O Quebra-Nozes”, no Centro de Convivência Cultural, em Campinas, às 21h. Os valores do ingresso ainda serão definidos. Datas, locais, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações mediamania.com.br.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
A bem-humorada dança da Quasar
Não foi só feito de dança o Circuito Sesc de Artes, que esteve em Piracicaba na quarta-feira. Assim que as pessoas chegavam para a apresentação de “Versus”, da Quasar Cia. de Dança, de Goiânia, eram recebidas por poesias de Hilda Hilst (1930-2004) — interpretadas por Renata Flaiban e Fabiano Assis — da Cia. Rodamoinho, de São Paulo, e até eram convidadas para recortar, desenhar e colar (atividade que muitos não fazem há anos) no projeto Riscos. O espetáculo foi uma conseqüência para muitos que estavam lá participando de outras atividades. Bailarinos mesmo, que precisam assistir dança, “niente”.
Henrique Rodovalho — criador da Quasar ao lado de Vera Bicalho — tem uma linguagem reconhecível no cenário dramatúrgico da dança. Seu mote são as atividades do cotidiano e, sobretudo, a comicidade dos atos que são levados para cena. Em “Versus” trabalho de 1994, que projetou a companhia no cenário internacional, isso pôde ser visto com clareza. É na música de Arnando Antunes — que compôs para o Grupo Corpo em 2000 — e nas composições do americano David Byrne que os bailarinos da companhia desenvolvem suas esquetes coreógraficas. Esquetes, sim, porque elas são capazes de comunicar pequenas mensagens e sensações.
O elenco é afinado. Os bailarinos têm um entrosamento evidente e as sequências — quando coreografadas — apresentam movimentos muito bem executados. O primeiro dueto (de rapazes) chama mais atenção pela força e sincronia dos intérpretes do que pela feminilidade apresentada por estarem usando saias. Prazeroso de olhar. Na segunda cena, o que está em evidência é o sexo, a masturbação. A música de Antunes é clara e diz: “A mais experiente é a mão”. Porém, ali, o mais experiente é mesmo o corpo. Depois o público se separa com situações fisiológicas, crença, festividades e outras atividades cotidianas (básicas) que se revelam como uma dança.
E por falar em público, que decepção! Não em números, pois milagrosamente a platéia estava lotada, mas em educação. A iniciativa de um professor em levar classes de adolescentes para um circuito de arte gratuito é fantástica, afinal, muitos deles nunca devem ter assistido a um trabalho de dança contemporânea. Mas é preciso saber se portar. E isso eles não sabiam. Os jovens dialogavam com a música de Antunes como se ele fosse um colega, gritavam quando viam um figurino mais ousado e até mesmo riam alto de determinados movimentos. Eles não são obrigados a gostar do que vêem (arte não é gosto), muito menos de entenderem o que é proposto, mas devem respeitar a obra e estar ali como público. Caso contrário, melhor continuar sem saber e ficar em sala de aula.
Movimentos e críticas à parte, a luz de “Versus” foi muito bem desenhada. Em um determinado momento da coreografia um bailarino pega um refletor na mão e passa a iluminar os outros. Isso não é nenhuma novidade, pode até ser um clichê que todos estão cansados de ver quando se fala dessa ‘tal’ dança contemporânea, mas “Versus” é um trabalho de 1994, ou seja, foi criado há 14 anos, quando a faceta poderia ser sinônimo de inovação. Como os trabalhos devem permanecer no repertório de uma companhia, nada mais justo do que atestar sua autenticidade.
Impossível não falar sobre o mérito da sobrevivência de uma companhia de dança fora do cenário Rio-São Paulo-Belo Horizonte. A Quasar está em Goiânia. E por lá se fixou e conquistou espaço, no Brasil e exterior — no mês que vem eles se apresentam na Alemanha, no evento da consagradíssima Pina Bausch. O que está por vir ainda é que não se sabe até quando a fórmula da dança contemporânea bem humorada de Rodovalho vai durar. O que se sabe é que seus efeitos são reconhecíveis. Não há como negar.
Ballet de Lyon transita entre Forsythe e Kylián
No palco do Teatro Alfa — que completa dez anos de atividades em 2008 — entre os dias 23 e 26 de outubro estará uma das mais importantes companhias de todo o mundo, o Ballet de L’Opéra de Lyon. A companhia de dança francesa se apresenta com 30 bailarinos divididos em três coreografias de dois dos principais criadores do cenário mundial, William Forsythe e Jirí Kylián.
Com 30 anos de existência, a companhia apresenta um repertório de dança contemporânea rico na quantidade de coreografias e na variedade de estilos. Ao longo de sua história, abrigou marcantes coreógrafos residentes, entre os quais se destacam Maguy Marin (1992-1994) e Bill T. Jones (1994-1997). Suas releituras de grandes clássicos correram o mundo, como “A Gata Borralheira” e “Coppélia”, de Maguy, “Romeu e Julieta”, de Angelin Preljocaj, e “Quebra-Nozes”, de Dominique Boivin.
O repertório da companhia conta com coreógrafos europeus — Jean-Claude Gallotta, Dominique Bagouet e Tero Saarinen — e americanos — como Trisha Brown, Bill T. Jones, Lucinda Childs —, sem esquecer algumas das mais belas peças de Jirí Kylián, Mats Ek, William Forsythe, Nacho Duato e Ohad Naharin.
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Já Kylián, que de 1975 a 1999 foi diretor artístico do Nederlands Dans Theater, é dono de um estilo enérgico e rigoroso de dança, com fundamentos em bases técnicas relativamente clássicas, sempre revisitadas de forma contemporânea. A escultura fluída do movimento de seus trabalhos é o traço imediatamente reconhecido e dominante de todas as suas criações.
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PARA VER — Ballet de L’Opéra de Lyon. No Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, 722), em Santo Amaro, São Paulo. De 23 a 26 de outubro (quinta, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 18h). Os valor dos ingressos varia de R$ 50 a R$ 120. Mais informações (11) 5693-4000.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Broadway no Brasil
Marcela Benvegnu
Duas horas ao som de grandes canções, coreografias consagradas e musicais memoráveis. É isso e um pouco mais o que o público poderá conferir na montagem inglesa “The Spirit of Broadway”, que a Via Funchal recebe na semana que vem para comemorar seus dez anos de atividades. A escolha da montagem se justifica porque a história da casa de espetáculos com um grande musical da Broadway, o “Smokey Joe’s Café”, baseado em canções de Jerry Leiber e Mike Stoller.
“The Spirit of Broadway” — que tem apoio do
No palco, o público brasileiro poderá assistir trechos de musicais como “A Chorus Line”, consagrado na década de 70 e um dos primeiros a popularizar o jazz dance; “Grease”, que eternizou a parceria entre John Travolta e Olivia Newton-John; “Mamma Mia!”, que virou filme e atualmente está em cartaz nos cinemas, estrelado por Meryl Streep e Pierce Brosnan; “Hello, Dolly!”, estrelado por Gene Kelly na década de 60; “My Fair Lady”, que foi remontado no Brasil no ano passado por Jorge Takla; e “Mary Poppins”, que está em cartaz na broadway nova-iorquina com ingressos esgotados para este ano.
Cenas de “A Bela e a Fera”, “Aladdin”, “Cabaret”, “Les Misérables”, “Evita”, “42nd Street”, “The Blues Brothers”, “Chess”, “Chicago”, “Cats”, “O Fantasma da Ópera”, “Saturday Night Fever”, “Copacabana” e “Rocky Horror Show”, também poderão ser vistas.
O elenco é formado por mais de 20 talentosos cantores, atores e bailarinos, escolhidos por um rigoroso processo de seleção. A maioria deles é oriunda de West End, a broadway inglesa. No espetáculo músicas de autores como Andrew Lloyd Webber, Tim Rice, Alan Menken, Barry Manilow, John Kander, Fred Ebb, The Bee Gees, John Farrar, Marvin Hamlisch, Alan Jay Lerner, Frederick, Loewe, e Abba.
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PARA VER — “The Spirit of Broadway”. Dias 20, 22, 23 e 24 de outubro, às 21h30; e dia 25, às 17h e 21h30, na Via Funchal (rua Funchal, 65), na Vila Olímpia, em São Paulo. Os ingressos custam entre R$ 70 e R$ 220. Mais informações em viafunchal.com.br ou (11) 3188-4148.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Bendita Dança
'Beneditas’ estreou em 1998 e desde 2001 ganhou versão solo pela bailarina Diane Ichimaru:
encontro entre as imagens e o sincretismo religioso
Marcela Benvegnu
O corpo da bailarina Diane Ichimaru, da Confraria da Dança, de Campinas, serve de suporte para o encontro entre as imagens e o sincretismo religioso de “Beneditas”, coreografia de dança contemporânea que será apresentada hoje, às 20h, no Sesc Piracicaba. O trabalho, que completa dez anos no próximo dia 18 de outubro e nesta remontagem ganha versão solo — antes Diane dividia o palco com a também criadora-intérprete Grácia Navarro —, integra a programação especial da 9ª Bienal Naïfs do Brasil. A entrada é gratuita.
Numa visitação às imagens, capelas, terreiros e sacristias, a bailarina passeia pelo palco, encontrando várias configurações da santidade feminina, como Imaculada Conceição de Maria, Aparecida, padroeira do Brasil, Nossa Senhora do Rosário, Iemanjá, e outras. “A concepção de ‘Beneditas’ foi baseada nas várias configurações que temos de Nossa Senhora e da proximidade do devoto com o Divino. No Brasil essa relação é muito forte. A gente até coloca o santo de castigo, não é mesmo?”, brinca Diane, em entrevista ao Jornal de Piracicaba.
A bailarina conta que sempre teve vontade de apresentar um trabalho com essa temática. “Minhas primeiras relações com encenação surgiram dentro dos ritos religiosos. Desde pequena eu acompanhava as procissões e quermesses, isso há mais de 40 anos. Sou de Bragança Paulista, e no interior do Estado isso é muito forte”, revela Diane. “Essa simbologia, aliada às cores e às encenações me interessaram sempre. Agora aliei a isso outras formas de sincretismo”, pontua.
A primeira versão da obra estreou em 1998. A segunda versão é apresentada pela Confraria da Dança, desde 2001. “Como a Grácia (Navarro) estava super ocupada com as aulas que ministra na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) ela não poderia voltar ao elenco do espetáculo. Aí ela me sugeriu que outra pessoa aprendesse a sua parte, mas achei complicado porque a temática é muito forte, a questão da religiosidade já estava incorporada. Assim sugeri a ela que adaptássemos para um solo. Ela me deu carta branca e fui para a sala de ensaios remontar ‘Beneditas’. Transformei algumas coisas e o trabalho ficou mais sintético”, fala Diane.
Segundo a bailarina, o trabalho corporal desenvolvido na cena é intenso. “A montagem tem duração de 40 minutos. Costumo dizer que os objetos em cena dançam por meio das minhas mãos e do meu corpo. Minha relação com as flores, imagens, tecidos e com a rotunda é grande”, afirma a intérprete.
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