quarta-feira, 23 de abril de 2008

O erotismo do corpo

Crédito: Silvia Machado

Marcela Benvegnu

O papel do erotismo nas relações humanas, suas implicações e a complexidade que este assunto revela são algumas das temáticas de “Corpo Erótico”, de Carmem Gomide — contemplado com o 3º edital de fomento à dança para o Município de São Paulo — atração do Teatro João Caetano neste final de semana. O trabalho será apresentado hoje e amanhã, às 21h, e no domingo, às 19h, e foi inspirado nas obras do artista plástico britânico Lucian Freud. A entrada é gratuita.

Considerado o grande retratista pós-moderno, herdeiro da tradição iconoclasta do Renascimento, Freud tem um modo de olhar particular. Sua pintura reflete a figura humana e sua essência: o corpo nu, despojado, solitário, do nascimento à morte. Seu extremo realismo agrada e repele, intriga e incomoda no corpo de Carmen. A ele se somaram as reflexões do escritor e filósofo francês Georges Bataille, no qual a pesquisa encontrou a conexão entre tempo e erotismo.

Na ótica de Bataille, a Revolução Industrial obrigou o ser humano a imprimir a si um ritmo semelhante ao de uma máquina, abdicando do tempo para celebrar a vida. Segundo ele, o tempo erótico não tem pressa, precisa de um espaço dilatado, situado em outra dimensão. Para Carmen, no mundo moderno, parece não haver mais espaço para o erotismo, que aparenta pertencer a um outro estado de tempo. O erotismo foi substituído por uma pornografia que lida com imagens explícitas e que imprime rapidez na sexualidade e nos relacionamentos entre as pessoas.

O tempo erótico, ao contrário, não tem pressa, está entregue a uma busca que é da celebração do prazer puro e simples. Com direção de Mariana Muniz, “Corpo Erótico” tem música original composta por Lívio Tratenberg. As intervenções em vídeo são assinadas por Willand Pinsdorf e após o espetáculo de domingo haverá um bate-papo com Eliane Robert Moraes, pesquisadora das relações entre literatura e erotismo e professora de estética e literatura na Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo.

INTÉRPRETE — Bailarina, coreógrafa e pesquisadora em dança contemporânea, Carmem atuou profissionalmente como bailarina no Balé da Cidade de São Paulo de 1988 a 1990, e no Balé Opera Paulista de 1991 a 1993. Trabalha como produtora, coreógrafa e pesquisadora desde 1992, sendo autora das obras: “Terra Estranha”, “La Danaide”, “Corpo Jubiloso: Carne Selvagem”, “Adiamento”, e outras. Em 2006, fundou a Cooperativa Paulista de Dança (http://www.coopdanca.com.br/), juntamente com 20 profissionais da área.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Dança por todos os lados

Marcela Benvegnu


Na próxima semana São Paulo recebe diversos espetáculos. Além dos consagrados musicais em cartaz, como “Aída” e “West Side Story”, e o veterano “Holiday On Ice” — que volta ao Brasil — é possível assistir ao “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos”, que será apresentado de 10 a 13 de abril, no Teatro da Dança (TD), em São Paulo. Aqueles que não podem ir à capital e desejam ver dança de qualidade, vale a pena assistir ao “da Corda pro Pé”, nos dias 8 e 9, no Centro de Convivência Cultural de Campinas.


Livremente inspirado no livro “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino, o novo trabalho da companhia paulistana Artesãos do Corpo — “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos” —, dirigida por Mirtes Calheiros, faz uma reflexão lúdica e surrealista sobre a memória e o imaginário das cidades, sobre as relações históricas, simbólicas e afetivas entre o homem e o seu habitat urbano.


O espetáculo busca as memórias e registros que cada intérprete tem das cidades visitadas, bairro de origem, tendo como foco a criação de imagens, gestos e movimentos que levam o público a criar seu próprio roteiro de viagem. Com estes pensamentos, os criadores focam o paradoxo da liberdade. O aventureiro/intérprete desembarca a cada instante em um novo local, mas seu corpo não consegue eliminar as marcas de cada cidade visitada. O projeto foi realizado com o apoio do Programa de Ação Cultural (PAC).





SAPATEADO — “da Corda pro Pé”, que será apresentado nas próximas terça e quarta-feira, às 21h, no Centro de Convivência Cultural de Campinas é um espetáculo de dança com música ao vivo, no qual a intérprete — Christiane Matallo — usa os instrumentos como extensão do próprio corpo. Em uma concepção contemporânea, Christiane sapateia pelo sentido do movimento, sendo a performance a própria forma de pensamento do corpo.
As variadas qualidades de execução em dança e sonoridades presentes são as formas de qualidade de pensamento de seu corpo.Em cena a bailarina dança, canta, toca saxofone tenor e piano, e em diversos momentos toca e sapateia ao mesmo tempo. O espetáculo conta com participação especial do contrabaixista Gilberto de Syllos e esteve em turnê por três anos consecutivos em cidades nos Estados Unidos. A apresentação será realizada sob patrocínio da Prefeitura Municipal de Campinas via Fundo de Investimentos a Cultura de Campinas (FICC) 2007/2008.


SERVIÇO — “da Corda pro Pé”. Dias 8 e 9 de abril, às 21h, no teatro interno do Centro de Convivência Cultural de Campinas. Ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudante, meia-entrada, aposentados). Mais informações (19) 3255-8323. “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos”. De 10 a 12 de abril, às 20h e dia 13 de abril, às 18h, no TD (avenida Ipiranga, 344), no subsolo do Edifício Itália. Ingressos custam R$ 4 e R$ 2. Mais informações (11) 2189-2555.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Aplausos para a Vida

Marcela Benvegnu

O público que lotou o Teatro da Dança (TD), em São Paulo, na última segunda-feira recebeu de presente uma noite de gala. No palco, alguns dos melhores intérpretes da dança brasileira, e na primeira fila da platéia, a grande responsável por tão significativos trabalhos: a coreógrafa Ivonice Satie, que marcou a história da dança brasileira por dirigir grandes companhias, criar coreografias de excelência e, sobretudo, revelar grandes talentos. “Para Ivonice Satie” foi um espetáculo marcante, daqueles que só se faz parte de vez em quando.

A classe artística compareceu em peso na “festa” — não é sempre que se vê o TD lotado. Curadores de festivais, diretores das maiores companhias dos país, grandes bailarinos, críticos e artistas se uniram para aplaudir Ivonice. Entre os trabalhos apresentados estava “Shogum”, uma das mais importantes criações da coreógrafa, que foi interpretado por Flávio Everton da Conceição e Jefferson Damasceno, da Cia. de Dança de São José dos Campos — Fundação Cassiano Ricardo.“Cuida de Mim”, trecho do espetáculo “Grito Verde”, que Ivonice coreografou para a Cia. de Dança do Amazonas — a qual dirigiu por quatro anos — foi uma bela surpresa para aqueles que ainda não conheciam a coreografia. Ao som de “Seresta”, de José Eduardo Gamani, os intérpretes Fernanda Bueno e Elizandro Carneiro, ex-bailarinos da companhia amazonense e atualmente da Cia. Borelli, mostraram a força poética do trabalho e consequentemente a linguagem de Ivonice, que tem um estilo coreográfico reconhecível.

Além destes, “Quixotes do Amanhã”, com a Cia. de Danças de Diadema — fundada por Ivonice —; “O Cisne”, com Beto Regina; “Valsa Sem Nome”, interpretada por Andrea Tomioka e Israel Alves; “Por...Que”, executada por bailarinos da Cisne Negro Cia. de Dança; “Frágil”, com o Balé da Cidade de São Paulo, e “Saga”, com a Companhia Sociedade Masculina. Ah! “Parole, Parole” (???), de Anselmo Zolla e Ivonice também foi apresentada.

VIDA — Entre todos os trabalhos da noite, impossível não ter sido tocado por um em especial: “Ave Maria”, com coreografia, figurino e interpretação do premiado coreógrafo argentino Luis Arrieta. Ao som do segundo movimento da “Sinfonia nº3, op.36” de Henryk Górecki, Arrieta — radicado no Brasil desde 1974 — vestido de calça preta, blusa semi-transparente e um adereço de cabeça negro com algumas plumas, dançou as fragilidades, as fraquezas. Na verdade, Arrieta dançou a vida.
Ovacionada de pé por mais de cinco minutos, Ivonice, emocionada, agradeceu a noite; suas mãos que carregavam flores a impediam de bater palmas, mas o coração serviu de apoio para a mão livre. “Nunca pensei que fosse dedicar quase 50 anos da minha vida à dança. E sabem? Eu faria tudo de novo. Obrigada”, disse. Em coro, a platéia respondeu: “Obrigada você”.

Crédito: Marina Malheiros

Aplausos para Satie

Marcela Benvegnu

O Teatro da Dança (TD), no Edifício Itália em São Paulo recebe na segunda-feira, às 20h, grandes artistas e companhias de dança para uma homenagem especial. “Para Ivonice Satie” homenageia a coreógrafa homônima, que inaugurou companhias — ela foi a maior responsável pela criação da Cia. 2 do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP)— , modificou grupos, propôs mudanças, mirou o futuro ancorada na bagagem que trazia de seus mestres, professores e colegas.Os trabalhos escolhidos para serem apresentados no pequeno palco do TD, são grandes por revelarem a força da coreógrafa que ao longo de sua trajetória deixou marcas que ainda perpetuam em companhias em forma de coreografias.
Na noite de festa, “O Cisne”, de Ivonice será interpretado por Beto Regina; “Vôo Branco”, de Anselmo Zolla — com que ela ainda trabalha na direção da Companhia Sociedade Masculina — será executado pelo Studio3 Cia. de Dança. A interpretação de “Shogum”, que pode ser considerada a maior obra-prima de Ivonice fica à cargo da Cia. de São José dos Campos/Fundação Cassiano Ricardo; “Quixotes do Amanhã”, de Fernando Machado, será apresentado pela Cia. de Danças de Diadema, que hoje tem direção de Ana Botosso, mas foi criada por Ivonice. “Cuida de Mim”, duo de “Grito Verde”, será interpretado pela Cia de Dança do Amazonas, que Ivonice dirigiu por três anos. “Frágil” — criado em 1997 para a Galili Dance e incorporado ao repertório do Balé da Cidade de São Paulo em 2005, de Itzik Galili, também faz parte do repertório da noite.
“Ave Maria”, com criação e interpretação de Luis Arrieta deve emocionar, assim como “Valsa Sem Nome”, de Ivonice, que será interpretada por Andrea Thomioka e Israel Alves; “Por... que”, de Ismael Guiser, com a Cisne Negro Cia. de Dança e “Saga”, de Ivonice com a Cia. Sociedade Masculina. A surpresa deve ficar com a estréia de “Parole ... Parole”, coreografia de Zolla e Ivonice para a Studio3 Cia. de Dança. A noite também conta com a exibição do vídeo “Ivonice Satie — Trajetória de Uma Bailarina”.

COREÓGRAFA — Ivonice estudou na Escola Municipal de Bailados de São Paulo, onde atuou por 14 anos no então Corpo de Baile do Theatro Municipal de São Paulo — atual BCSP. Durante oito anos foi bailarina e solista do Ballet du Grand Théatre de Genève, de onde voltou para dirigir o BCSP. Também foi assistente da Cisne Negro Companhia de Dança. Suas obras já foram dançadas por grupos e companhias relevantes como a Jeune Ballet de France, Teatro da Cidade de Wiesbaden, Croatia National Ballet, Genève Junior Ballet, San Francisco Ballet, Maximum Dance Company (Miami), Cia Dançando com a Diferença (Ilha da Madeira), Miami City Ballet, Fernando Bujones (São Paulo), e outras.

PARA VER — “Para Ivonice Satie”. Segunda-feira, às 20h, no TD (avenida Ipiranga, 344), no subsolo do Edifício Itália, em São Paulo. Mais informações (11) 2189-2555.

Crédito: Ronaldo Aguiar

sexta-feira, 21 de março de 2008

West Side na parada...


Marcela Benvegnu


São Paulo é a Nova York brasileira quando se fala em musicais, ainda mais quando se trata de “West Side Story”, o espetáculo que revolucionou a Broadway quando foi montado pela primeira vez em 1957. Com direção, produção, iluminação e cenografia de Jorge Takla, a montagem que estreou ontem, no Teatro Alfa em São Paulo, conta com a participação de três piracicabanos: Mariana Barros, 28, como bailarina; Felipe Secamilli, 25, como violinista da orquestra, e Francarlos Reis, como um dos protagonistas.

Ambientado em Manhattan nos anos 60, “West Side Story” conta uma história de amor. Trata-se de uma adaptação moderna de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, que nasce em meio à rivalidade de duas gangues de rua — os Jets (nascidos americanos) e os Sharks (imigrantes porto-riquenhos) —, que lutam pelo domínio do bairro. Em meio a tanta incompreensão, Tony, um dos fundadores dos Jets, se apaixona por Maria, a irmã de Bernardo, comandante dos Sharks.

O espetáculo retrata os conflitos de uma juventude que crescia embalada ao som do mambo, do rock e inspirada na rebeldia de James Dean.“O musical está simplesmente maravilhoso”, conta Mariana, que em Piracicaba sempre fez aulas na Escola Espaço e Dança, e em São Paulo estava cursando faculdade de cinema. “Eu estava fazendo aulas de musical e resolvi prestar a audição. Foram mais de três meses entre os testes e a audição final. Fiquei muito feliz com o resultado”, diz.

Este é o primeiro musical de Mariana. “Estamos ensaiando desde o dia 2 de janeiro, cerca de nove horas por dia, com uma folga por semana. Fazemos aulas de balé e canto todos os dias antes dos ensaios corridos”, conta a bailarina, que em cena interpreta Pouline, namorada de um Jet. A coreografia original do espetáculo, de Jerome Robbins (1918-1998), é considerada até os dias de hoje a melhor já concebida para um musical. Na versão brasileira, a adaptação coreográfica é assinada por Tânia Nardini e os figurinos são de Fábio Namatame.

NAS CORDAS - Secamilli é um dos 23 instrumentistas da orquestra do musical. Veterano em espetáculos — já fez “My Fair Lady” — ele ressalta o brilhantismo da composição de Leonard Bernstein (1918-1990). “A música é encantadora, empolgante e bem construída. A cada dia descobrimos algo novo na partitura. Às vezes, Bernstein coloca uma parte com uma certa disposição em um lugar e, de repente, ela aparece em outro, de forma diferente para significar outra coisa. Ele realmente foi um gênio”, diz. “Sem contar as coisas que estão nas entrelinhas, como os ritmos. Por exemplo, quando os personagens principais estão jurando amor um para o outro, a música de fundo mistura o ritmo americano com o porto riquenho”, conta.

A versão musical do espetáculo, traduzida e assinada por Cláudio Botelho, também preza a linha melódica das composições. Botelho traduziu as letras sem perder a tônica das canções americanas. Seu maior desafio foi versão de “Tonight”. A canção exigia uma palavra de duas sílabas para substituir “tonight”, ele encontrou em “você” a chave para manter o ritmo certo e segurar a linha melódica da peça. “O musical é surpreendente e fazer parte dele é um grande privilégio. Estou muito feliz”, revela o violinista.

EXPERIÊNCIA - O piracicabano Francarlos Reis, que foi aclamado pela crítica por seu personagem Alfred Doolittle em “My Fair Lady” — seu último trabalho no teatro — vive Doc, em “West Side Story”. “O bom do ator é que você faz vários personagens diferentes. O personagem que eu faço em ‘West Side Story’ é o oposto do Doolittle. É um homem já vivido, calmo, que não entende a violência e que luta contra ela. Quem vai esperar a comicidade no meu personagem não vai encontrar, vai encontrar a dramaticidade. O que é bom para o ator. Estou muito contente em fazer esta participação especial”, disse o ator no vídeo do musical postado no You Tube (youtube.com/watch?v=5poMz-NIy3c).

Reis tem 39 anos de carreira, atuou em 64 peças de teatro, como “Operação Abafa” (2006), de Jandira Martini e Marcos Caruso, com direção de Elias Andreato; “Abajur Lilás” (2002), de Plínio Marcos, com direção de Sérgio Ferrara; “Procura-se um Tenor” (1995), de Ken Ludwig, com direção de Bibi Ferreira; entre outras. Seu último trabalho foi na série de TV Carandiru, na Globo, e no cinema atuou em “Onde Andará Dulce Veiga?”, dirigido por Guilherme de Almeida Prado. Sob direção de Takla, já atuou em “Medéia” (1997), de Eurípides; “Pequenos Burgueses” (1990) e “O Jardim das Cerejeiras” (1982).

SERVIÇO — “West Side Story”. No Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, 722), em São Paulo. De quinta e sexta, às 21h; sábado 17h e 21h, e domingo, 18h. Os ingressos variam entre R$ 40 e R$ 150. O espetáculo fica em cartaz até 27 de julho. Datas, local, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações: (11) 5693-4000 e 0300 789-3377.

Carne Santa é atração do TD


Marcela Benvegnu


Sob concepção, criação coreográfica e direção de Sandro Borelli, a Companhia Borelli apresenta de hoje a domingo, no Teatro de Dança, em São Paulo, o resultado de uma pesquisa de criação coreográfica respaldada pelo discurso poético de Renato Russo e pelo contexto social, político e estético da década de 1980. Intitulada de "Carne Santa", a composição coreográfica se insere no estilo de dramaturgia corporal já consolidado pelo grupo, no qual a fisicalidade se torna evidente.

Contemplado com o Programa de Ação Cultural 2006/PAC, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, "Carne Santa" busca um sentido, um conjunto de idéias, pensamentos, e visões de mundo do indivíduo que se orienta para suas ações íntimas, sociais e principalmente políticas, ora negando Deus, ora adorando-o. Um ser hermafrodita que carrega dentro de si, seu próprio útero e esperma. Um homem que gera a si mesmo, reinventa-se e quase sempre não se reconhece. É a tragédia de ser híbrido e perecível.

O elenco de "Carne Santa" é composto por Daniella Rocco, Edson Calheiros, Elisângela Ferreira, Elizandro Carneiro, Natália Fernandes, Robson Ferraz, Vanessa Macedo.

COREÓGRAFO — Borelli é coreógrafo, diretor artístico e intérprete da Cia. Borelli de Dança. Ex-bailarino do Ballet do Teatro Guaíra (BTG) de Curitiba, e do Balé da Cidade de São Paulo — que em 2008 completa 40 anos de atividade — , Borelli tornou-se coreógrafo independente no início dos anos 90. Essa nova fase foi inaugurada pelo bem sucedido "Lac", que fazia uma alusão ao balé de repertório "O Lago dos Cisnes".
Hoje, o coreógrafo, acumula em seu repertório diversos trabalhos coreográficos. Vencedor do 2º Prêmio Bravo! Prime de Cultura em 2006, Borelli desenvolve propostas coreográficas que exacerbam situações corporais e resultam num espetáculo impactante. De um modo peculiar opera os procedimentos lógicos da sua investigação: construção e desconstrução, caos e ordenamento, fluidez e rigidez; opostos que buscam um estado corporal potencializado.

PARA VER — "Carne Santa". Hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 18h, no Teatro de Dança (avenida Ipiranga, 344), no subsolo do Edifício Itália, em São Paulo. Ingressos custam R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada). O estacionamento custa R$ 15 (com manobrista). Datas, local e horários foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 2189-2557.

Mundo de cheiros


Marcela Benvegnu

Mundo Perfumado” é um espetáculo da contemporaneidade. Em cena não existem regras, linearidade. Os movimentos únicos e inquietos dos corpos despertam sensações variadas e profundas; reflexões, críticas, interpretações: dança. Criado para comemorar os 25 anos do Grupo de Dança 1º Ato, de Belo Horizonte, a coreografia que tem direção de Suely Machado e concepção de Alex Dias, será apresentada no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro a partir de hoje, às 20h. A montagem também pode ser vista amanhã, domingo, e nos dias 14, 15 e 16 de março.

Na montagem, o corpo do bailarino é, ao mesmo tempo, meio e mensagem. Coreografia e música se completam, ora inquietantes, ora suaves. Um universo pulsante criado pela vontade de dizer, de dançar, de encontrar respostas para as dúvidas de hoje e sempre. Em “Mundo Perfumado”, a característica do 1º Ato, de se aprofundar na dramaturgia do gesto, mostra-se cada vez mais presente.O trabalho recebeu o 10º Prêmio Sesc Sated, na categoria melhor espetáculo, melhor bailarino, bailarina, trilha sonora (André Abujamra), iluminador (Jorginho de Carvalho) e equipe técnica, além do 2º Prêmio Usiminas/Sinparc, nas categorias melhor bailarino, bailarina revelação e melhor espetáculo no Festival de Almagro.

Segundo a crítica de dança Cássia Navas “em ‘Mundo Perfumado’, a dança é atitude extremada do ser-estar, reinventando-se vida em cena, aguçando-se sentidos, desvelando-se impalpáveis rastros do humano pinçados em vasto mundo. Pela circulação entre e dos sentidos entrevemos os belos, os grotescos, os cômicos, os encantadores e os trágicos de cada intérprete, no palco, representantes de alguns de nossos perfumes essenciais. Rastros deste perfume permanecem no ar, empurrados para a platéia pelo vento furioso da música ou por brisa sutil. Depois de tanta dança e música ventando os odores do todo acontecido, fica conosco um mundo perfumado. Aspire, aproveite, divirta-se”.

DIREÇÃO — Suely é bailarina e coreógrafa formada em dança moderna. É diretora e fundadora do 1º Ato Centro de Dança e do Grupo de Dança Primeiro Ato, desde 1982, tendo produzido, co-dirigido e dirigido suas principais montagens. Ao longo desses anos, o Grupo atingiu lugar de destaque no cenário da dança contemporânea do Brasil e exterior, colecionando críticas e premiações significativas. A diretora também é a presidente da Unidança (Associação Mineira de Dança Artística Acadêmica), membro da Rede Cultural Mercosul e parceira do Projeto Social Reinventando a Escola, da comunidade da Barragem de Santa Lúcia em Belo Horizonte.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "