sexta-feira, 30 de maio de 2008

Aberta a temporada de dança

A Cie. DCA no espetáculo ‘Sombrero’


Marcela Benvegnu

A temporada de dança 2008 do Teatro Alfa promete agradar. As apresentações começam em 31 de julho, quando a Cie. DCA (Decouflé & Complices Associés ou Danse Compagnie d’Art), sobe ao palco do teatro. Na sequência se apresenta o Grupo Corpo, de 13 e 24 de agosto; Cia. de Dança Débora Colker, de 12 a 21 de setembro; Ballet de L’Opera de Lyon, 23 a 26 de outubro; a estréia da São Paulo Cia. de Dança, de 6 a 9 de novembro; e La Maison, de 21 a 23 de novembro.

Com “Sombrero”, o coreógrafo e realizador Decouflé apresenta-se também como um excelente criador de desenhos animados: durante o espetáculo surge uma seqüência de divertidos e oníricos quadros, unindo dança, teatro e vídeo. Seu estilo de dança, que marcou a década de 90, é uma requintada convergência de influências do circo, das técnicas da mímica, e do movimento.

Em “Breu”, contaminado pela contemporaneidade da música de Lenine, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo, reconstruiu seu vocabulário para, sem pudor, abandonar elementos tão característicos de seu trabalho. Em cena o coreógrafo se dedica a construir um corpo que dança com as texturas da urbanidade de nossos tempos. Cada corpo, no limite, é um manifesto.

Em “Cruel”, Deborah Colker propõe um enigma: uma série aberta de elementos narrativos que só se completa com o olhar do espectador. Corpos em movimento que exigem a decifração, um novo jogo entre o acaso e a necessidade. Histórias ordinárias, daquelas que se repetem invariavelmente na vida das pessoas, e que envolvem amores, amantes, família, laços que atam e desatam.

Criada este ano pelo Governo do Estado, a São Paulo Companhia de Dança estreará no Alfa com três peças representativas de momentos-chave da história da dança: um grande momento da dança clássica, um clássico do século 20 e uma criação contemporânea.

INTERNACIONAIS — Composta por 30 bailarinos, o Ballet de L’Opéra de Lyon formou um repertório de dança contemporânea rico na quantidade de coreografias e na variedade de estilos. O programa a ser apresentado pelo Ballet de L’Opéra de Lyon no Brasil, contará com “Second Detail”, de William Forsythe, “Symphonie de Psaumes” e “Bella Figura”, de Jirí Kylián.
Nasser Martin-Gousset chega à posição de ponta. Pela primeira vez desde a criação de sua companhia La Maison, em 1996, ele dirige dez intérpretes e três músicos ao vivo no palco e assina “Péplum”. A peça presta homenagem a Liz Taylor e Richard Burton no filme “Cleópatra”, de Joseph L. Mankiewicz.

O valor da temporada de dança 2008 do Alfa varia entre R$ 161 a R$ 510. As assinaturas podem ser feitas até o dia 25 de julho pelo (11) 5693.4000 ou www.teatroalfa.com.br.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Os slydes de Mr. Jimmy


Marcela Benvegnu
Às vésperas do dia 25 de maio — Dia Internacional do Sapateado e Dia do Sapateado no Brasil, bem como suas comemorações, com destaque para o Sapateia São Paulo — o gênero perde um dos seus maiores precursores. Nem todos, ao ouvirem falar de James Titus Godbolt, americano, nascido em 27 de outubro de 1927, em Atlanta, na Georgia, sabem que ele é Jimmy Slyde, astro que ficou conhecido por seus slydes — que significam deslizadas. Slyde morreu no último dia 16, aos 80 anos, em sua casa, em Hanson.

Segundo matéria publicada no jornal "The New York Times", (Jimmy Slyde, Dancer and a Giant of Rhythm Tap, Dies at 80), no último sábado, Mr. Slyde — como era chamado — estava com a saúde debilitada há meses. Sem dúvida, ele era um dos maiores sapateadores do mundo. Além de ser um dos responsáveis por levar o swing e o bebop para a Broadway e para o cinema, foi o "gigante" do rhythm tap — tendência oriunda dos negros americanos que trabalhavam com certo refinamento rítmico — com sua grande musicalidade, impecável timing e habilidade.

O primeiro encontro de Mr. Slyde com as artes veio da música. Quando criança, em Boston, sua mãe queria que ele aprendesse violino e, pelo que se sabe, era um bom instrumentista. O sapateado entrou em sua vida ainda criança. Ele começou a fazer aulas em Massachusetts, no estúdio de Stanley Brown, em paralelo às aulas de violino no New England Conservatory. Quando jovem já se apresentava com big bands pelo mundo. Trabalhou com Count Basie, Duke Ellington, Louis Armstrong e outros grandes instrumentistas do jazz.

Sua dança também atingiu a Europa. Em meados de 1970, Mr. Slyde foi para Paris, onde com a ajuda de Sarah Petronio — sapateadores — introduziu o rhythm tap. Na França, ele também atuou no famoso "Black and Blue," que estreou em 1985 por lá, e depois, em 1989, na Broadway. Mr. Slyde ainda pode ser visto em "Tap," com Gregory Hines e Sammy Davis Júnior, e em "The Cotton Club," "Round Midnight", entre outros filmes.

Mesmo depois de consagrado, seu prazer ainda estava em dar aulas e participar de jam sessions. Muitas delas feitas na La Cave, uma boate de Manhattan, em Nova York, que atraía estrelas do sapateado contemporâneo, como Savion Glover, Tamango, Max Pollak e Roxane Butterfly.
Mesmo longe dos grandes festivais de sapateado, seu nome sempre é lembrado. Uma de suas mais famosas frases era "Eu não sou um homem de executar rotinas. Se você dança, está traduzindo alguma coisa, especialmente se você está sapateando. Você mesmo está fazendo sons. Diferentes bailarinos têm diferentes sons. Alguns têm um som mais pesado, outros dançam com mais leveza. Eu sou extremamente orientado pelo som. O sapateado combina perfeitamente com a música, é a soma de tudo em um".
Crédito: Jack Vartoogian FrontRowPhotos

terça-feira, 20 de maio de 2008

Plástica das águas

Crédito: Francesco Sironi


Marcela Benvegnu



Esperada pelo público e pela crítica, a companhia italiana Materiali Resistenti Dance Factory finalmente chega ao Brasil com “Waterwall”. O espetáculo de estréia aconteceu anteontem, no Rio de Janeiro, e chega a São Paulo, no Credicard Hall, a partir de 21 de maio. Em cena o grupo surpreende com uma hipnótica jornada visual, na qual dançarinos dividem o palco, durante todo o tempo, com um dos elementos da natureza: a água. São mais de 16 mil litros que caem sobre os corpos durante mais de uma hora.


Criado por Ivan Manzoni, fundador e coreógrafo da companhia, o espetáculo é uma combinação harmoniosa de dança contemporânea com esportes radicais. A cena é dominada por uma imponente estrutura metálica. É através dela que a água começa a aparecer lentamente, no começo, até tornar-se uma impetuosa cascata — a parede de água (waterwall) do título —, na qual os bailarinos executam a maior parte de seus movimentos. A água jorra com força e desafia os sentidos e a resistência dos bailarinos.


O trabalho também tem outros trunfos, além da infinita variação de movimentos e do uso da água como elemento cenográfico; um deles é a música eletrônica, de forte pulsação rítmica e vozes sussurrantes, composta especialmente para o show por Domenico Mezzatesta. Outro é uma iluminação de vanguarda, assinada por John Finen, concebida com a ajuda de uma tecnologia de ponta, que transforma o palco e a parede de água em um caleidoscópio.


Em “Waterwall” a água não é cenário ou coadjuvante dos intérpretes. Ela está presente em todo o espetáculo é o seu próprio fio condutor. São mais de 16 mil litros que jorram das armações metálicas. É sobre ela que os bailarinos criam as mais surpreendentes coreografias, com o auxílio de cordas, pisos plásticos e buracos no chão. Com destreza e graciosidade, eles brilham na moldura da estrutura metálica, cortando a parede de água ora com os corpos, ora com objetos que convidam à coreografia, como pás, remos, pranchas ou mesmo partes de bicicletas.


COMPANHIA — A Materiali Resistenti Dance Factory foi criada por Manzoni na cidade italiana de Torino. Seu primeiro espetáculo foi levado ao público em 1996 e logo aclamado pela crítica. “Materiali Resistenti”, que também daria o nome à companhia, apresentava para o público as regras do grupo: mostrar no palco a interação entre o homem e a máquina. Nesta primeira montagem, as cenas se situavam em hangares abandonados, fábricas, estações ferroviárias, criando um clima surrealista. Mas foi em 1999 que a companhia deu seu grande passo. Naquele ano chegava aos palcos “Waterwall”. Em 2006 foi a vez de “Lavori Aeri”, desta vez com os bailarinos nas alturas.


PARA VER — "Waterwall”. De 21 a 25, 28 e 30 de maio, no Credicard Hall (avenida Nações Unidas, 17.955), em São Paulo. Não é permitida a entrada de menores de 14 anos. Mais informações sobre valores de ingressos e horários: (11) 6846-6010.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O “WabiSabi” de Yamauchi


Marcela Benvegnu

O Teatro de Dança — programa da Secretaria de Estado da Cultura, gerenciado pela APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte), dá continuidade ao projeto Artista da Casa em que é escolhido, por curadoria e semestralmente, um artista para produzir uma obra inédita, com estréia em temporada especial. A primeira edição trouxe ao palco do TD o espetáculo “Cara-Pálida”, de Umberto da Silva, em fevereiro desse ano. Agora, na segunda edição do projeto, o espaço recebe de hoje a domingo a bailarina e coreógrafa Susana Yamauchi e seu mais novo espetáculo: “WabiSabi”.

“WabiSabi” é um conceito difundido por monges zen-budistas e mestres da cerimônia do chá, no século 12, usado para exprimir a estética essencial e oculta da arte japonesa. As palavras wabi e sabi reúnem a beleza da simplicidade e da harmonia (wabi) com a da imperfeição e da impermanência (sabi). Susana começou a criação deste solo há 12 anos. Sua última apresentação, sozinha no palco, foi em 1996 com “A Face Oculta” e antes disso, em 1992, em “À Flor da Pele”.

Por meio de seqüências coreográficas de extremo rigor ritualístico, com alternância de movimentos contidos e esgarçados, a coreógrafa persegue e captura a presença poética escondida em cada ação e a transforma num universo de profundidade e contemplação. As cenas referem-se a personagens do imaginário japonês e a seus estados de ocultamento.

No ano em que se comemora o centenário da imigração japonesa no Brasil, Susana traz à tona mais uma vez suas raízes para criar uma visão caleidoscópica e singular que vai da cultura popular ao refinamento das artes superiores nipônicas como a Cerimônia do Chá, o Ikebana, a música imperial Gagaku e o teatro Noh. Além de coreógrafa e bailarina, a artista idealiza e confecciona as vestes e os objetos-instalações dos quais se apropria e dispõem no palco para desvendar e nos revelar o encantamento de sua origem.

Para ela a criação não envolve somente uma reflexão temática, mas também o empenho do artesão, que dá forma ao seu produto final. A concepção do cenário do espetáculo ficou a cargo da ceramista Kimi Nii, conhecedora profunda do conceito “WabiSabi”; o músico e compositor Camilo Carrara assina a trilha sonora original, com fortes referências à musicalidade japonesa; e Sérgio Funari é o responsável pelo desenho da luz, rico em ambiências sutis.

PARA VER — “WabiSabi”, hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 18h. No Teatro da Dança (avenida Ipiranga, 344), no Edifício Itália, em São Paulo. O ingresso custa R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada). Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 2189-2555 ou

Crédito: Alex Szabzon

Dança na Virada Cultural

Marcela Benvegnu

Música, dança e espetáculos de rua de vários estilos vão mobilizar o centro de São Paulo, na 4ª edição da Virada Cultural, que acontecerá amanhã e domingo. A maior vitrine dessa celebração será o palco principal montado no Anhangabaú, no Centro, no qual se apresentarão várias companhias estáveis brasileiras. Durante os intervalos, palcos menores montados no Vale do Anhangabaú exibirão duos e solos, em performances com 20 minutos de duração cada. A dança também estará presente em outros palcos, como no Teatro de Dança, Theatro Sérgio Cardoso e Galeria Olido. As apresentações começam amanhã, às 18h.

Nomes expressivos como o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo, Balé da Cidade de São Paulo, Cisne Negro e Ballet Stagium integram a programação do Palco de Dança.

Um dos destaques será o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que se apresenta com mais de 30 componentes, com a participação da bailarina Ana Botafogo. A companhia trará o segundo ato do balé “Giselle”, com coreografia de Peter Wright e música de Adolphe Adam. O Balé da Cidade de São Paulo é outra grande atração do evento e apresentará “Dicotomia”, coreografado por Luiz Fernando Bongiovanni, com bailarinos que evoluem em solos, duos, trios e cenas de conjunto marcadas por oposições. A partir de um roteiro de movimentos, Bongiovanni, que também é músico, desenvolveu uma trilha sonora predominantemente eletrônica, em conjunto com o músico Mano Bap.

Também no palco principal se apresentará a Companhia de Ballet da Cidade de Niterói, com o espetáculo “Choros e Valsas Um Tributo a Pixinguinha”. O Corpo de Baile Jovem da Escola Municipal de Bailado (São Paulo) apresenta a adaptação coreográfica dos professores Kátia Rocha, Luis Augusto Ribeiro e Roberto Fonseca sobre o clássico “Les Sylphides”, espetáculo originalmente coreografado por Michel Fokine, com música de Chopin.

O Cisne Negro Cia de Dança traz o espetáculo “Vem Dançar”, dirigido por Hulda Bittencourt, um musical dinâmico e divertido em que os bailarinos da companhia contam, cantando e dançando, a história da dança, tendo como mestre de cerimônias o Rei Sol, Luís 14. O Ballet Stagium apresenta “Mané Gostoso”, coreografado por Décio Otero. O balé, com 50 minutos de duração, é o resultado da união entre as raízes brasileiras, interpretadas pela dança da companhia paulistana. Com os acordes do Quinteto Violado, a obra faz uma leitura moderna da cultura popular no Nordeste e homenageia Luiz Gonzaga.

O Palco Principal do Anhangabaú recebeu o nome de Umberto da Silva, uma homenagem ao bailarino e coreógrafo que idealizou a programação para a Virada Cultural 2008 e faleceu no último dia 27 de março. Umberto foi assessor de dança na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, integrou várias companhias expressivas de dança, como o Ballet Stagium, o Balé da Cidade e o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e ministrou aulas na década de 80 no Studio 415 Ballet, em Piracicaba.

Foto: Caru Ribeiro

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O erotismo do corpo

Crédito: Silvia Machado

Marcela Benvegnu

O papel do erotismo nas relações humanas, suas implicações e a complexidade que este assunto revela são algumas das temáticas de “Corpo Erótico”, de Carmem Gomide — contemplado com o 3º edital de fomento à dança para o Município de São Paulo — atração do Teatro João Caetano neste final de semana. O trabalho será apresentado hoje e amanhã, às 21h, e no domingo, às 19h, e foi inspirado nas obras do artista plástico britânico Lucian Freud. A entrada é gratuita.

Considerado o grande retratista pós-moderno, herdeiro da tradição iconoclasta do Renascimento, Freud tem um modo de olhar particular. Sua pintura reflete a figura humana e sua essência: o corpo nu, despojado, solitário, do nascimento à morte. Seu extremo realismo agrada e repele, intriga e incomoda no corpo de Carmen. A ele se somaram as reflexões do escritor e filósofo francês Georges Bataille, no qual a pesquisa encontrou a conexão entre tempo e erotismo.

Na ótica de Bataille, a Revolução Industrial obrigou o ser humano a imprimir a si um ritmo semelhante ao de uma máquina, abdicando do tempo para celebrar a vida. Segundo ele, o tempo erótico não tem pressa, precisa de um espaço dilatado, situado em outra dimensão. Para Carmen, no mundo moderno, parece não haver mais espaço para o erotismo, que aparenta pertencer a um outro estado de tempo. O erotismo foi substituído por uma pornografia que lida com imagens explícitas e que imprime rapidez na sexualidade e nos relacionamentos entre as pessoas.

O tempo erótico, ao contrário, não tem pressa, está entregue a uma busca que é da celebração do prazer puro e simples. Com direção de Mariana Muniz, “Corpo Erótico” tem música original composta por Lívio Tratenberg. As intervenções em vídeo são assinadas por Willand Pinsdorf e após o espetáculo de domingo haverá um bate-papo com Eliane Robert Moraes, pesquisadora das relações entre literatura e erotismo e professora de estética e literatura na Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo.

INTÉRPRETE — Bailarina, coreógrafa e pesquisadora em dança contemporânea, Carmem atuou profissionalmente como bailarina no Balé da Cidade de São Paulo de 1988 a 1990, e no Balé Opera Paulista de 1991 a 1993. Trabalha como produtora, coreógrafa e pesquisadora desde 1992, sendo autora das obras: “Terra Estranha”, “La Danaide”, “Corpo Jubiloso: Carne Selvagem”, “Adiamento”, e outras. Em 2006, fundou a Cooperativa Paulista de Dança (http://www.coopdanca.com.br/), juntamente com 20 profissionais da área.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Dança por todos os lados

Marcela Benvegnu


Na próxima semana São Paulo recebe diversos espetáculos. Além dos consagrados musicais em cartaz, como “Aída” e “West Side Story”, e o veterano “Holiday On Ice” — que volta ao Brasil — é possível assistir ao “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos”, que será apresentado de 10 a 13 de abril, no Teatro da Dança (TD), em São Paulo. Aqueles que não podem ir à capital e desejam ver dança de qualidade, vale a pena assistir ao “da Corda pro Pé”, nos dias 8 e 9, no Centro de Convivência Cultural de Campinas.


Livremente inspirado no livro “As Cidades Invisíveis”, de Ítalo Calvino, o novo trabalho da companhia paulistana Artesãos do Corpo — “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos” —, dirigida por Mirtes Calheiros, faz uma reflexão lúdica e surrealista sobre a memória e o imaginário das cidades, sobre as relações históricas, simbólicas e afetivas entre o homem e o seu habitat urbano.


O espetáculo busca as memórias e registros que cada intérprete tem das cidades visitadas, bairro de origem, tendo como foco a criação de imagens, gestos e movimentos que levam o público a criar seu próprio roteiro de viagem. Com estes pensamentos, os criadores focam o paradoxo da liberdade. O aventureiro/intérprete desembarca a cada instante em um novo local, mas seu corpo não consegue eliminar as marcas de cada cidade visitada. O projeto foi realizado com o apoio do Programa de Ação Cultural (PAC).





SAPATEADO — “da Corda pro Pé”, que será apresentado nas próximas terça e quarta-feira, às 21h, no Centro de Convivência Cultural de Campinas é um espetáculo de dança com música ao vivo, no qual a intérprete — Christiane Matallo — usa os instrumentos como extensão do próprio corpo. Em uma concepção contemporânea, Christiane sapateia pelo sentido do movimento, sendo a performance a própria forma de pensamento do corpo.
As variadas qualidades de execução em dança e sonoridades presentes são as formas de qualidade de pensamento de seu corpo.Em cena a bailarina dança, canta, toca saxofone tenor e piano, e em diversos momentos toca e sapateia ao mesmo tempo. O espetáculo conta com participação especial do contrabaixista Gilberto de Syllos e esteve em turnê por três anos consecutivos em cidades nos Estados Unidos. A apresentação será realizada sob patrocínio da Prefeitura Municipal de Campinas via Fundo de Investimentos a Cultura de Campinas (FICC) 2007/2008.


SERVIÇO — “da Corda pro Pé”. Dias 8 e 9 de abril, às 21h, no teatro interno do Centro de Convivência Cultural de Campinas. Ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (estudante, meia-entrada, aposentados). Mais informações (19) 3255-8323. “Duas Mulheres Com Sombrinhas Brancas No Lugar da Fábrica de Explosivos”. De 10 a 12 de abril, às 20h e dia 13 de abril, às 18h, no TD (avenida Ipiranga, 344), no subsolo do Edifício Itália. Ingressos custam R$ 4 e R$ 2. Mais informações (11) 2189-2555.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "