sexta-feira, 18 de junho de 2010

Festidança | Crítica 3 | Variações Sobre Um Mesmo Tema

Marcela Benvegnu

Ontem na terceira noite da mostra competitiva do 21º Festidança foi a vez dos trabalhos de balé clássico de criação conjunto (júnior, sênior e avançado) e de dança de rua conjunto sênior subirem ao palco. A noite começa bem com o júnior da Escola de Dança Alice Arja | Rio de Janeiro. “Dreams”, de Daniela Silva é simples e revela meninas bem trabalhadas tecnicamente para a execução dos passos. O que é preciso rever diz respeito ao corte brusco da música (tema recorrente em todas as noites do evento).
Ainda no júnior, o Studio D | Avaré mostrou uma proposta adequada para a idade dos pequenos bailarinos em “Valsa”, de Luciana Grisolia. É interessante notar como ela harmoniza as potencialidades de cada um na cena. Um trabalho que pode crescer ainda mais.
No conjunto sênior “Biocenose I”, de Ricardo Scheir, para o Pavilhão D | São Paulo é instigante. Faz com que o espectador sentado na cadeira sinta a música e seja absorvido por ela. O conjunto é muito bem ensaiado e traz a marca Scheir. É interessante quando um coreógrafo assume seu estilo e deixa isso impresso no corpo dos bailarinos. Uma gramática corporal visível também em “Anton” (foto), do coreógrafo, que competiu na categoria avançada. Sobre a música “Flown”, de Rudy Nundes, o elenco afinado mostrou um trabalho inteligente. A concepção coreográfica articula muito bem os solos, duos e trios, que não deixam em nenhum momento de estar dentro do contexto proposto por Scheir. Um detalhe: o figurino - os rapazes inteiros de preto e as moças com saias de duas cores – exibia uma bela plasticidade.


DANÇA DE RUA – É na dança de rua que parecemos dar voltas, voltas e voltas e cair no mesmo lugar. Primeiro é preciso pensar no nome das coreografias que não dialogam com o que é visto em cena. O nome é a primeira referência que se tem de um trabalho. Depois é preciso pensar na escolha da trilha sonora e se preciso até traduzir algumas músicas. Em muitas coreografias a trilha contradiz a própria concepção apresentada. Também nos com idéias boas que não são desenvolvidas. A história é a mesma dos dias anteriores, porque colocar em cena um objeto cênico se ele não vai ser usado, ou seja, se ele não vai ser transformado em dança?
Também é preciso atentar as formações dos desenhos coreográficos (concepção coreográfica). A obviedade e simetria parecem indicar um padrão de comportamento, mas não é preciso ser óbvio e nem simétrico para fazer dança. Fato é que quando a coreografia começa o olhar treinado já sabe o que vai ver até o final (as poses finais são um capítulo a parte). As coreografias deixam de surpreender.
Ontem quem ousou foi Henry Camargo, com a Cia de Dança Kahal | Jundiaí com “Hip Hop Our Root”. A coreografia tem formações diferentes das convencionais e a movimentação é rica nas construções e desconstruções. O coreógrafo trouxe ao Municipal um trabalho bem ensaiado, que se relaciona com música e título. Também pensou nas cores dos figurinos casuais do conjunto, que quando dividido em duos, trios ou quartetos ficavam interessantes.
Alguns temas: Por que trocar de figurino em um trabalho de cinco minutos e ele não dizer nada? Por que dançar de cabelos soltos sendo que eles atrapalham o desempenho técnico (e plástico) do intérprete? Por que não prender os adereços para que eles não caiam no chão? São tantos por quês.... que ficamos variando mesmo sobre o tema que fazemos e vivemos diariamente: a dança.
Será mesmo preciso?

MAIS:
Início e fim – A coreografia começa na coxia e só termina quando o intérprete sai da cena.. Em alguns trabalhos quando a música termina e os bailarinos agradecem, eles saem do palco como se ali não fosse um lugar de exposição. Por favor, vamos sair do palco de forma organizada. O público agradece, o trabalho fica bem acabado e a dança aplaude.

Festidança | Crítica 2 | Provocações Inteligentes

Marcela Benvegnu


 Sem dúvida foi o sapateado que aqueceu a segunda noite competitiva do 21º Festidança ontem, que contou com trabalhos do gênero em conjunto avançado. A bateria reuniu seis coreografias. Cada uma com suas particularidades, pontos fortes e fracos. Na primeira parte da noite o público, que lotou o Teatro Municipal, também assistiu aos trabalhos de balé clássico de repertório (variação feminina junior, avançado, conjunto sênior e avançado).
            Em cena, os grupos da cidade mostraram sua força e comprovaram a tese de que aqui, na terra da tecnologia, o sapateado é soberano.  O Grupo Corpus (São José dos Campos), de Patrícia Stellet trouxe a cena um “Magnetismo” musical inteligente. Já “Ocre”, da Cia Feeling de Dança (também de SJC), de Charles Renato, mostrou o bom uso do elemento cênico (blocos de madeira), de como ele pode virar dança e ser uma extensão do corpo. E o Ballet Ana Araújo (SJC), com Ritmia, de Ana Paula Veneziani trouxe aos “ouvidos” a sonoridade de pés soltos e de um som limpo.
            Para não ser repetitiva (já sendo), o Monique Paes Studio de Dança (Jacareí) inovou novamente com Bruna Miragaia a frente de “Auroras” (foto). O trabalho provoca e é aí e por isso que se torna tão bom. A música é uma espécie de oração, o figurino mistura o brilho escondido (e revelado) da vida (detalhe para o capuz que não cai da cabeça dos intérpretes) e a coreografia emudece. Emudece no sentido de que é inteligentemente planejada, desde a configuração dos passos para não brigar com a música, mas ser um complemento dela, à disposição dos intérpretes, a simbologia do texto, a plasticidade. A música construída com os pés suspende o corpo do espectador, o espírito. Detalhe importante: Onde estava a coreógrafa durante a apresentação? Em cena. Ela estava no mesmo patamar dos alunos. O grupo era um só. Um único e importante corpo de “anjos de luz”.

BALÉ CLÁSSICO – Clássico de repertório é mesmo um desafio. Um desafio para o intérprete, um desafio para quem está à frente da adaptação. Na noite de ontem tivemos bons trabalhos, como a variação de La Fille Mal Gardée, com Fernanda Soares, do Ballet Elisa (São Bernardo do Campo); O Quebra-Nozes, de Marius Petipa (1818-1910), com Stefanina Petry, para o Ballet Adriana Assaf (São Paulo) e também o conjunto da Escola de Dança Alice Arja, do Rio de Janeiro, com séquito das Fadas da Bela Adormecida, também de Petipa. Trabalhos bem colocados, intérpretes seguras, bem ensaiadas e, sobretudo, com a carga emocional certa para o personagem.
Mas além da preocupação com a veracidade do balé original, com as cores dos figurinos, com o tamanho das coroas (podemos economizar porque a cada espetáculo temos coroas maiores), e claro, com o uso da técnica, um “incomodo” se instaura: (novamente) a qualidade da trilha sonora. Os diretores devem se preocupar com essa limpeza técnica urgentemente. Isso afeta a qualidade da obra, inclusive o modo de se olhar para ela.
Enfim, uma boa noite de sexta-feira. Que venham melhores.



MAIS:

Dia 25 de maio – Dia Internacional do Sapateado. É comemorado por conta do nascimento de Bill “Bojangles” Robinson (1878-1949).

Bojangles - Foi ele o responsável por trazer o sapateado para a meia-ponta. Conquistou Hollywood (em 1932), quando entra para história do cinema americano contracenando com Shirley Temple. Uma de suas mais famosas coreografias é “Backbird”, que dançava em cima de uma escada.

Datas (!!!!-!!!!) – As datas de nascimento e morte são importantes nos textos porque contextualizam um período na história da dança mundial já que não temos nenhum dicionário de dança no país. As publicações internacionais são valiosas, porém, não contemplam personalidades da dança brasileira.


Festidança | Crítica 1 | Nem cá(lá), nem (cá)lá


Marcela Benvegnu

A primeira noite competitiva do 21º Festidança, que reuniu trabalhos de balé clássico de repertório (variação feminina sênior, pas de deux júnior, sênior e avançado) e sapateado conjunto (sênior e junior) trouxe à cena importantes questionamentos, como por exemplo: como andar nas pontas dos pés?
"Paquita", da Especial: qualidadeA pergunta é das mais simples e óbvias, porém, a resposta, não é. Andar nas pontas é um grande desafio para a bailarina. Não é simplesmente caminhar, vai (muito) além disso. E se andar nas pontas requer atenção, escolher a sapatilha certa (para o pé certo) talvez tenha sido o grande desafio desta noite. Duelo difícil entre pés e coreografias.
Histórias de pontas e pés à parte, a bateria de balé de repertório apresentou um tema recorrente quando se trata de remontagens: o quanto de fidelidade com a montagem original tem cada obra apresentada? Existem muitas versões, mas no mínimo elas têm certa conexão e dialogam entre si. Complicado é ver montagens “novas” naquilo que repercute ao longo dos séculos (caso contrário, não se chamaria repertório).  Adaptar não é modificar o trabalho, e sim colocá-lo de forma correta e adequada no corpo dos intérpretes.
Primeiro lugar no ano passado, Fernanda Lopes, do Ballet Jovem de São Vicente | São Vicente, que concorria na categoria sênior com a variação de “Dom Quixote”*, de Marius Petipa* (1818-1910) mostrou evolução técnica e expressão para segurar uma interpretação deste nível. Não basta executar, é preciso dançar.  E quando Paula Alves e Welber Pacheco (Especial Academia de Ballet | São Paulo- foto) entraram em cena para apresentar o pas de deux de “Paquita”*, de Petipa, que a noite fria começou a esquentar. Ele dança para ela. Ela para ele. Um confia no outro. A execução de cada passo tem um porque revelado no corpo, na expressão, no modo de dançar. A qualidade aparece. Os olhos agradecem. O corpo do espectador sente algo diferente. É dança. 
Ainda no clássico é preciso cuidar das gravações das músicas. Algumas coreografias foram comprometidas por chiados e cortes mal feitos. É preciso lembrar que a obra é o todo e não somente uma parte dela.
PLACAS NO PÉ – Sempre esperado no Festidança, o sapateado não empolgou tanto quanto nos outros anos. Tudo esteve mais “morno”, inclusive os desenhos coreográficos. As coreografias apresentavam uma frontalidade excessiva e o “centro”, usado antigamente como o espaço mais importante do palco, volta à contemporaneidade com o mesmo sentido. Por que ter como referência o centro do palco? Sem medo de ousar já é hora de explorar laterais, fundo, frente. É preciso surpreender, fazer com que o corpo da plateia fique suspenso. Claro, isso tudo sem sair da música. Porque sapateado é música.
Apesar de o linóleo abafar a sonoridade das placas de metal, a noite foi de Bruna Miragaia, com seu “Baianá”, pelo Monique Paes Studio de Dança | Jacareí. A música que dá nome à obra (por que a coreografia tem que ter o nome da música?) sai da percussão habitual do grupo e encontra a brasilidade. A luz dialoga com a cena, cria um ambiente para que a dança se revele. A coreografia sai do convencional e usa todo o espaço do palco fazendo com que os interpretes cresçam. A concepção dos movimentos é rica e a sonoridade inteligente. Um excelente trabalho de pesquisa revelado em forma de coreografia.
Que venham os trabalhos avançados e com eles a força de um sapateado que é referência no Brasil. É preciso aquecer o corpo (ainda) frio, bem frio.

MAIS:

Dom Quixote – É um dos mais famosos balés de Marius Petipa, com música de Leon Minkus, que estreou em Moscou em 1869. Conta a história de amor entre Kitri e Basílio. É dividido em três atos e baseado na obra homônima de Miguel de Cervantes. A estreia do trabalho marca a ascensão da Rússia como o centro da dança na Europa.

Paquita – Com música de Edouard Delvedez e coreografia de Mazilier e Petipa, Paquita estreou em Paris em abril de 1846. A montagem dividida em dois atos e três cenas tem como protagonista Paquita, uma cigana que luta para ficar ao lado de seu grande amor, Lucien.

Marius Petipa (1818-1910) –
Nome conhecido no cenário da dança Petipa foi um dos mais influentes coreógrafos de todos os tempos. Entre os seus trabalhos virtuosos ainda destacam-se “A Bela Adormecida”, “Raymonda”, “La Bayadére” e “O Lago dos Cisnes”.

Crítica? – Crítica vem do grego “krinen”, que significa quebrar, partir. Criticar é colocar uma obra em crise, evidenciar e potencializar suas partes. Colocar em crise a ideia que se tem do objeto.  Nada tem a ver com gosto. 

De cara nova

Precisava mudar a cara desse blog.
Acho que porque estou mudando de cara internamente.
São tantos desafios que é preciso respirar fundo e encarar de frente.
Se estou feliz?
Estou.
Mas que todo mundo tem um dia que se sente pano de chão.
Ah tem!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tá rolando essa semana...

... Amanhã, dia 25 de maio (Dia Internacional do Sapateado) tem Sonia Mota, no Teatro Mars, em São Paulo. A bailarina estreia Divagar, ao lado de outras intérpretes. A montagem questiona a maturidade do corpo refletivo no tempo atual e destaca a atuação de quatro bailarinas, a maioria na casa dos 60 anos, que continuam dançando. Às 21h. O ingresso custa R$ 20 e R$ 10 e teatro fica na rua João Passalaqua, 80.

Na quarta-feira, dia 26, é a vez de Jorge Garcia e Jean Abreu, se encontrarem no palco pela primeira vez. A parceria do brasileiro e do londrinho está marcada para às 21h, na sala Crisantempo (rua Fidalga, 521), na Vila Madalena, em São Paulo. Após a apresentação tem bate-papo com os coreógrafos.

Ainda na quarta, o Divinadança estreia seu "Dans Le Noir", de James Nunes, no Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 100o), em São Paulo. A trupe fica em cartaz até dia 30, domingo e a entrada é gratuita. A direção geral é de Andrea Pivatto.

No dia 27, quinta-feira, às 21h, Luciana Bortoletto se despede do Sesc Pinheiros com seu "Entre Duas Linhas Vive o Branco". O trabalho integra o projeto Solos Urbanos - Fora do Palco. O Sesc Pinheiros fica na rua Paes Leme, 195, em São Paulo. Ingressos: R$ 10 e R$ 5.

Também no dia 27, o Núcleo de Improvisação, dirigido por Zélia Monteiro, encerra a temporada de seus Espetáculos Imprevisíveis, que foram realizados a partir do desenvolvimento do projeto “Sobre o Imprevisível ou De um Estudo para Outro há Sempre uma diferença de Tom. No Teatro de Dança (avenida Ipiranga, 344 | São Paulo), às 21h. Ingressos custam R$ 4 e R$ 2.

Na sexta-feira, dia 28, Zélia Monteiro leva outro espetáculo ao TD. Desta vez, às 21h, "Seis estudos para Flutuar" dá continuidade a mais de vinte anos de pesquisa e atuação artística de Zélia com a improvisação. No sábado, às 20h e domingo, às 18h, o espetáculo será reapresentado.

No sábado, dia 29, corra para Sorocaba. Às 19h, Teatro Municipal Teotônio Vilela (avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes s/n Paço Municipal) será realizada a terceira edição do Sorocaba Tap. Organizado e dirigido por Iara Ramos, da Athenas Academia, o festival promete surpresas no sapateado americano e irlandês.

E para fechar a semana (ou começar outra), domingo dia 30, no Sesc Interlagos (aveninda Manuel Alves Soares, 1100), às 16h, a Nau de Ícaros apresenta seu novo processo criativo. Por meio do contato com a obra inacabada, os participantes interferem e auxiliam na criação de novas cenas, que devem constituir o espetáculo completo posteriormente. A obra é inspirada em “Myrna – Não se Pode Amar e Ser Feliz ao Mesmo Tempo”, de Nelson Rodrigues.

Por esta semana, chega. Se procurar, ainda tem mais.

Tanta coisa... | O Rei e Eu

Cena de "O Rei e Eu" | Foto: Jairo Goldflus


Tanta coisa tem acontecido que eu confesso às vezes me assusto. Estou assustada. Tenho trabalhado muito. Mais do que imaginava, mas muito mais mesmo. E tipo tenho pensado muito no meu trabalho. Às vezes quando vejo, estou pensando nele. Doido.

E saudade do meu trabalho antigo? Eu tenho. Mas tenho saudade das pessoas, do poder fazer sem perguntar, do ter a certeza de que ficava bom e de no dia seguinte começar um novo desafio. Tenho saudade das risadas, da rotina sem rotina, dos textos múltiplos. Tenho saudade da zona de conforto. Da segurança que conquistei. É exatamente isso. Mas se me perguntarem se eu voltaria. Acho que não. Já vivi o que tinha que viver lá e foi lindo.

Estou feliz. O hoje me supre por dentro. Toma conta do meu corpo. Sempre tem algo para aprender. Dá vontade de fazer mais, criar mais, ter mais tempo. O tempo sem tempo. E por falar nele, como passa rápido. Minha nossa.

Esse blog nunca foi em primeira pessoa e agora ganhou novos contornos. Talvez porque eu também esteja diferente. Estranho, mas confortável.

Na semana passada fui assistir "O Rei e Eu", de Rodgers e Hammerstein (os mesmos que assinaram South Pacific, A Noviça Rebelde, Carousel e Oklahoma!), com direção geral de Jorge Takla, que está em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo. A peça foi inspirada no original Anna e o Rei do Sião, de Margareth Landon e ganhou versão brasileira pelas mãos do experiente Claudio Botelho.

O musical teve sua estreia na Broadway em 1951, com Yul Brynner e Gertrude Lawrence, nos papéis principais, que na versão brasileira são vividos por Tuca Andrada (Rei do Sião) e Claudia Netto (Anna Leonowens).

O Rei e Eu conta a história do poderoso e carismático Rei do Sião, atual Tailândia, que tinha dezenas de esposas e mais de setenta filhos, e de Anna, professora inglesa contratada para ensinar inglês e um pouco da cultura ocidental aos príncipes e princesas. Charmosa e voluntariosa, Anna passa por sérias dificuldades com as diferenças entre a cultura inglesa e a oriental, mas mesmo assim impõe suas idéias e suas posições, e aprende a compreender e aceitar as cultura e as tradições siamesas, tornando-se parte desta imensa família real.

O espetáculo é um convite aos olhos. A riqueza dos cenários assinados por Duda Arruk nos faz até parar de prestar atenção na narrativa para descobrir os detalhes. São muitos. Fábio Namatame, como sempre, um espetáculo parte. Seus figurinos impecáveis tornam qualquer espetáculo mais bonito. coreografia original de Jerome Robbins ganhou remontagem de Tania Nardini e a direção musical é do piracicabano Jamil Maluf.

Enfim... o tempo me aperta aqui. Sem mais detalhes, porém, uma dica: vale a pena ver.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

NOVO sentimento de NOVO


Marcela Benvegnu


Me perguntei muito se ia dar certo de novo. Se a emoção seria a mesma. Se os olhares se encontrariam novamente. Se a gente teria força para fazer. Se seria "perfeito" como o da primeira edição. Se as pessoas iam gostar. Se os professores seriam bons. Se teríamos alunos suficientes para pagar as contas. Se aconteceria de novo. Eram muitos "ses"....

Até que em um momento, quando o medo bateu e a Erika me perguntou: "Amiga, você ainda acredita e dança a nossa ideia, não é?", os "ses" se derreteram. A resposta saiu do coração e não poderia ser outra a não ser que eu acreditava e que a gente dançaria essa ideia juntas ainda por muitos e muitos anos, mesmo "se" a gente tivesse que vender o carro. No ano passado Erika me disse: "Se a grana não der eu vendo o carro". Eu acredito no projeto, mas antes acredito na nossa paixão, na nossa seriedade, na nossa forma de acreditar na dança e, sobretudo, no jazz. É por isso que dá certo. Já disse ano passado e digo novamente: O sim de uma é o sim da outra. A gente ja se entende por olhares. Não somos somente sócias. Não somos colegas. Somos amigas. Amigas de verdade. Respiramos o mesmo sonho.

Não foi fácil não. Depois que chegamos de NYC muito aconteceu. É a Suzi Taylor que estava contratada e engravida... a Rose Calheiros que não consegue embarcar. As inscrições que demoraram a decolar.

Mas num outro "e", as coisas foram dando certo, as inscrições se esgotaram e tivemos a lista de espera, a Sheila se revelou uma pessoa adorável e uma grande professora, o Josh mostrou que vai além da beleza física e é um professor que nos faz ter vontade de só olhar a sua dança, respirar o seu movimento, e Sue querida, que aceitou o convite no quinto tempo e embarcou de um dia para o outro com um programa completamente diferente do ano passado. Os brasileiros também mostraram o que fazemos por aqui. E com o tempo, com a respiração de 130 pessoas juntas, fomos sentindo outro tipo de emoção. Dançamos juntos. De novo. Criamos um novo círculo de amor. Que não tem começo, meio ou fim. Uma aliança. Nova, de novo.

Nos questionaram que a emoção era diferente do primeiro ano. Me questionei. Questionei a Erika. E descobri que não deveria e nem seria mesmo igual ao da nossa primeira edição. Isso porque cada vez que nos juntarmos para dançarmos a ideia do Congresso de Jazz Dance outra vibração estará no ar. Não tem como sentir a mesma coisa de novo.

O amor estava lá. O frio na barriga de dar certo. A vontade louca da Erika em ler os relatório de avaliação antes da entrega do certificado (de novo, mas eu já me acostumei). Os olhos brilhando dos alunos ao fim de cada aula. A alegria de acertar um passo difícil. O prazer em superar os seus próprios limites. As lágrimas em ouvir as lindas palavras da Sheila no último dia. O orgulho em dançar para si. O amor em se descobrir como um ser único.

Assim também é o Congresso. Único com suas particularidades, limitações. Único em sua essência de pensar. Não é unipotente. Só é único como todos que viveram aqueles intensos quatro dias com a gente.

Como precisamos das pessoas. Como precisamos de vocês. Como precisamos dos professores. Como preciso da Erika. A gente não dança essa ideia sozinhas. Precisamos sim, sim e sim de todos de novo. De todos que acreditam no nosso sonho, que vem de longe, de perto. Que dormem no alojamento, no hotel, na casa do amigo. Que trazem o dinheiro contado, que compram tudo na lojinha. Que tem experiência, que ainda estão aprendendo. Novos. Novo. Os de novo. Sempre.

O Congresso do Jazz e do amor aconteceu sim, novamente. Aconteceu dentro da gente. E agora, quando olharmos as fotos, quando vestirmos a camiseta vermelha que está guardada dentro do armário, quando começarmos a planejar a terceira edição (já começamos na verdade)... quando olharmos para trás e virmos que a lembrança, virou memória... estaremos contruindo história. História da dança, do jazz, da vida. E você é tão responsável por ela quanto a gente.

Obrigada mais uma "única" vez.

Até 2011, quando vamos dançar essa idéia, com um sentimento NOVO de novo!

Thank you, Dance!

by Judy Smith "