quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Sapateia, Brasil!


Marcela Benvegnu

Intercâmbio, troca, formação e informação. Essas são algumas das qualidades que envolvem o Festival Internacional de Sapateado de Campinas, organizado pela sapateadora e instrumentista Christiane Matallo desde 2000, que a partir deste ano passa a se chamar Brasil International Tap Festival e acontecerá nos dias 30 e 31 de agosto e 1º e 2 de setembro de 2007 na cidade de Jaguariúna, a 16 quilômetros de Campinas.O evento traz profissionais com linguagens e frentes de trabalho diferentes para a construção e fundamentação do pensamento crítico do bom profissional ligado à arte do sapateado. O objetivo do evento é o de promover um encontro entre alunos e professores que participam de aulas, apresentações, tap jam sessions, exibição de filmes, bate-papos, entre outras particularidades.Este ano o festival recebe grandes artistas, como Jason Samuels Smith (USA), o único coreógrafo a ganhar um prêmio Emmy depois do coreógrafo de Fred Astaire e atualmente o melhor sapateador americano; Derick Grant (USA), diretor do “Imagine Tap”, espetáculo que reuniu nos palcos de Chicago, no ano passado, uma trupe dos mais renomados e talentosos sapateadores; Aaron Tolson (USA), co-diretor de “Imagine Tap”; Corinne Karon (USA), única sapateadora a se apresentar em todos os continentes do mundo e fazer uma performance na Antártida.Entre os professores brasileiros estão Dalga Larrondo, um dos únicos percussionistas do mundo a dominar a técnica do zarb, tambor utilizado na música clássica iraniana, e Christiane Matallo, considerada pelo jornal “The New York Times” como a “Carmen Miranda do sapateado” e a única brasileira a ministrar aulas no Tap City, o maior evento de sapateado dos Estados Unidos, por dois anos consecutivos.Além das aulas que acontecem durante todo o dia, as noites são reservadas para outras atividades. Na quinta-feira, dia 30, acontece a exibição de filmes lendários do sapateado americano, seguida de bate-papo; na sexta-feira, dia 31, uma jam session com a banda Gilberto de Syllos e no sábado, às 21h, no Centro Cultural de Jaguariúna, uma apresentação de grupos amadores, profissionais e estrelas convidadas.Todos os cursos custam R$ 400. Ainda restam algumas vagas e as inscrições podem ser feitas pelo site www.christiane-matallo.com.br e também pelo telefone (19) 3255-8323. O apoio é da Só Dança e da Prefeitura de Jaguariúna.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O novo corpo do Corpo

Marcela Benvegnu

Contaminado pela contemporaneidade da música de Lenine, o coreógrafo residente do Grupo Corpo, de Belo Horizonte, Rodrigo Pederneiras, reconstruiu seu vocabulário coreográfico para montar “Breu”, a nova coreografia da companhia que pode ser vista até domingo no Teatro Alfa, em São Paulo. Isso para quem já comprou ingressos, porque eles se esgotaram em questão de dias. Em “Breu”, Pederneiras abandona seus movimentos característicos — que evidenciam sua gramática corporal — para construir um corpo que dança com as texturas da urbanidade de nossos tempos.
O Corpo não dramatiza. Em sua maneira de “dizer” faz do corpo um suporte para desafiar a cordialidade, o diálogo e as normas. De um canto do palco, a imobilidade dos bailarinos antecipa as quedas que marcam o percurso coreográfico. Neste trabalho, há ainda mais peso e uma concentração de movimentos na faixa logo acima do chão. Rasteiros, os corpos são movidos pelos ombros, tornozelos, calcanhares e, vez ou outra, erguidos, ainda que inertes, pela compaixão (ou culpa) de um companheiro. Mas a redução do excesso provoca rupturas dos laços sociais e afetivos. Talvez essa horizontalidade seja a marca mais profunda de “Breu”, afinal Pederneiras é o maior amante de movimentos longilíneos e de quebras de quadris da dança contemporânea brasileira.
A organização da cena revela um espaço multifacetado, complexo, onde corpos disputam o direito de ordenar suas próprias trajetórias. Bailarinos, que a princípio parecem se mover sem nenhuma ordem, sabem exatamente para onde vão e porque vão. É quando o choque se faz inevitável e o novo trabalho se revela uma dissertação sobre o enfrentamento e a falta de capacidade de se comunicar.
Da imobilidade à queda, da inquietude à inércia, é por onde caminha “Breu”, um dos mais comuns retratos contemporâneos do ambiente ao mostrar o comportamento das pessoas dominadas pelo tempo, pelo individualismo e pela violência. O corpo do Corpo está no limite.
Na mesma noite, o público pôde rever “Sete ou Oito Peças Para um Balé” (1994). A partir de oito temas musicais surgidos da parceria inédita entre o instrumentista e compositor norte-americano Philip Glass e o grupo instrumental mineiro Uakti, Rodrigo Pederneiras constrói uma obra onde a partitura de movimentos emerge irretocável pela genialidade da forma.


Crédito da foto: José Luiz Pederneiras

Revista de Dança

Queridos amigos e seguidores do Tudo É Dança, Escrevo hoje para dividir com vocês todos, que dançam comigo aqui durante todos esses anos, ...