sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Vista a DANÇA da vida em 2009!


... Não achem estranho que depois de quase dois anos, "blogue" aqui neste nosso espaço um texto em primeira pessoa. Não escrevi antes por bobagem, por achar que o blog poderia ser descaracterizado com comentários ou mesmo dicas que fugissem da proposta inicial que é a de divulgar e de popularizar a dança.

Porém hoje, respondendo à um e-mail de uma figura querida da dança brasileira, pensei que se a dança é puro amor, e se que as palavras que escrevo aqui ganham vida pelos meus dedos por conta de um sentimento que me envolve, achei que era hora e de que poderia falar em primeira pessoa. E que talvez, esse tipo de texto seja lido e escrito por mim com mais frequência em 2009.

Não cuidei desse blog como deveria este ano (final de ano é sempre tempo de reflexões), porque aconteceram tantas coisas que eu deixei de noticiar para vocês... Se eu tivesse mais tempo... Se eu pesquisasse mais... Se... Se.... Mas agora nada de "se". Agora é o hoje, o amanhã e o depois. E a minha promessa para 2009 é a de um espaço que quebre a barreira crítica/leitor... As críticas continuam SIM, e até com mais aparições... Mas também teremos espaço para refletir outras coisas ligadas à dança... políticas culturais... editais... estréias... pessoas esquecidas (isso é muito importante).... gente que dança.... talentos ocultos.... E mto, mto, mto mais.

Entre o meu último post (que fala da montagem do Sandro Borelli inspirada em "Lago dos Cisnes" para o Balé da Cidade de São Paulo) e este momento de reflexão... eu ia postar mais um texto sobre o espetáculo do Studio de Dança Christiane Matallo, de Campinas, chamado "Dance Fashion Weekend", que tinha como tema a moda na dança. Não postei porque tive uma semana de folga no jornal e o texto ficou preso na minha máquina na redação. Eu poderia escrever outro, mas aquele tinha um poética toda especial.

Aqui também nunca falei do meu lado bailarina, das minhas "pisadas" no palco. Depois de "Pincel do Som" acho que nunca mais falei do sentimento de estar em cena. Pois eu estava no palco em "Dance Fashion Weekend" junto a companhia de dança da escola. Que prazer! Mas mais do que dançar com eles, figuras tão importantes e significativas na minha vida há anos, está a mensagem do espetáculo. Mensagem esta, escrita pela minha grande amiga e parceira Christiane Matallo, que eu deixo aqui para os meus leitores.

Que em 2009 você:

"Use chapéus de pensamentos leves, camisas soltas para a liberdade, calças que os leve para caminhos construtivos e sapatos duráveis para as estradas, com obstáculos, porém superáveis. Use roupas quentes que absorvam o frio e aqueçam o coração para sempre. Faça a sua moda. Vista a sua música. Solte as suas asas e dance mesmo sem saber dançar. Porque a dança é a passarela para vida".

Que em 2009 os nossos encontros sejam maiores. E que você leitor, também me ajude a tornar o "Tudo É Dança" um ponto de encontro para "vestirmos" informações e "criarmos" novos modos de olhar a arte.

Obrigada pela parceria!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um lago de lágrimas

Marcela Benvegnu

Quando se pensa em “Lago dos Cisnes”, a primeira imagem que vem à mente (no Brasil) é a da bailarina Cecília Kerche em sua interpretação sem igual. A leveza dos braços, a perfeição dos pés, a pureza dos figurinos brancos... Mas quem for assistir “Lago dos Cisnes?” — com interrogação mesmo — que o Balé da Cidade de São Paulo (BCSP) estréia hoje, 21h, irá se deparar com algo muito diferente. A convite do BCSP, o coreógrafo Sandro Borelli recriou o balé considerado um dos mais maiores de todos os tempos.
“Toda a idéia partiu das lágrimas dos cisnes do texto original, que acaba por formar o lago. Lágrimas surgem de uma emoção forte, seja de alegria ou de dor intensas. Escolhi investigar o sentimento de dor que está contido nessas lágrimas, como se tivesse em mãos uma lupa ou microscópio. E encontrei ali microorganismos, colônias de bactérias, que habitam essas lágrimas expelidas por causa da dor”, conta Borelli. Seres que abandonam o estado invisível a olho nu e ganham vida como bailarinos. “No fundo, o Lago original parte daí, ele é muito doloroso.”
Imagens do “Inferno de Dante”, primeira parte da obra de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, assim como uma canção composta por Bertolt Brecht e Kurt Weill, “A Balada da Menina Afogada”, que descreve o percurso de um corpo em decomposição até o fundo de uma represa, alimentaram a versão de “O Lago dos Cisnes?” de Borelli, que anteriormente coreografou “Lac”, baseado no repertório, para a companhia. “Não espero o estranhamento do público, mesmo porque estamos propondo uma pergunta. Jamais pensei em suplantar a genialidade da obra, mas de apresentar essa visão interior particular.”
Um cenário feito de tecido pintado, que se assemelha a paredes enferrujadas bem pesadas, foi pensado por Jean-Pierre Tortil para dar a impressão de estarem mergulhados em uma lata sobre a qual o público observa de cima. O figurinista Marcelo Pies acompanha o movimento do cenário e veste os bailarinos com camisetas e calças de cores escuras, no estilo tie-dye, que aparentam estar prestes à corrosão pelo excesso de sujeira.
Gustavo Domingues adiciona ruídos das profundezas de um oceano às músicas de Tchaikovsky, que serão tocadas ao vivo pela Orquestra Experimental de Repertório, regida pelo maestro piracicabano Jamil Maluf. Borelli também acrescentou à montagem um insight que teve ao observar bolhas formadas na beira do rio Tietê num dia quente, por causa da fermentação. “Não passa de um pântano formado por homens que tentam se salvar em meio à podridão.”
¤
PARA VER — “O Lago dos Cisnes?”, com o BCSP. No Teatro Municipal de São Paulo. Hoje, amanhã e segunda-feira, às 21h. Domingo, às 17h. Ingressos custam de R$ 5 a R$ 15. Data, local, horário e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 3397-0327.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Para pensar a dança

Foto:: Denise Xavier
Legenda: A Quasar Jovem, de Goiânia, apresenta o espetáculo ‘Primeiros Movimentos’


Marcela Benvegnu

O tema do 2º Fórum de Dança Ourinhos, que discute os rumos da dança no país — e tem foco nas políticas públicas e responsabilidades sociais — termina domingo na cidade paulista. De caráter nacional, o evento é voltado à discussão sobre os caminhos da dança e à avaliação de diferentes formas de movimento. Em paralelo, oferece também ao público uma programação com apresentações de companhias nacionais e internacionais.

Ao longo da programação o fórum contou com pensadores da dança, das artes cênicas e da cultura brasileira, para promoverem os debates. Entre os presentes estavam André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento da Secretaria da Cultura de São Paulo; Maria Lúcia Santaella, da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Lúcia Camargo, presidente da Fundação Palácio das Artes, de Minas Gerais; Marcos Gallon, curador da Galeria Vermelho; Leandro Knopfhotz, curador/diretor do Festival de Curitiba; e Márika Gidali, diretora do Ballet Stagium, entre outras.

O evento teve como foco questões fundamentais. “Formação de platéia, interdisciplinaridade, responsabilidade social e políticas públicas”, apontou Cássia Navas, uma das mediadoras do evento. Os debates foram transcritos, documentados e editados para serem transformados numa publicação e um DVD, ambos com tiragem de 1.500 cópias, que serão disponibilizadas para bibliotecas, centros culturais e espaços de dança pelo país.

Na programação artística destacaram-se apresentações da Cia. Brasileira de Dança, do Rio de Janeiro; o DeAnima, também carioca; o grupo Raça, de São Paulo; além do Ballet Folclórico da Bielorússia e as companhias locais — Cia. Ourinhos de Dança, Cia. Experimental Ourinhos e Escola de Bailado de Ourinhos. Hoje o palco do Teatro Miguel Cury, às 20h, será ocupado pela Quasar Jovem, de Goiânia, com o espetáculo “Primeiros Movimentos”.

Amanhã — no mesmo horário e local — é a vez da Escola Municipal de Bailado, da Cia. Ourinhos, com “Mademoiselle Miroir”, e no domingo, a Escola do Teatro Bolshoi, de Joinville, traduz a fusão dos trabalhos clássicos e contemporâneos nos seus movimentos em “Chopiniana” e “Se Eu Te Contasse Meu Segredo”.
¤
PARA VER —2º Fórum de Dança Ourinhos. Hoje Quasar Jovem. Amanhã, “Mademoiselle Miroir”, e domingo, “Chopiniana” e “Se Eu Te Contasse Meu Segredo”. As apresentações acontecem no Teatro Miguel Cury (rua Nove de Julho, 496), em Ourinhos. Ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Mais informações (14) 3324-7848.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Em tempo de Natal

Crédito: Reginaldo Azevedo

Marcela Benvegnu

Há 25 anos a mesma cena se repete. O Cisne Negro Escola de Balé, junto a sua companhia de dança, montam em São Paulo, “O Quebra-Nozes”, obra do balé de repertório montada por Marius Petipa (1818-1910), com música de Pyotr Ilych Tchaikovsky (1940-1893). Porém, este ano, a montagem que entra em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo, entre os dias 11 e 21 de dezembro encerrando a Temporada de Dança do espaço promete.
Com o intuito de ressaltar o talento de artistas nacionais que atuam com grande sucesso no exterior, a diretora da montagem, Hulda Bittencourt convidou como solistas, Thiago Soares (primeiro bailarino do Royal Ballet, de Londres), Marcelo Gomes (primeiro bailarino do American Ballet Theatre, de Nova York), e Denise Siqueira (solista da Cisne Negro). A montagem também comemora os 31 anos de criação da companhia, que é sucesso de público e de crítica no Brasil e exterior. Além do elenco fixo da companhia e elenco contratado especialmente para esta produção, sobem ao palco do Alfa mais de 120 artistas.
A criação de “O Quebra Nozes” foi inspirada em uma adaptação francesa de um trecho do conto “Nussknacker und Mauserkonig” (“Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos”), de Hoffmann. Tchaikovsky se encantou com as colorações sinistras e fantásticas que envolvem a história e compôs a música para o balé. O resultado é uma obra repleta de fantasia e romantismo.
Encenado em dois atos, o balé conta a fantasia de Clara, uma menina que na noite de Natal ganha muitos presentes, mas se encanta de uma maneira especial por um deles, um boneco quebra-nozes. Quando todos vão dormir, Clara vai à sala para brincar com seu novo presente adormece e entra no mundo da fantasia. Os brinquedos ganham vida, dançam, lutam, viajam para o reino das neves e reino dos doces, onde Clara e seu príncipe são homenageados com danças típicas de vários países e com um gracioso pas-de-deux da fada açucarada.
Este ano a Temporada da Dança do Alfa recebeu espetáculos importantes do cenário da dança mundial como Cie. de Philip Decouflé, Grupo Corpo, Companhia Deborah Colker, Balé da Ópera de Lyon, São Paulo Cia. de Dança e Quasar Cia. de Dança.
¤
PARA VER — “O Quebra-Nozes”, com a Cisne Negro Cia. de Dança e convidados. De 11 a 21 de dezembro de 2008, no Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, 722), em São Paulo. Os ingressos custam entre R$ 40 e R$ 80. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 5693-4000.

Revista de Dança

Queridos amigos e seguidores do Tudo É Dança, Escrevo hoje para dividir com vocês todos, que dançam comigo aqui durante todos esses anos, ...