quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Metro quadrado que dança

na foto: Tatiana Leskova e alunos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

Marcela Benvegnu

O Festival de Dança de Joinville terminou há pouco mais de 20 dias. Muito se ouviu e leu sobre os grupos premiados, companhias com propostas inovadoras, bailarinos que se revelaram. A mídia deu grande destaque para todos esses assuntos, porém, pouco se leu sobre os bastidores, sobre as pessoas que realmente fazem acontecer e, sobretudo, sobre os grandes nomes da dança que passam dias ministrando aulas para uma nova geração.
Eles estão por todos os lados, mas se encontram mesmo nas festas, que acontecem depois da Noite de Abertura, da Noite de Gala, ou da Noite dos Campeões. Esse ano, na celebração pós- Noite de Gala — depois da apresentação do “Dom Quixote”, com a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e os solistas russos — oferecida pelo governador Luiz Henrique da Silveira, alguns desses nomes estiveram presentes.
Nas festas é que se encontra o metro quadrado mais dançante do festival. Isso porque os nomes não vivem soltos por aí. Um exemplo é Tatiana Leskova, 88, figura a parte na história da dança brasileira. Carinhosamente chamada de Dona Tânia, ela anda pelo corredores do Centreventos Cau Hansen como se estivesse em uma Olimpíada. Seus passos rápidos, são assim como sua voz. Ela fala o que pensa, a hora que quer independente se isso agrade ou não às pessoas. Autêntica e divertida. Vale a pena observá-la.
Mais do que acessível é Sylvio Lemgruber, coreógrafo do Dança dos Famosos e do balé do Faustão. Lemgruber prova com poucas palavras que todos podem dançar e que ele faz isso por amor. Nos dois últimos anos ele foi a Joinville para dar aula nos Palcos Abertos, e com o trabalho de popularização em dança, fez uma multidão de fãs e novos adeptos.
Pelo encontro também é possível ver uma Silvia Soter — crítica de dança de O Globo — solta e se deliciando com os hits da banda convidada. Roberto Pereira, crítico do Jornal do Brasil, conversa com um, com outro. Seu olhares não perdem nada. Imprescindível lembrar de Kika Sampaio e Christiane Matallo, uma dupla forte e imbatível do sapateado; Caio Nunes e Fernanda Batah Chamma, com a efervescência do jazzdance; Boris Storojikov e seu balé russo impecável, e outros.
Há dois anos toda a imprensa do festival era convidada para o ‘meeting’. Desde o ano passado o encontro passa perto do segredo. Convidados fingem que não são convidados. Quem sabe da festa e não foi convidado, finge que ela não acontece. Inexplicável essa seleção mais do que seleta. Vale dizer que em anos anteriores a ‘nata da dança’ comparecia em mais peso, porém, mesmo com esses percalços, o reduto de convidados ainda torna o evento o metro quadrado mais dançante (e importante) do país.

sábado, 16 de agosto de 2008

‘Traces’ chega ao Brasil

Crédito: Natasha Fillion

Marcela Benvegnu

Desde que foi fundada em 2002, na cidade de Montreal, a companhia Les 7 Doigts de La Main/7 fingers percorreu uma trajetória que pode ser considerada fulminante. Foram precisos poucos anos para estabelecer um currículo de apresentações celebradas em todo o mundo, passagens aplaudidas pelos principais festivais do gênero e uma coleção de críticas que celebram o inusitado mix de artes circenses e acrobacias tradicionais chinesas misturadas a esportes de rua — como basquete e skateboarding — piano, dança, teatro, humor e instalações visuais, apresentado pela companhia. Pela primeira vez a trupe chega ao Brasil, e traz aos palcos “Traces”, que poderá ser visto em São Paulo, no Citibank Hall, este final de semana e de 20 a 24 de agosto.
“Traces” é o espetáculo mais celebrado da companhia canadense. Com uma alta dose de energia e impacto visual, misturando acrobacias tradicionais com manifestações urbanas, a montagem é ao mesmo tempo poética e explosiva, bem-humorada e reflexiva. O trabalho reúne no palco uma trupe de amigos — Francisco, Raphael, Brad, Heloise e Will —, que se encontraram na adolescência e hoje representam o que há de mais moderno no mundo do circo contemporâneo, a nova geração daquela que é considerada a terceira onda do circo mundial, o Circo Urbano.
A montagem acontece em um momento imaginário em que a humanidade está à beira de uma catástrofe. Trancados em um bunker, os cinco personagens vivem seus últimos momentos, determinados a criar um antídoto para o desastre iminente usando todos os modos de expressão disponíveis para eles. Contando histórias de seu passado, dividindo experiências pessoais, eles vão se revelando ao público sob todos os ângulos possíveis para tentar deixar uma última marca pessoal neste mundo, os seus traços (traces, em inglês), antes de desaparecer. Uma mistura surpreendente, que não deixa o público se sentir indiferente em nenhuma parte do mundo.
Este ano o trabalho foi apresentado durante três semanas no Victory Theatre, em Nova York. Recebeu duas indicações e ganhou um dos principais prêmios do teatro norte-americano, o Drama Desk Awards.
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PARA VER — “Traces”. Hoje, amanhã e domingo e de 20 a 24 de agosto, no Citibank Hall (avenida Jamaris, 213), em São Paulo. Às quartas, quintas e sextas-feiras, às 21h30; sábados às 17h e 21h30; e domingos, às 16h e 20h. Ingressos custam de R$ 180 a R$ 60. Mais informações (11) 6846-6040.

"Médelei" é a atração do Sesi Dança

Crédito: Rogério Ortiz

Marcela Benvegnu

“Médelei — (Eu Sou Brasileiro (etc} e Não Existo Nunca)”, de Cristian Duarte, manifesto em forma de dança, que chega hoje, às 20h, ao palco do Teatro Popular do Sesi em Piracicaba, é um trabalho que versa sobre a auto-estima nacional. Com performance de quatro bailarinos, a coreografia desafia o público a consolidar uma noção do que é ser brasileiro e a discutir no corpo e no ambiente da dança contemporânea o grande totem dança-emoção-sentimento-espetáculo-performer. A montagem que integra o projeto Sesi Dança 2008 será reapresentada amanhã, às 20h. A entrada é gratuita.
De acordo com Duarte, que também sobe ao palco ao lado de Sheila Arêas, Tarina Quelho e Eros Valério, a idéia da montagem surgiu a partir da campanha do Governo Federal em 2004 (“Eu sou brasileiro e não desisto nunca”). O slogan provocou a inquietação do artista por estarem implícitas na frase, segundo ele, várias questões sobre a nacionalidade, resultando na temática sobre o Brasil.
Além disso, os bailarinos realizaram uma pesquisa sobre a auto-estima nacional e uniram as idéias do neurocientista português, Antonio Damásio, sobre sentimento e emoção. O espetáculo aborda, o nacionalismo, a identidade, e a idéia de típico, universal e clichês. Depois da apresentação de hoje, o grupo — que tem consultoria da crítica de dança Fabiana Dultra Britto — realiza um bate-papo com o público.
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WORKSHOP — Ação Médelei é o título do workshop gratuito que o grupo ministra amanhã, às 15h, no Sesi Piracicaba. Segundo Duarte, a idéia é a de experenciar alguns conteúdos abordados no espetáculo por meio da lógica médelei desenvolvida durante o processo criativo, que aborda o movimento como ação, promovendo uma discussão física e perceptiva das referências que permeiam nosso ambiente e repertórios pessoais.
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SERVIÇO — Sesi Dança 2008 apresenta “Médelei — (Eu Sou Brasileiro (etc} e Não Existo Nunca)”. Hoje e amanhã, às 20h, no Sesi Piracicaba (rua Luiz Ralph Benatti, 600), na Vila Industrial. O workshop acontece amanhã, às 15h. As inscrições devem ser feitas com antecedência pelo telefone (19) 3421-5680. A entrada é gratuita. Data, local e horário dos espetáculos foram enviados pelos organizadores.

Arte em Sua Vida é lançado


Marcela Benvegnu

As atividades do Instituto Arte em Sua Vida — entidade filantrópica com certificação de Organização de Sociedade Civil de Interesse Público — que desenvolve o projeto Criança Fazendo Arte, vem rendendo frutos. As 31 crianças, de 7 a 12 anos com baixa renda familiar, atendidas pelo projeto que ministra aulas de balé clássico, já estão fazendo apresentações. Uma delas acontece hoje, às 19h30, na Società Italiana di Mutuo Soccorso de Piracicaba — parceira do projeto — no lançamento oficinal do instituto. Na noite também figuram trabalhos do Studio 415 e da Oficina da Dança.
Divididas em duas turmas — períodos da manhã e tarde —, elas têm aulas com duração de uma hora e 30 minutos com profissionais especializados como Débora Zambello, Daniela Zambello e Camilla Pupa, recebem uniforme completo, lanche e vale-transporte. Presidido por Adriana Dedini Ricciardi, o instituto vê na realização do projeto o acesso direto à educação. “Temos o objetivo de formar as bailarinas e colocá-las no mercado de trabalho. A primeira apresentação das meninas aconteceu no evento De Portas Abertas, na Dedini Indústrias de Base, que é a patrocinadora do projeto. As meninas são filhas de funcionários da empresa”, conta Adriana.
“A apresentação delas foi um sucesso. Nos surpreendemos com a seriedade em que as crianças encararam a apresentação”, revela Tânia Lacreta, vice-presidente do instituto, que prevê a ampliação do número de crianças atendidas. “Nosso objetivo é o de atender 100 crianças, mas para isso precisamos de novas parcerias. Queremos que as empresas percebam que podem apoiar um projeto em que seus próprios filhos serão beneficiados, além de ter abatimento fiscal”, aponta.
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EDUCAÇÃO — Anteontem as bailarinas se apresentaram novamente. O palco desta vez foi o do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”, na “Grande Gala Piracicabana de Dança”, que lançou oficialmente a Cedan (Companhia Estável de Dança) de Piracicaba na cidade que tem direção artística de Camilla Pupa. As crianças apresentaram “A Bailarina”, de Daniela Zambello e Débora Zambello, e “Movimento Sincopado”, de Camilla. As coreografias serão reapresentadas hoje. “A apresentação no Teatro foi muito importante para todos. É preciso mostrar a sociedade o desenvolvimento técnico e artístico das crianças”, afirma Adriana.
A continuidade do projeto visa aulas de dança moderna, história da dança, higiene bucal, nutrição, arte e outras. Os alunos só podem faltar duas vezes ao ano sem justificativa e devem ir bem na escola. O custo que o instituto tem por ano com cada criança é de R$ 1.224. Aqueles que se interessarem em apoiar as ações do podem entrar em contato com as diretoras pelos telefones (19) 3434-0506 (Adriana) ou (19) 3434-9788 (Tânia).

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Desmundos: Hoje, no Sesi

Crédito: Gil Grossi

Com concepção e direção do coreógrafo Luis Ferron, o Teatro Popular do Sesi Piracicaba recebe hoje e amanhã, às 20h, no espetáculo “Desmundos”, da Cia. Mão na Roda. A montagem com interpretação de Hélio Feitosa e Ferron visa modificar o olhar do público sobre a deficiência física. A obra é uma das 12 selecionadas para integrar a terceira edição do projeto Sesi Dança em unidades do Estado. A entrada é gratuita.
“Desmundos” divide-se em dois momentos no que diz respeito ao seu processo investigativo. No primeiro, utiliza-se de telas dos pintores Otto Dix (Alemanha) e Egon Schiele (Áustria), ambos pertencentes ao movimento expressionista europeu, como fonte inspiradora para refletir e admirar a decadência corporal proposta pelos artistas. “No trabalho destaca-se uma dualidade poética que, por um lado apresenta corpos com características fora dos padrões estabelecidos, e por outro, a necessidade de vivenciar um novo olhar, romper paradigmas”, avalia o coreógrafo. Num segundo momento, um dueto desnudo — que conta com um cadeirante —, busca estabelecer um diálogo entre esses dois mundos corporais distintos.
Hoje após a apresentação do grupo acontece um bate-papo com os artistas, e amanhã, às 16h, no Sesi Piracicaba, um workshop com Ferron. O objetivo da aula é trabalhar os princípios básicos da construção do movimento como ferramenta de apropriação do corpo, sensível e expressivo, e propor os elementos investigativos utilizados no processo de construção de “Desmundos”. Só podem participar interessados acima de 16 anos.
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PROJETO — Fundada pela Secretaria de Cultura de Diadema, em 1999, o projeto Mão na Roda surgiu com o objetivo de atender a demanda de pessoas com deficiências, que atualmente recebem aulas de dança em diversos pontos da cidade. Idealizada e dirigida por Ferron, a companhia tem em seu repertório várias obras, como “Omaromar”, “Brasilitudes”, “Estranhos Corpos”, “Pô — Uma Trilogia Poética”, “Imagens”, e outras. Desde o início da sua formação, o grupo busca o aprofundamento na linguagem da dança por meio de um processo investigativo de dramaturgias corporais, resultando em pesquisas de criação cênica-coreográfica.
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SERVIÇO — Sesi Dança 2008 apresenta “Desmundos”. Hoje e amanhã, às 20h, no Sesi Piracicaba (avenida Luiz Ralph Benatti, 600). Amanhã, o workshop é às 16h. A inscrição é gratuita e as vagas limitadas. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3421-2884.

Gala no Municipal

Bruno de Oliveira, solista do Espaço de Danças & Artes Paulista

Marcela Benvegnu

Para oficializar o lançamento da Cedan (Companhia Estável de Dança de Piracicaba) dirigida por Camilla Pupa, o palco do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto” recebe hoje, às 20h30, a “Grande Gala Piracicabana de Dança”. No palco estarão mais de 200 bailarinos oriundos de diversas escolas da cidade, além do Espaço de Danças & Artes Paulista, de São Paulo, que tem direção de Camilla Puppa e Fernando Miranda e se apresenta como convidado. O ingresso é gratuito mediante a entrega de um quilo de alimento não-perecível, que será doado ao programa municipal Banco de Alimentos, que é administrado pela secretaria de desenvolvimento social.
Segundo Camilla, a gala será composta por coreografias de diferentes estilos. “Isso promove um grande encontro e integração das escolas locais, que só a arte da dança é capaz de fazer”, fala a diretora artística. “Nesse encontro a dança demonstra à sociedade sua pretensão em estabelecer-se como um eixo cultural importante, não só no Estado de São Paulo como no Brasil. Temos muitos talentos aqui e a criação de uma companhia estável visa a profissionalização dos nossos alunos. É possível viver de dança atualmente e precisamos popularizar a dança, porque o que não é divulgado, acaba”.
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PROGRAMA — A coreografia de abertura da gala fica por conta do Espaço de Danças & Artes Paulista, com o clássico de repertório “Diana and Acteon”, com remontagem de Camilla Pupa. Na sequência a ONG Arte em Sua Vida apresenta “A Bailarina”, de Daniela Zambello e Débora Zambello; e “Movimento Sincopado”, de Camilla Pupa. O Clube de Campo de Piracicaba traz ao palco “Fadas”, de André Malosá e Ivana Vendemiatti; “Talismã”, de Malosá, e “Quando a Noite Cai”, de Ivana e Fernanda Ferreira.
Também na noite figuram os trabalhos da Oficina da Dança, que apresenta “Paquita”, com remontagem de Camilla Pupa e Marcela Lacreta; “Águas Primaveris” e “Carnaval em Veneza”, com remontagem de Camilla, e “Happy”, de Gabriela Fioravante e Leonardo Sandoval. O Clube Cristóvão Colombo apresenta “Wendy e as Sereias”, de Greice Arthuso e Patrícia Veiga; o Balé Jussara Sansígolo, leva ao palco “Fandangos”, também de Patrícia, e a Cia. de Dança Rogéria Zago, apresenta “Metrópole na Roça” e “Clubes 30”, de Ricardo Dias.
Ainda na apresentação estão a Corpos Ballet com “Gueixa”, de Ana Neves; a 7&8 Cia. de Dança com “Confronto”, de Marcos Túbero e Sônia Braga, e “Um Só”, de Túbero e Fernanda Ferreira; a Empório da Dança com “Exílio”, de Edilson Schawb; o Studio 415, com a suíte do balé “La Bayadere” — remontada por Rodrigo Baptista — e o Espaço de Danças & Artes Paulista, com “Les Petit”, de Daniela Alonso e “Mascarade”, de Eduardo Bonnis. Os solistas do Espaço de Danças & Artes Paulista foram recentemente medalhistas de festivais de dança no Brasil com bolsa para balés no exterior.
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SERVIÇO — “Grande Gala Piracicabana de Dança”. Hoje, às 20h30, no Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”. Entrada gratuita mediante a entrega de um quilo de alimento não-perecível. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3434-2168.

Cedan sai do papel

Camilla Pupa, diretora da Cedan


Marcela Benvegnu

A Cedan (Companhia Estável de Dança) de Piracicaba finalmente saiu do papel. O anúncio foi feito ontem pela manhã pelo secretário da Ação Cultural, Omir Lourenço, e pela diretora da companhia, Camilla Pupa, em coletiva de imprensa realizada no Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”. O lançamento oficial da companhia — garantida pela criação da Lei nº 6072/2007 —, acontece depois de amanhã, às 20h30, no Teatro Municipal, quando várias escolas de Piracicaba apresentam seus melhores trabalhos.
A Cedan tem por finalidade incentivar e possibilitar a criação e um corpo de baile amador permanente, que apresente periodicamente espetáculos, propiciando a formação teórica e prática do bailarino. “Além de aulas práticas com professores renomados, temos como meta ensinar noções sobre história da dança, análises e interpretações das coreografias, improvisação, expressão corporal, montagem de espetáculos e, claro, visitas a teatros, espetáculos, seminários, e outras companhias de dança”, fala Camilla.
A Cedan funcionará a princípio dois dias por semana em local a ser definido, com uma carga de trabalho de cinco horas — podendo ser ampliada. Os 20 bailarinos da companhia serão selecionados mediante audição, no dia 20 de setembro, a partir das 9h30, na Sala 2 do Municipal, por uma banca de renome no mundo da dança. Estarão em Piracicaba Maria Pia Finocchio, presidente do Sindicato dos Profissionais de Dança do Estado de São Paulo; Addy Ador, a única primeira bailarina brasileira na história do American Ballet Theatre, e Eduardo Bonnis, coreógrafo de diversas companhias de dança no Brasil e exterior. “É muito importante que Piracicaba receba estas personalidades e que a dança cresça como um todo. A Cedan é a união das escolas da cidade”, aponta Lourenço.
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AVALIAÇÃO — Os candidatos serão avaliados durante aula técnica de balé clássico e prova prática de aptidão, sendo que somente os aprovados durante a aula técnica estarão credenciados a realizar a prova prática que compreende uma variação do repertório clássico do século 18 ou 19, ou um solo livre (ponta para meninas). A avaliação obedecerá aos critérios de relação corpo e espaço, presença cênica, musicalidade, capacidade de assimilação de seqüências, qualidade de movimento, habilidade de improvisação, domínio técnico e harmonia músculo esquelética. Uma prova escrita em forma de redação — sem caráter eliminatório — será realizada. O tema deve ser escolhido pelo candidato mediante uma lista fornecida junto com a ficha de inscrição.
Só podem se inscrever maiores de 14 anos. Meninos tem que ter no mínimo dois anos de experiência em dança, e meninas prática de no mínimo seis anos, sendo que deve ter dois anos de prática de ponta. O resultado dos bailarinos aprovados será divulgado no dia 3 de outubro.
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SERVIÇO — Audição da Cedan. Dia 20 de setembro, 9h30 na sala 2 do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”. A inscrição é gratuita e vai até o dia 15 de setembro. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3434-2168.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

... Dance sempre Ivonice

A bailarina e coreógrafaa Ivonice Satie faleceu esta madrugada. O velório será no Teatro Sérgio Cardoso, das 13h às 17h. O enterro será amanhã, no Cemitério do Morumbi.

Ivonice estudou na Escola Municipal de Bailados de São Paulo, onde atuou por 14 anos no então Corpo de Baile do Theatro Municipal de São Paulo — atual BCSP. Durante oito anos foi bailarina e solista do Ballet du Grand Théatre de Genève, de onde voltou para dirigir o BCSP. Foi ela a responsável pela criação da Companhia 2, do BCSP. Também foi assistente da Cisne Negro Companhia de Dança. Suas obras já foram dançadas por grupos e companhias relevantes como a Jeune Ballet de France, Teatro da Cidade de Wiesbaden, Croatia National Ballet, Genève Junior Ballet, San Francisco Ballet, Maximum Dance Company (Miami), Cia Dançando com a Diferença (Ilha da Madeira), Miami City Ballet, Fernando Bujones (São Paulo), e outras.

Expande Dança no fim de semana

Legenda: A piracicabana Luisa Banov, da Porto Alegre Cia. de Dança
Crédito: Cíntia Bracht


Marcela Benvegnu

Entre os dias 9 e 27 de agosto, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, por meio da Associação Paulista dos Amigos da Arte, realiza a mostra de dança Expande Dança em três espaços da cidade: no tradicional Teatro de Dança (Centro), na Casa das Rosas (Paulista) e no Circo Escola Águia de Haia (Ermelino Matarazzo). A abertura do projeto acontece oficialmente amanhã, às 20h, no Teatro de Dança com o espetáculo “Olhos Fechados no Sol”, baseado nas percepções do coreógrafo escocês Mark Sieczkarek, para o lançamento da Porto Alegre Cia. de Dança, que conta com a participação da piracicabana Luisa Banov.
“Olhos Fechados no Sol” mostra como um mesmo local pode abrigar o céu e o inferno. No espetáculo, o inferno é retratado pelo lixo, que está em todas as partes e do qual todos querem se afastar. O céu é retratado pelo mar, sua beleza e paz. Na obra de Sieczkarek, entretanto, a arte é capaz de mostrar como o lixo pode ser belo e luxuoso — e como não se pode definir o que é o céu e o que é o inferno.
Uma das inspirações para a montagem é a usina de reciclagem da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Movimento dos Direitos dos Moradores de Rua, de Porto Alegre, que o coreógrafo visitou diversas vezes. A experiência que teve em meio aos trabalhadores ajudou no processo de criação. “A dignidade que estas pessoas conquistaram trabalhando com lixo, sua força de vontade e alegria de viver são inspiradoras,” diz Sieczkarek, que atua na coreografia.
Ao som de Dona Edith, Cat Power, grupo Olá Odum Orim, Gustav Malher, Arnaldo Antunes, Erik Satie e Caetano Veloso, a Porto Alegre Cia. de Dança dá corpo à pesquisa feita na usina de reciclagem e entre contrastes e paradoxos reverencia — de forma não linear — pequenos gestos, que vão aos poucos modificando o olhar do público.
Dia 16 de agosto a programação chega à zona leste, no Circo Escola Águia de Haia, onde se apresentarão grupos, escolas e coletivos da região. No programa também estarão os criadores-improvisadores Diogo Granato (São Paulo) e Dudude Hermann (Belo Horizonte), além da Companhia Brasileira de Danças Clássicas de São Paulo, com uma récita balés clássico de repertório.
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NÃO PERCA — No dia 18 de agosto, às 14h30, será realizado um encontro — Fomento e Difusão da Dança em São Paulo, Atualidade e Perspectivas — no Teatro de Dança para discutir os rumos da dança brasileira, com a presença de Guy Darmet, curador da Biennale de La Danse de Lyon; André Sturm, coordenador da unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural na Secretaria de Estado da Cultura e Carlos Augusto Calil, Secretário Municipal de Cultura, com a mediação da consultora do Teatro de Dança, Cássia Navas.
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PARA VER — “Olhos Fechados no Sol”, com a Porto Alegre Cia. de Dança. Amanhã às 20h, e domingo, às 18h, no Teatro de Dança (avenida Ipiranga, 344, subsolo do edifício Itália), em São Paulo. Ingressos custam R$ 4 (inteira), R$ 2 (meia-entrada). Mais informações (11) 2189-2557.

Revista de Dança

Queridos amigos e seguidores do Tudo É Dança, Escrevo hoje para dividir com vocês todos, que dançam comigo aqui durante todos esses anos, ...