quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Dance na www















Marcela Benvegnu
O mês de janeiro é bem diferente da agitação de julho, quando acontecem os maiores festivais de dança do país — Joinville, Brasília, Indaiatuba — e passa longe da programação de novembro e dezembro, quando a maioria das escolas de dança apresentam seus espetáculos de encerramento. Janeiro é mês de férias em escolas regulares e também companhias profissionais. Mas aqueles que quiserem se atualizar com as novidades do circuito do movimento podem navegar pela internet, o mundo da dança também está em suas páginas.
Dois dos endereços mais acessados pelos bailarinos e pesquisadores são o Idanca (idanca.net) e o Conexão Dança (conexaodanca.art.br). O site do Idanca — que está em férias até o final do mês — disponibilizou todo o seu arquivo para consulta e pesquisa. É possível navegar à vontade e acessar artigos, filmes, críticas e galerias. A agenda tem os eventos que foram enviados com antecedência e se você precisar conferir alguma programação será possível encontrar.
Os maiores pesquisadores em e de dança do país publicam seus artigos e comentários no Idanca — que tem versão em inglês. Se você ainda não conhece o site, vale a pena se cadastrar gratuitamente. Os organizadores do espaço, com coordenação de Sônia Sobral (leia Itaú Cultural), edição Nayse López e redação de Julia Lima, vêem no endereço a possibilidade do intercâmbio nacional e internacional sobre dança contemporânea. O projeto não tem fins lucrativos e é mantido pelo patrocínio da Petrobras — via Lei Rouanet.
O Conexão Dança se difere do Idança quanto à proposta. Eles falam sobre todas as manifestações e estilos, como sapateado, danças populares, folclóricas, hip-hop e outras. É possível ler as mais recentes matérias publicadas na mídia brasileira na sessão de notícias, conferir as audições — em janeiro o destaque é para a Cia. Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil —, ler artigos, saber sobre cursos de férias, editais, datas comemorativas, banco de projetos, e outros.
Agora se você já devorou esses endereços e seu vasto material, vale espiar os nacionais Quem Dança é Mais Feliz (geocities.com/quemdancaemaisfeliz/), Dança em Foco (dancaemfoco.com.br), Cia. Deborah Colker (ciadeborahcolker.com.br), All Dance (alldance.com.br), Vem Dançar Comigo! (vemdancarcomigo.com.br), Portal da Dança (dancas.com.br) e o site do FID — Fórum Internacional de Dança (http://www.fid.com.br/).

Tom da (e na) dança

Marcela Benvegnu

O termo suíte, de origem francesa, nasceu para denominar sequências de dança no período barroco. Porém, hoje, é empregado para designar uma organização de peças musicais, dispostas a formar um conjunto para serem tocadas sem interrupções. É isso que “Suíte Para Tom Jobim”, espetáculo que o Studio de Dança Christiane Matallo apresentou ontem e reapresenta hoje, às 20h30, no Teatro do Centro de Convivência Cultural de Campinas, propõe.

A montagem concebida em forma de sequências coreografias se une a música brasileira para homenagear Antônio Carlos Jobim (1927-1994), que completaria 80 anos de vida em 2007. Apesar de não estar mais presente, o maestro deixa à todos sua maior riqueza: a música, que no palco se transforma em dança por meio de coreografias de balé clássico, sapateado e dança contemporânea.

No espetáculo será possível ver e ouvir canções como “Wave”, “Forever Green”, “Querida”, “Samba de Maria Luiza”, “Favela”, “Água de Beber”, “Pato Preto”, “Surfboard”, “Lamento”, “Garota de Ipanema”, “Só Tinha de Ser Com Você”, “Passarim”, “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Piano na Mangueira” e “Águas de Março”. A maioria delas será executada ao vivo por instrumentistas — Vânia Lucas, Gilberto de Syllos e Mário Ferez — que esporadicamente dividem o palco com Paulo Jobim (filho de Tom), que também recheou o espetáculo com belas e inéditas histórias. “Suíte Para Tom Jobim” tem direção artística de Christiane Matallo — que além de sapatear irá cantar, tocar saxofone e piano.

BRASILEIRO — Antônio Carlos Jobim foi o compositor brasileiro mais famoso dentro e fora do Brasil na última metade do século 20. Inicialmente tocando como pianista se consagrou como compositor nos anos 50, ainda na fase das parcerias com Marino Pinto, Billy Blanco, Dolores Duran e Newton Mendonça. Ficou conhecido internacionalmente em 1961, quando “Desafinado” e “Samba de Uma Nota só”, haviam entrado nas paradas de sucesso norte-americanas. Com ele a bossa nova — que em 2008 comemora 50 anos — se estruturou e passou a ser conhecida em todo o mundo.

PARA VER —“Suíte Para Tom Jobim”, com o Studio de Dança Christiane Matallo. Hoje, às 20h30, no Centro de Convivência de Campinas (Praça Imprensa Fluminense, s/n, Cambuí). Ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada). Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3232-4148.
Foto: Matheus Medeiros/JP

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Todos os olhares sobre o corpo

Coreografia ‘Sem’, de Fernanda Bevilaqua para o Uai Q Dança / Crédito: Beto Oliveira

Marcela Benvegnu, de Uberlândia

Desde segunda-feira, Uberlândia respira e reflete dança — ou melhor, corpo — em um dos mais importantes eventos do Estado de Minas Gerais, denominado Olhares Sobre o Corpo. Organizado pelo Uai Q Dança, — leia-se Fernanda Bevilaqua — a atividade que vai até domingo em diferentes locais e horários, tem como objetivo criar um espaço de trocas sobre corpo, lugar e modos de produção.
O evento conta com exibição de vídeos, palestras, espetáculos, workshops e debates.O espetáculo de abertura foi “Sem” — abreviação de Sempre Em Movimento — de Fernanda, para o Uai Q Dança, que foi concebido a partir de um interesse comum sobre as implicações da saudade e da ausência de algo, alguém ou lugar no corpo. Uma lista de saudades pessoais e cartas escritas à mão e enviadas por correio pelas intérpretes é o que aciona os impulsos corporais e a dramaturgia da cena. O elenco é formado por Clara Couto, Iara Schmidt, Luciane Segatto, Patricia Arantes e Patrícia Borges.
Na terça-feira, depois do espaço de trocas — no qual acontecem as palestras e bate-papos — foi a vez de “Um Diálogo entre o All Star e a Sapatilha”, de Aline Schwartz; na quarta, Juliana Penna apresentou “Fome Nto Me”, seguido de “Por Mim”, de Luciana Branco.
Ontem, os espetáculos tiveram sequência com “300 dpis”, de Aninha Reis, criada e produzida pelo projeto proposto por Wagner Schwartz, Transobjeto Coletivo em 2006. A performance teve como foco as possibilidades de inter-relação do corpo com objetos cotidianos e as mídias digitais.
Hoje, às 20h30, acontece o lançamento da Cartografia Rumos Itaú Cultural 2006/2007, com a participação de Sônia Sobral. A Cartografia inclui um livro com 20 textos separados em três partes — obras coreográficas, videodança e contextos — além de dois ensaios fotográficos. O material também acompanha uma série de DVDs com os registros das 25 pesquisas coreográficas contempladas na última edição do Rumos Dança, os cinco videodanças e um DVD com uma série de 27 entrevistas com os artistas.
Esse repertório de informação dá parâmetros para a leitura e compreensão de parte das questões que moviam artistas de dança contemporânea em 2006. A coleção é distribuída gratuitamente a instituições culturais, educacionais e de preservação da memória artística. Hoje serão exibidos os cinco videodanças, “Sensações Contrárias”, de Amadeu Alban; “FF”, de Karenina de Los Santos, Letícia Nabuco, Marcello Stroppa e Tatiana Gentile; “Jornada ao Umbigo do Mundo”, de Alex Cassal e Alice Ripoll; “Fora de Campo”, de Cláudia Müller e Valeria Valenzuela, e “Passagem”, de Celina Portella e Elisa Pessoa.
Mais informações: http://olhares.arteblog.com.br/.
(publicada em 15 de dezembro)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Bolshoi em cena

Marcela Benvegnu

Depois de oito anos de trabalho intenso — muita falação e até especulação da imprensa brasileira — a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB) forma sua primeira turma de dança clássica com 20 alunos. O feito também engloba os alunos de dança contemporânea — 23 bailarinos — que tiveram aulas por quatro anos. Ontem, nas dependências da escola em Joinville aconteceu a formalidade da colação para familiares dos formandos e hoje, às 20h, no Centreventos Cau Hansen o espetáculo será aberto ao público.
Dividido em dois atos, o primeiro com coreografias contemporâneas de Amarildo Cassiano e Clébio Oliveira e no segundo, a suíte do balé de repertório “Dom Quixote”, remontada especialmente para os formandos de dança clássica pelo russo Vladimir Vasiliev, o espetáculo de formatura — que tem o patrocínio da Vonpar e da Vivo — reúne 107 alunos.O coreógrafo Clébio Oliveira parece concordar com a tese do filósofo francês Voltaire (1694-1778) que afirma: “O segredo de aborrecer é dizer tudo.” Num mundo de super exposição na mídia — de Orkut, blogs e big brothers — dançar e remeter ao mistério da vida é tarefa das mais delicadas. Sua coreografia “E Se Eu te Contasse o Meu Segredo?” defende a liberdade de ser e pensar diferente — caráter próprio da dança contemporânea — e, afinal, de todo homem.
“Lugar de Alguém”, de Amarildo Cassiano, professor da ETBB, transforma música em movimento. A coreografia não tem a preocupação de mostrar uma história, tema ou personagem. É o resultado de uma pesquisa sobre a relação entre a música e a dança, o som e o movimento, suas possibilidades e multiplicidades. Essa relação pode ser feita pelo tipo de impulso que a música provoca ou pela busca de uma nova leitura corporal que preze o repensar do corpo em seu grande potencial de comunicação.
A suíte do balé “Dom Quixote”, de Marius Petipa, será apresentada na segunda parte do espetáculo. Vasiliev ensinou aos estudantes não apenas os detalhes técnicos dessa ou aquela cena do balé como também deu a cada um, papel de ator, explicando as personagens que deveriam representar ali. O cenário, assim como no caso da suíte do balé “O Quebra-Nozes”, foi desenhado pelo próprio coreógrafo. Hoje em dia há uma tendência de coreógrafos desenhar cenários para suas próprias produções, pois isto ajuda a criar uma tela unificada, indivisível de coreografia e cenário no palco.

Crédito: Nilson Bastian

Dançar o Natal


Marcela Benvegnu

Já é uma tradição. Há 24 anos, no mês de dezembro, o Cisne Negro Cia. de Dança, de São Paulo — umas das mais consagradas companhias de dança do Estado — remonta o mais tradicional dos balés: “O Quebra Nozes”, de Marius Petipa e Lev Ivanov, com música de Pietr Ilyich Tchaikovsky. A montagem estréia no próximo dia 13, às 21h, no Teatro Alfa, em São Paulo e pode ser vista pelo público até o dia 20 de dezembro. O trabalho conta com o elenco fixo do Cisne Negro Cia. de Dança, bailarinos contratados e alunos do Estúdio de Ballet Cisne Negro com destaque para Hernan Piquin — solista convidado do Teatro Colón e primeiro bailarino do Ballet Argentino de Julio Bocca— ; Vladimir Condereche — bailarino e coreógrafo radicado nos Estados Unidos — e Denise Siqueira, solista da Cisne Negro Cia. de Dança. Encenado em dois atos, o balé conta a fantasia de Clara, uma menina que na noite de Natal ganha muitos presentes, mas se encanta de uma maneira especial por um deles, um boneco quebra-nozes. Quando todos vão dormir, Clara vai à sala para brincar com seu novo presente adormece e entra no mundo da fantasia. Os brinquedos ganham vida, dançam, lutam, viajam para O Reino das Neves e Reino dos Doces, onde Clara e seu príncipe são homenageados com danças típicas de vários países e com o pas-de-deux da Fada Açucarada. O espetáculo conta com direção artística de Hulda Bittencourt e direção de ensaios de Dany Bittencourt

A COMPANHIA — Considerada uma das melhores companhias contemporâneas do país, a Cisne Negro nasceu de uma circunstância especial: sua diretora artística, Hulda Bittencourt, agregou as alunas do já famoso Estúdio de Ballet Cisne Negro com alguns atletas da Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo. A aproximação desses dois universos deu ao grupo sua principal característica: uma dança espontânea, energética, viril e de grande qualidade técnica e artística. O grupo já trabalhou com coreógrafos importantes, entre eles: Vasco Wellencamp (Portugal), Gigi Caciuleanu, Michael Bugdahn e Patrick Delcroix (França), Janet Smith e Mark Baldwin (Inglaterra), Ana Maria Mondini, Dany Bittencourt, Denise Namura, Tíndaro Silvano, Mário Nascimento e Rui Moreira (Brasil), Júlio Lopes e Luis Arrieta (Argentina), Victor Navarro (Espanha) e Itzik Galili (Israel). Mais informações: cisnenegro.com.br

Crédito: Reginaldo Azevedo

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Béjart para sempre


Marcela Benvegnu


Os olhos azuis de Maurice Béjart, 80, um dos maiores coreógrafos do mundo se fecharam para sempre ontem em Lausanne, na Suíça, onde o francês morava e dirigia o Béjart Ballet Lausanne desde 1987. O artista, que tinha problemas de saúde há anos e foi hospitalizado na semana passada para ser submetido a um tratamento cardíaco e renal estrito que deveria durar várias semanas, não resistiu.

Acostumado a dizer que não temia a morte porque ela era uma certeza, o coreógrafo de “Bolero” — uma de suas mais famosas coreografias — , de Maurice Ravel (1960) declarou uma vez à agência de notícias suíça que o ser humano morre sempre a tempo e que o tempo é contado de maneira diferente para cada um. Segundo a assessora de imprensa de Béjart, Roxane Aybek, em entrevista ao Jornal de Piracicaba ontem, o funeral do coreógrafo acontecerá na segunda-feira e às 16h, na sede da companhia haverá uma cerimônia pública.

“Estamos muito tristes em anunciar a morte de Béjart. Perdemos um coreógrafo que revolucionou a dança no século 20 e que era o diretor de uma das mais importantes companhias de dança do mundo”, disse Roxane. “Ele dirigiu a mesma companhia por mais de 50 anos sem interrupções sob diferentes nomes. Muitos bailarinos estão perdendo um pai, um mentor, um inspirador. E nós, estamos perdendo um amigo, um criador, visionário e humanista”, disse Peter Berger, presidente da Fundação Béjart Ballet Lausanne, em e-mail enviado ao JP.

A morte do coreógrafo não irá interromper as turnês e a programação de sua companhia de dança. O grupo prepara a estréia de “A Volta ao Mundo em 80 Minutos” (“Tour du Monde en 80 Minutes”), para o dia 20 de dezembro em Lausanne. Depois seguen em turnê mundial. As apresentações serão em homenagem a memória do ícone que dizia que a dança era a combinação de tempo com espaço e a música era o tempo e o movimento que ocupam este espaço. A continuação da companhia está garantida por contrato pelos próximos três anos.

Béjart criou aproximadamente 250 balés e mostrou um novo modo de se fazer dança com “Symphonie Pour Un Homme Seul” sobre a música de vanguarda de Pierre Henry e Pierre Schaeffer.

Os 20 anos da Quasar


Marcela Benvegnu

Por Instantes de Felicidade”, coreografia que comemora os 20 anos da Quasar Cia. de Dança, será apresentada nos dias 1 e 2 de dezembro, no Teatro Alfa, em São Paulo. O novo trabalho da companhia goiana busca inspiração nos 20 espetáculos anteriormente montados para a criação de um “exercício de liberdade” — como classifica o coreógrafo Henrique Rodovalho — , porém, não deriva diretamente deles, não revisita e não faz releituras, o que pode-se dizer que é ótimo.Segundo o coreógrafo, uma reflexão feita sobre o histórico da Quasar orientou o processo criativo em busca de elementos presentes na trajetória de duas décadas. Entre eles, destaque para a atmosfera irreverente e bem humorada das cenas — uma característica de Rodovalho não só nas montagens da Quasar, mas na maioria das coreografias que assina — além da energia visceral e o desejo de “dançar diferente” que motivaram a criação do grupo com características tão próprias. Para o coreógrafo, o resultado desse balanço dos 20 anos resultou numa proposta artística livre, mas consciente, com o intuito de explorar com leveza a rupturas de amarrar que foram surgindo com o tempo. “Por isso, não atribui ao espetáculo nenhuma linguagem, nenhum tema, nenhuma orientação específica”, ressalta Rodovalho. A liberdade como proposta está evidente em todos os aspectos da obra: recursos cênicos e sonoros, figurino, movimentação, trilha sonora. “Dizem que a felicidade plena não existe, o que buscamos aqui são pequenas porções de felicidade, momentos, instantes”, explica. O cenário de Letycia Rossi recria ambientes de uma casa com paredes brancas, verdes, azuis e algumas peças de mobiliário. Os tons neutros e a limpeza visual também são referência para o figurino concebido pela Caligrafia. A trilha sonora mistura estilos em músicas cantadas por Carla Bruni, Cibelle, Céu, Madeleine Peyroux, Joanna Newsom, Keren Ann e Moreira da Silva. O espetáculo também se utiliza de canções que aparecem em filmes como “Eu, Você e Todos Nós” e “Kill Bill”. No elenco da montagem estão Aretha Maciel, Camilo Chapela, Daniel Calvet, Érica Bearlz, João Bragança, Karime Nivoloni, Rodrigo Cruz, Simone Camargo, Samuel Kavalerski, Valeska Gonçalves.
PARA VER — “Por Instantes de Felicidade”, com a Quasar Cia. de Dança. Sábado dia 1º de dezembro, às 21h, e domingo, dia 2, às 19h, no Teatro Alfa, em São Paulo. Os ingressos têm preços variados. Mais informações (11) 5693-4000.
Crédito: Rubens Cerqueira

Thank you, Dance!

by Judy Smith "