terça-feira, 28 de setembro de 2010

Andanças....

Nem vou mais me desculpar... e nem vou dar mais explicações sobre o tempo sem tempo para poder passar aqui. Esse blog que nunca teve textos em primeira pessoa, só críticas, artigos, ensaios, só tem essas mensagens agora. Um novo tempo mesmo. Hoje faz exatamente um ano que eu estou trabalhando em São Paulo. Gente, loucura. Passou tão rápido. Enfim, passei aqui hoje para indicar eventos bacanas que estão acontecendo por agora e que eu vou estar com o maior prazer do mundo!


Começa amanhã em Paulínia, a décima primeira edição do Brasil Internacional Tap Festival, que reúne os melhores sapateadores do mundo, entre eles a grande estrela do Emmy Awards, Jason Samuels Smith. Tem também aulas com Aaron Tolson, Maud Arnold, Steven Harper, Caio Nunes, Fernanda Bevilaqua, e claro, Christiane Matallo, organizadora do evento (espero profundamente não ter esquecido de ninguém). A programação inclui apresentações dos internacionais (amanhã, ás 20h30), dos amadores, na quinta, Jam session na sexta. Tudo é gratuito e rola no Theatro Municipal de Paulínia. Ah! Tem também o Clic do Tap, que é assinado por mim e está na oitava edição! Imperdível gente. 

Ainda no interior, no dia 6 de outubro, começa o 1 Festival de Dança de Piracicicaba. Um festival muito aguardado e esperado. Uma vontade política da gestão atual que acabou dando certo. (morro de medo de falar de política nesse período de eleição em que tudo pode ser configurado como campanha... pelo amor de Deus) e que confesso particularmente que ralei muito para que isso desse certo enquanto morei na cidade. O evento tem TUDO para ser muito bacana, jurados de peso, pessoas que pensam a dança e lutam por ela, além de grupos convidados que tem uma força muito representativa no cenáraio da dança brasileira. Não posso deixar de falar, sem e com modéstia, da São Paulo Companhia de Dança, que apresenta Tchaikovsky Pas de Deux, no dia 7, às 20h, no Municipal, com entrada gratuita. Os bailarinos da Companhia - Paula Penachio e Norton Fantinel - dão um show de precisão e técnica em cena. É imperdível gente. Um convite aos olhos.  Tem muita coisa interessante para ver: Frank Ejara, com a Discípulos do Ritmo, Steven Harper com "Combo", Galpão 1 Erika Novachi com "Momentos a Flor da Pele", a linda da Daniela Severian com a apresentação de dois trabalhos e muito, muito mais. Vou estar lá para aplaudir e para dividir o meu olhar com todo mundo nas mesas de avaliação que são seguidas de conversas com os grupos. A realização é da Semac, com direção geral de Camilla Pupa. | A foto dessa parte do post é do Reginaldo Azevedo e é uma interpretação de Tchaikovsky Pas de Deux, um balé Balanchine, que na ocasião estava sendo executado pela Aline Campos e pelo Ed Louzardo, também bailarinos da SPCD. 


 E para aqueles que estão mais longe, lá no Sul, a boa da vez é ir para o Bento em Dança (em Bento Gonçalves que fica a 1h30 de Porto Alegre), que tem coordenação artística da Bia Mattar e rola em duas fases. Muita gente bacana vai passar por lá, tem competição, cursos... Entre os nomes Caio Nunes, Amarildo Cassiano, Ricardo Scheir e outros. Vou ministrar uma palestra (dia 12) e claro, espero vocês para discutirmos o que olhar num trabalho coreográfico de festival e entender como a crítica que se dá ali tem que ser separada do gosto pessoal. Tarefa difícil, não é? Se vocês quiserem saber mais sobre esse evento, deêm uma passadinha no site que é www.bento-em-dança-com.br 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dia da Bailarina

Marcela Benvegnu

Hoje é dia 1 de setembro.... trabalho numa Companhia de Dança e nem me lembrei que era Dia da Bailarina. Ando não me lembrando de muitas coisas, de muitas pessoas. Mas isso vai mudar. Mudou já. Preciso antesme lembrar de mim... 
Enfim... escrevi um texto sobre a "bailarina" para a Erika Novachi, primeiro minha amiga, minha irmã gêmea, depois minha sócia no Congresso Internacional de Jazz Dance por diversos motivos... Como nós (eu e ela) gostamos resolvi dividir com vocês. 
O texto também é um pouco para mim.... 



Para Erika Novachi
 
Ser bailarina é se encontrar todo dia, se reencontrar a cada passo.
Ser bailarina é se olhar no espelho e se reconhecer.
Ser bailarina é ter uma referência e ver que com o tempo você não precisa mais dela para sonhar.
Ser bailarina é acordar a todo tempo para uma nova realidade.
Ser bailarina é se reinventar a cada coreografia, gesto ou palavra.
Ser bailarina é encontrar a própria linguagem e ver que o seu corpo é capaz de dançar várias delas.
Ser bailarina é poder se reconhecer no corpo do aluno que tem você como referência.
Ser bailarina é se permitir sonhar por meio dos movimentos.
Ser bailarina é poder saber que nao é feio chorar porque cresceu.
Ser bailarina é sentir algo diferente a cada dia.
Ser bailarina é se permitir sentir o que quiser, sempre, sem se preocupar com o dia de amanhã.
Ser bailarina é viver o todo e não a metade inteira.
Ser bailarina é transformar o tempo em momento.
 

domingo, 29 de agosto de 2010

Emoções Baratas

 Marcela Benvegnu
Emoções Baratas: novo elenco, mesmo sabor | Foto de Luis Tripolli | Divulgação

...Há uma semana fui a convite do meu amigo Leandro dos Anjos assistir Emoções Baratas, de José Possi Netto, com direção musical de Guga Stroeter, no Estúdio Emme, em Pinheiros aqui em São Paulo. Ouvia até então burburinhos da montagem que explodiu na cidade nos anos 80 e pensava como poderia ser essa peça-musical-dança-teatro que tanto falavam e unia o jazz dance com o jazz music. 
Fui. E adorei. A big band que revisita o jazz de Duke Ellington é excelente, assim como as cantoras Bibba Chuqui e Karin Hils,que trazem à cena 29 canções. O elenco de bailarinos faz com que você também queria se movimentar na cadeira. Isso quando um deles não aparece e te toca, quase te convida para algo que não se pode desvendar na cena. A movimentação jazzística aparece forte no corpo dos intérpretes e e até causa um certo estranhamento, tamanha confusão que o estilo nos provoca (e nos coloca) hoje. 
Vale lembrar que no elenco de bailarinos original estavam Rui Moreira, Suzana Yamauchi,  Ana Mondini e outros e a peça é dedicada a todos os profissionais envolvidos na montagem de 1988. 
Recomendado.

PARA VER - Emoções Baratas, no Estúdio Emme (avenida Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros). Tel: 2626-5835. 5,ª, 21h; 6.ª, 21h30; sáb. 21h; dom. 19h. | Ingressos cusam entre R$ 50 e R$ 80. A montagem pode ser vista até dia 31 de outubro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Gypsy: pode ver duas vezes


Marcela Benvegnu

Esse post é na verdade um recado:

Vale a pena ver Gypsy, de Charles Moeller e Claudio Botelho, em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo. Como protagonistas deste clássico da Broadway, que tem texto original de Arthur Laurents, música de Jule Styne e letras de Stephen Sondheim estão a estoneante Totia Meireles (Rose), Adriana Garambone (Louise – Gypsy Rose Lee) e Eduardo Galvão (Herbie). 

Recheado de 18 números musicais, as coreografias originais de Jerome Robbins (1918-1998) foram remontadas por Janice Botelho e Flávio Salles (sapateado), no Rio de Janeiro, e em São Paulo, o elenco infantil foi ensaiado por Kika Sampaio (sapateado). A montagem tem supervisão coreógrafica de Dalal Achcar.

A grande sensação do espetáculo (além do trio de protagonistas) é mesmo o elenco infantil. Fazem papel de gente grande, sapateiam de verdade. As coreografias tem a tônica do musical e apresentam força, ritmo e entrosamento. Muito bem trabalhados. Muito bom.
Vontade de ir de novo.


PARA VER: www.teatroalfa.com.br

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dzi Croquettes!

Marcela Benvegnu

Contei os dias para poder assistir "Dzi Croquettes", um filme de Raphael Alvarez e Tatiana Issa. Fiz contagem regressiva. Estava louca para ver e rever as coregrafias de Lennie Dale (1934-1994) e constatar mais uma vez como esse grupo foi importante para a emancipação da liberdade dos indivíduos de uma época, e como eles foram capazes de projetar um estilo de dança por vezes e sempre marginalizado: o jazz dance. 

Quando comecei a pesquisar a história do jazz no Brasil e "me encontrei" com Lennie (foto ao lado) foi amor a primeira vista. Eu queria ver e ouvir tudo o que existia sobre o grupo e sobre ele. Nunca soube se Lennie era um corpo que dançava, ou a dança em forma de corpo. 

Talvez eu nunca saiba.  
O filme começa com a sua voz ("And one, and two, and three, and four. That´s right children!") e ela já toma conta do corpo inteiro do expectador. As imagens, fotos e depoimentos que sucedem a obra, são um convite à história do jazz dance no Brasil. 

Permeado por depoimentos de ex-Dzi (dos 13 só restaram 5) e de figuras como Luis Fernando, Liza Minelli, Claudia Raia, Marília Pera, Ney Matogrosso, Nelson Motta, Gilberto Gil, Miguel Falabella, e outros, o filme narra de forma clara a importância do grupo no movimento da contracultura brasileira da década de 70, época em que o trabalho do Dzi não ganha somente as páginas dos jornais brasileiros, mas do mundo.


O Dzi Croquettes formado por Wagner Ribeiro, Lennie Dale, Cláudio Tovar, Cláudio Gaya, Ciro Barcellos, Bayard Tonneli, Rogério de Poli, Carlinhos Machado, Paollete, Roberto Rodrigues, Eloy, Bene, Reginaldo, foi  um grupo que transformou medo em liberdade e estranhamento em alegria. Rever esse movimento hoje na tela do cinema, é um privilégio. É ter aula de história em cores. Apesar de um pouco longo e repetitivo, o documentário (cartaz ao lado) é imperdível. 

Vejam o trailler em 
http://il.youtube.com/watch?v=Otch5bIi8L8&feature=related 
e corram para o cinema.

domingo, 18 de julho de 2010

SPCD no Cinema

Com direção de Evaldo Mocarzel (foto|crédito: divulgação Paulínia Cultura) "São Paulo Companhia de Dança", exibido ontem, às 18h30, no Paulínia Festival de Cinema é um convite aos olhos. Não posso escrever muito porque é diferente quando você conhece intimamente sobre o tema principal que o outro se debruça, conhece um pedaço da sequência, sabe como aquele ou este passo é complicado, sabe como as pessoas se doaram e se doam para que o todo seja realizado. Fato é que no filme, nos reencontramos. Assim, ele é todo verdade.

Reproduzo aqui trechos do texto de Celso Sabadim, para o Cineclick (UOL):

A boa notícia é que São Paulo Companhia de Dança, apresentado no sábado (17/7) no Festival de Paulínia, é encantador. Durante 30 dias, Evaldo e sua equipe acompanharam de perto todo o processo de criação do espetáculo Polígono, de Alessio Silvestrin, montado pela Companhia de Dança que dá nome ao documentário. Entrevistas como o coreógrafo? Depoimentos sobre como a vida de bailarino é difícil? Pais e mães contando sobre o cotidiano de seus filhos/artistas? Nem pensar! O filme é totalmente visual e sensorial. "A palavra aqui não é nem coadjuvante; eu diria que é acidental", diz o cineasta.

São pouco mais de 70 minutos de um belíssimo desfile de imagens e sensações onde o corpo humano é ao mesmo tempo objeto e ação. Com luz primorosa e montagem nunca menos que brilhante. Na apresentação de seu filme aqui em Paulínia Evaldo disse que brigou várias vezes com seu montador, que chegou a abandonar o projeto três vezes. Valeu a pena: está na edição/montagem do filme um de seus maiores trunfos.
São Paulo Companhia de Dança segue a linha contemplativa, intimista e reflexiva do também belíssimo Quebradeiras, do mesmo diretor. Tanto neste como naquele, Evaldo abandona a fala, o verbal, para apostar suas fichas e apontar suas lentes para o vislumbre visual que - de fato - enche os olhos. Mesmo porque "o cinema e a dança são duas artes que podem prescindir da palavra", diz o cineasta.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

São Paulo Companhia de Dança

 Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine | The George Balanchine Trust 2010 | Crédito: Reginaldo Azevedo

É o "fim do planeta" eu trabalhar na São Paulo Companhia de Dança e nunca postar nada por aqui. 
Então se ligue na agenda da SPCD nas próximas semanas. Vale a pena estar com a gente! Dúvidas: comunicacao@spdc.com.br

De 12 a 15 de julho tem Oficina Intensiva de Dança Clássica com Bóris Storokjov, na sede da SPCD. As vagas estão esgotadas. Se ligue no site da Companhia www.saopaulocompanhiadedanca.art.br que em breve tem novidades por aí.

Dia 13 tem Espetáculo Aberto para Estudantes no Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão, às 16h. O espetáculo no Festival de Inverno está marcado para, às 21h. No repertório: Serenade, de George Balanchine e Gnawa, de Nacho Duato.

Dia 17 aqueles que estiverem no Paulínia Festival de Cinema devem conferir às 17h30 o lançamento do filme São Paulo Companhia de Dança, de Evaldo Mocarzel. Imperdível. 

Dia 18, em Indaiatuba, no encerramento do Passo de Arte 2010, Paula Penachio e Norton Fantinel interpretam Tchaikovsky Pas de Deux, de George Balanchine.

Dia 27 vale a pena conferir o último depoimento público da série Figuras da Dança 2010, com Sônia Mota. A atividade acontece às 20h, no Teatro Franco Zampari. A entrada é gratuita. 

Prestigie!

Thank you, Dance!

by Judy Smith "