quinta-feira, 11 de outubro de 2007

“Carmen” de Antonio Gades


Marcela Benvegnu

Meses antes de falecer, visando proteger seu legado, o bailarino flamenco Antonio Gades (1936-2004) criou uma fundação. Uma instituição encarregada de zelar pelo seu patrimônio artístico, e que ajudasse a difundir a sua obra, fomentando, a partir dela, um maior conhecimento da dança espanhola em todo o mundo. O maior projeto da empreitada foi a criação da Companhia que leva seu nome e que chega ao Theatro Municipal de São Paulo, no próximo dia 30, quando a trupe apresenta “Carmen”. No dia 31, eles voltam ao palco com “Bodas de Sangre” e “Suíte Flamenca”.

A montagem de “Carmen” é o resultado de colaboração de Gades no filme “Bodas de Sangue”. A história de Carmen é a de uma obsessão. Como diz Emilio Sanz Soto, “Carmen e Don José se devoram pelo prazer de devorar-se. Não é a tragédia grega que buscava uma salvação ou uma condenação. Aqui só a morte nos pode libertar do desejo. A impossibilidade de desviar o destino”.

É curioso que esta personagem tão representativa da Espanha, a “espanhola” por antonomásia, tão definida por seu físico, por sua estampa; seja uma invenção francesa. Porque é da França, pelas mãos de Prosper Merimée e de Georges Bizet, que calaram tão fundo em nossos costumes, que nos chega Carmen. A versão da companhia para a montagem é totalmente dançada. No palco a dança é protagonista absoluta, e é sinônimo de ritmo, música, movimento.


ÍCONE — Antonio Gades, o grande nome do flamenco mundial nasceu em Elda, Alicante e em pouco tempo conquistou a Espanha e o mundo, com suas coreografias altamente criativas e carregadas de força e sensualidade. A participação de sua trupe nos filmes de Carlos Saura, especialmente “Bodas de Sangre”, “Carmen” e “Amor Brujo”, ampliou ainda mais o público do grande bailarino e coreógrafo. Foi a partir de sua experiência cinematográfica que Gades transpôs para o palco a obra de Merimée celebrizada pela música de Bizet. “Carmen” transformou-se em um sucesso absoluto da companhia e ninguém até hoje conseguiu como Gades extrair a carga de sensualidade que funciona como fio condutor da tragédia da cigana e de Don José.

PARA VER — Compañía Antonio Gades. Dia 30, “Carmen” e dia 31, “Bodas de Sangre” e “Suíte Flamenca”. Às 21h, no Theatro Municipal de São Paulo. O valor dos ingressos ainda não foi divulgado. Mais informações (11) 6163-5087.

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