segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Interessa(nte), sim. | Crítica

A Quem Possa Interessar, de Henrique Rodovalho | Foto: Divulgação
Marcela Benvegnu


Foi com a casa lotada, que o Balé do Teatro Castro Alves de Salvador (BA) subiu ao palco do Sesc Vila Mariana ontem, para apresentar A Quem Possa Interessar, de Henrique Rodovalho, e encerrar sua temporada em São Paulo. Com direção de Jorge Vermelho, o  grupo baiano composto por 23 bailarinos ainda apresentou entre quinta-feira e sábado: À Flor da Pele, de Ismael Ivo e 1POR1PRAUM, de Vermelho.

A Quem Possa Interessar tem a linguagem leve e fluída de Rodovalho, diretor e coreógrafo residente da Quasar Cia. de Dança, de Goiânia, mas com um sotaque baiano interessante: a preservação da identidade de cada bailarino. A montagem, que tem como mote a memória do corpo e surgiu a partir do questionamento da identidade dentro de um coletivo, deixa cada um dos intérpretes à vontade. Em cena, Ângela Bandeira é Ângela Bandeira, assim como José Antonio Sampaio, Lila Martins, Luis Molina e todos os outros bailarinos.

Os conjuntos, sempre iniciados com duos, ou trios e vagarosamente preenchidos pelo resto do elenco, tem suas marcações coreográficas, mas também cedem espaço para a gramática corporal de cada intérprete, seja pela capoeira, pela dança afro, pelos acentos do jazz. A movimentação proposta pelo coreógrafo, baseada em um pensamento norteador voltado para o bem estar, o prazer e alegria, é consonante com o repertório de possibilidades de cada corpo presente com seus 35 ou 60 anos.

Fios que se assemelham à cordas de um instrumento musical dividem o espaço do palco sem coxias, com um quadrado de linóleo branco. Atrás das demarcações, um espaço de transição para que eles se assistam dançando, uma sala de visitas à meia luz, com direito a cadeiras e bancos. Entre as trocas do figurino branco e preto, assinado por Márcia Ganem, a iluminação de Irma Vidal e Rodovalho chama a atenção e desenha algumas cenas. A luz dos espetáculos do coreógrafo tem sempre essa função: dançar com o todo.

Entre músicas brasileiras e internacionais, que vão de Seu Delegado, de Luiz Gonzaga a Valse D`Amelie, de Yann Tierse, A Quem Possa Interessar, apesar de um pouco longo, cumpre a função de mostrar o envolvimento pessoal de um grupo com a dança, e revela “a quem possa interessar” quem é quem, e que é possível continuar sendo único mesmo quando é preciso ser igual.

TCA - O BTCA é um dos corpos artísticos do Teatro Castro Alves - juntamente com a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) - e é mantido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O Balé foi fundado há 30 anos - uma das figuras que ajudou nesta criação foi Antônio Carlos Cardoso, -  como a primeira companhia profissional de dança contemporânea do Norte e Nordeste do Brasil.  No seu repertório estão mais de 50 montagens assinadas por coreógrafos como Victor Navarro, Luis Arrieta, Carlos Moraes e Tíndaro Silvano.


OLHARES | Leia um outro olhar sobre este mesmo espetáculo em www.odileodete.blogspot.com, por Flávia Fontes Oliveira.

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