sábado, 19 de fevereiro de 2011

Núcleo de Pesquisa em Dança

Marcela Benvegnu

Para quem está em Curitiba a fim de investigar o corpo e pesquisar, parece uma boa.  

O IMP - Investigação do Movimento Particular existe desde 2007 no Vila Arte Espaço de Dança e tem como objetivo proporcionar um ambiente de pesquisa em dança estimulante e provocativo, pautado essencialmente na experiência. Trata-se de adquirir saberes a partir de uma construção coletiva de interesses, em tempo real, porém compreendendo e acolhendo as particularidades de mover e criar de cada integrante. Nossa pesquisa tem o corpo como território de passagem das experiências investigativas, mas os desdobramentos desses corpos dançantes são infinitos
 
A atividade, com orientação de Juliana Adur, começa no dia 4 de março. 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Interessa(nte), sim. | Crítica

A Quem Possa Interessar, de Henrique Rodovalho | Foto: Divulgação
Marcela Benvegnu


Foi com a casa lotada, que o Balé do Teatro Castro Alves de Salvador (BA) subiu ao palco do Sesc Vila Mariana ontem, para apresentar A Quem Possa Interessar, de Henrique Rodovalho, e encerrar sua temporada em São Paulo. Com direção de Jorge Vermelho, o  grupo baiano composto por 23 bailarinos ainda apresentou entre quinta-feira e sábado: À Flor da Pele, de Ismael Ivo e 1POR1PRAUM, de Vermelho.

A Quem Possa Interessar tem a linguagem leve e fluída de Rodovalho, diretor e coreógrafo residente da Quasar Cia. de Dança, de Goiânia, mas com um sotaque baiano interessante: a preservação da identidade de cada bailarino. A montagem, que tem como mote a memória do corpo e surgiu a partir do questionamento da identidade dentro de um coletivo, deixa cada um dos intérpretes à vontade. Em cena, Ângela Bandeira é Ângela Bandeira, assim como José Antonio Sampaio, Lila Martins, Luis Molina e todos os outros bailarinos.

Os conjuntos, sempre iniciados com duos, ou trios e vagarosamente preenchidos pelo resto do elenco, tem suas marcações coreográficas, mas também cedem espaço para a gramática corporal de cada intérprete, seja pela capoeira, pela dança afro, pelos acentos do jazz. A movimentação proposta pelo coreógrafo, baseada em um pensamento norteador voltado para o bem estar, o prazer e alegria, é consonante com o repertório de possibilidades de cada corpo presente com seus 35 ou 60 anos.

Fios que se assemelham à cordas de um instrumento musical dividem o espaço do palco sem coxias, com um quadrado de linóleo branco. Atrás das demarcações, um espaço de transição para que eles se assistam dançando, uma sala de visitas à meia luz, com direito a cadeiras e bancos. Entre as trocas do figurino branco e preto, assinado por Márcia Ganem, a iluminação de Irma Vidal e Rodovalho chama a atenção e desenha algumas cenas. A luz dos espetáculos do coreógrafo tem sempre essa função: dançar com o todo.

Entre músicas brasileiras e internacionais, que vão de Seu Delegado, de Luiz Gonzaga a Valse D`Amelie, de Yann Tierse, A Quem Possa Interessar, apesar de um pouco longo, cumpre a função de mostrar o envolvimento pessoal de um grupo com a dança, e revela “a quem possa interessar” quem é quem, e que é possível continuar sendo único mesmo quando é preciso ser igual.

TCA - O BTCA é um dos corpos artísticos do Teatro Castro Alves - juntamente com a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) - e é mantido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O Balé foi fundado há 30 anos - uma das figuras que ajudou nesta criação foi Antônio Carlos Cardoso, -  como a primeira companhia profissional de dança contemporânea do Norte e Nordeste do Brasil.  No seu repertório estão mais de 50 montagens assinadas por coreógrafos como Victor Navarro, Luis Arrieta, Carlos Moraes e Tíndaro Silvano.


OLHARES | Leia um outro olhar sobre este mesmo espetáculo em www.odileodete.blogspot.com, por Flávia Fontes Oliveira.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Congresso de Jazz Dance | Terceira edição

Marcela Benvegnu


Se você ainda não foi, tem que ir. Se foi com certeza vai querer ir novamente. A terceira edição do Congresso Internacional de Jazz Dance no Brasil acontecerá em Indaiatuba, de 21 a 24 de abril. Neste ano um trio de professores internacionais e mais quatro professores brasileiros prometem quatro dias total de imersão a este gênero de dança. Eles são: Rose Calheiros, da Alemanha, que programou aulas de Latin Jazz ao som de música brasileira; Josh Bergasse, que vem pela segunda vez, direto da Broadway Dance Center, de NY, com o melhor do Musical Theatre, e Derek Mitchell, que acabou de coreografar Se Ela Dança, Eu Danço 3 e é coreógrafo do So You Think You Can Dance. Dereck vem ao Brasil com exclusividade para o Congresso!

O quarteto de professores brasileiros é formado pela talentosa Marly Tavares, ícone de jazz dance no Rio de Janeiro, por Erika Novachi, que ministrará aulas de lyrical jazz, Luis Coelho que traz ao evento uma aula teórica sobre iluminação cênica e Ronnie Kneblewsi, com técnica vocal com ênfase em Teatro Musical.

Para completar a programação ainda teremos o Por Falar em Jazz, em que será possível conhecer mais sobre a carreira de Marly Tavares e Rose Calheiros; a Mostra Avaliada de Jazz Dance, na qual os professores internacionais tecem comentários sobre os trabalhos apresentados e também a mostra de trabalhos científicos, em que pesquisas que tem como foco principal o jazz dance são apresentadas.

Metade das vagas já foram preenchidas.... Corre para pegar a sua e entrar no mundo do Jazz Dance no seu feriado de Páscoa!

Acesse www.congressodejazzdance.blogspot.com

Espero vocês lá!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pausa continuada

Confesso que não sei quantas vezes prometi aqui que iria escrever com mais frequência, ainda mais trabalhando em uma Companhia de Dança, no caso a São Paulo Companhia de Dança, porém a correria deste lugar de movimento me colocou em pausa aqui por alguns meses.

Mas... minha amiga Flávia Fontes, dona do OdileOdete www.odileodete.blogspot.com que vale a visita, porque ela atualiza os posts praticamente todo dia, me vez voltar! Obrigada Flavis! Ah! Ela também me contou que as estatísticas agora são públicas aqui e eu vi que tinha um monte de gente entrando pra ler coisas novas... e só lia velhas, porque eu não postava.

Prometo tentar postar algo toda semana!

Como esse é o meu primeiro post de 2011. Feliz Ano Novo! Que a gente dance a vida... e as palavras que saem agora da pausa.

domingo, 31 de outubro de 2010

Vem vindo...

Marcela Benvegnu

Quem ainda não tem programação cultural para essa semana. Agende-se.

LUIS ARRIETA | Estará em cartaz no Teatro da Dança, em São Paulo, com Carnaval dos Animais. Composto sobre músicas do compositor francês Camille Saint-Saëns (1835-1921) a montagem é pontuada de humor com referências a questões como memória e herança genética. Segundo o coreógrafo a peça pode ser descrita como um trabalho expressionista em que os movimentos, às vezes abruptos e inesperados, investigam as possibilidades do corpo desde a gestação.  De 5 a 7 de novembro | Sexta às 21h, sábado às 20h, domingo às 18h | Ingressos R$ 4 e R$ 2 | Teatro de Dança.


Quasar Companhia de Dança | Divulgação

QUASAR CIA. DE DANÇA | A Companhia estreia no Teatro Alfa a coreografia "Tão Próximo" no final de semana. O talento e a fertilidade criativa do coreógrafo Henrique Rodovalho, associados a um singular elenco de bailarinos vem seduzindo platéias. Ao longo dos anos, a linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Companhia, com uma arrojada e característica exploração do movimento, resultou na criação de inconfundíveis signos rítmicos, que deram identidade própria à Quasar. Dias 6 e 7 de novembro | Sábado, 21h, domingo, 18h | Setor 1 e 2 = R$ 60 Setor 3 e 4 = R$ 40 | Teatro Alfa.


AINDA ROLA...

ECA | ARTES CÊNICAS | Na quinta-feira, dia 4, às 8h30, vou ministrar uma aula de história da dança na Universidade de São Paulo (USP) para o pessoal do primeiro ano de artes cênicas. Um passeio do renascimento ao final do século 19, ilustrado com vídeos e histórias. A atividade é fechada.


SPCD | Na sexta-feira, dia 5, começa a segunda fase da audição 2010 da São Paulo Companhia de Dança. Dedos cruzados porque a fase já é eliminatória. A atividade é fechada.

MÚLTIPLA DANÇA | No sábado, dia 6, acontece a última fase do projeto Múltipla Dança, em Jacareí. Os grupos irão apresentar seus trabalhos para seleção final. Serão escolhidas as cinco melhores propostas, que receberão uma verba e apresentarão posteriormente o resultado coreógrafico. Antes da apresentação explicarei aos grupos um pouco sobre o que é e os rumos da crítica de dança no Brasil. A atividade é fechada.

sábado, 30 de outubro de 2010

Inteligentes relações

Marcela Benvegnu

Em cartaz até amanhã no Teatro da Dança, em São Paulo, Relações Humanas, de Ricardo Scheir e Eduardo Menezes mostra como uma escola de dança pode e é capaz de homogeneizar corpos. RH é técnico, belo, sutil e inteligente. A começar pela escolha do fio narrativo. A montagem é inspirada nos pensamentos do filósofo, historiador e ensaísta americano Will Duran (1885-1981) que afirma que “a realidade básica da vida está nas relações humanas”. E é no contato dos corpos que essas relações sustentam a obra.

Eduardo Menezes abre as cortinas como um espectador. É o olhar de fora para dentro, do mundo das máquinas para dentro de cada relação, indivíduo, corpo, que demonstra suas particularidades, limites, facilidades, e ao mesmo tempo, em pouco mais de 30 minutos, revela uma gramática corporal reconhecível. É interessante quando se pode reconhecer um coreógrafo por ela: o modo Scheir e Menezes de coreografar e o modo Pavilhão D dos corpos responderem.

Nos solos, duos, trios, sextetos e no conjunto, a dança contemporânea se mistura com a clássica para revelar um trabalho consistente. O grupo fala o mesmo idioma de forma harmônica no espetáculo todo. O figurino de Alice Hayasaka se modifica com o passar do tempo, ou melhor, com a transformação das relações estabelecidas. As cores vão ficando mais fortes, a saia vira calça, vestido. Tudo é muito sutil e faz com que o olhar do espectador procure a diferença, o diferente, o pensamento, a fragilidade e o encontro. E a luz, às vezes mais clara ou mais escura, dança com eles.

As projeções, que figuram na cena desde o início do espetáculo, são bem colocadas. Em nenhum momento são maiores do que a coreografia, a não ser quando Menezes, ao final de seu solo, abraça um mundo de imagens imaginadas de cabeça para baixo. Um mundo em preto e branco, que as relações da vida nos fazem enxergar colorido.

O palco é preenchido durante todo o espetáculo e as transições coreográficas são bem amarradas. Bem ensaiado e dirigido (por Scheir e Claudia Riego), RH traz à cena um espetáculo de escola com cara de algo mais. O grupo reflete sua própria imagem, talvez outra realidade básica da vida. Espelho invertido? Na dança não é diferente, às vezes também é preciso olhar o outro para se (re)conhecer.

PARA VER - Relações Humanas, de Ricardo Scheir e Eduardo Menezes, no Teatro de Dança (avenida Ipiranga, 344, subsolo, Edifício Itália | Centro) em São Paulo. Amanhã, às 18h. Ingressos custam R$ 4 | R$ 2. Livre.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Baryshnikov e Ana Laguna: falta ar

Ana Laguna e Baryshnikov em Place, de Mats Ek | Foto: Divulgação
Marcela Benvegnu

Uma noite memorável em que o corpo do espectador é suspenso pela arte da dança. Uma noite em que a dança encontra a maturidade e ela se revela no palco. Uma noite para ficar guardada na memória do corpo.

Ontem quando Baryshnikov e Ana Laguna subiram ao palco do Teatro Alfa, em São Paulo, as mais de 900 pessoas que lotaram o local pareceram desaparecer. O espaço foi tomado por aqueles corpos que sabem o sentido do movimento. Não foi simplesmente técnica, muito menos execução. Foi dança.

O programa Três Solos e um Dueto, muito bem escolhido para a turnê brasileira, começa com Valse Fantasie, solo de Baryshnikov, coreografado por Alexei Ratmansky (2009). A coreografia é pontuada pela música de Mikhail Glinka e marcada pela definição de movimentos do intérprete. Inteiro de branco, com um casaco de forro azul, Baryshnikov não precisa mais dançar para dizer. Sua imagem fala sozinha.

Na sequência, o público pode apreciar um extrato da divina Solo For Two (1996), de Mats Ek, em que o astro divide o palco com Ana Laguna (que foi casada com Ek). Todos já sabem a força de Baryshnikov, mas ver Ana dançar é um presente aos olhos. Ela parece ser maior do que o palco. A dramaturgia, o modo como se move, a potencialidade do gesto, a força. Vale ser clichê: linda demais. Durante a coreografia quem estava na plateia precisou lembrar de respirar.

A noite ainda contou com Years Later (2006 e 2009) de Benjamin Millepied e Place (2007), de Ek. Years Later, solo de Baryshnikov, já tinha sido apresentado no Brasil na noite de abertura da 25a edição do Festival de Dança de Joinville, em 2007.  Agora, a versão revisitada ganhou uma pitada de humor, como por exemplo, uma cena em que o astro gira piruetas e elas são aceleradas a ponto de ser impossível uma real execução. Na coreografia Baryshnikov se olha no espelho e seu reflexo para plateia não poderia ser outro. Mito. O espetáculo termina com Place, coreografia que traz Ana novamente para o palco e que coloca em cena o diálogo da luz, dos objetos cênicos e dos corpos em movimento.

Mais do que coreografia,  Três Solos e um Dueto propõe história da dança viva por unir dois grandes intérpretes no mesmo palco. Que fique a lembrança, a falta de ar.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "