sexta-feira, 21 de março de 2008

West Side na parada...


Marcela Benvegnu


São Paulo é a Nova York brasileira quando se fala em musicais, ainda mais quando se trata de “West Side Story”, o espetáculo que revolucionou a Broadway quando foi montado pela primeira vez em 1957. Com direção, produção, iluminação e cenografia de Jorge Takla, a montagem que estreou ontem, no Teatro Alfa em São Paulo, conta com a participação de três piracicabanos: Mariana Barros, 28, como bailarina; Felipe Secamilli, 25, como violinista da orquestra, e Francarlos Reis, como um dos protagonistas.

Ambientado em Manhattan nos anos 60, “West Side Story” conta uma história de amor. Trata-se de uma adaptação moderna de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, que nasce em meio à rivalidade de duas gangues de rua — os Jets (nascidos americanos) e os Sharks (imigrantes porto-riquenhos) —, que lutam pelo domínio do bairro. Em meio a tanta incompreensão, Tony, um dos fundadores dos Jets, se apaixona por Maria, a irmã de Bernardo, comandante dos Sharks.

O espetáculo retrata os conflitos de uma juventude que crescia embalada ao som do mambo, do rock e inspirada na rebeldia de James Dean.“O musical está simplesmente maravilhoso”, conta Mariana, que em Piracicaba sempre fez aulas na Escola Espaço e Dança, e em São Paulo estava cursando faculdade de cinema. “Eu estava fazendo aulas de musical e resolvi prestar a audição. Foram mais de três meses entre os testes e a audição final. Fiquei muito feliz com o resultado”, diz.

Este é o primeiro musical de Mariana. “Estamos ensaiando desde o dia 2 de janeiro, cerca de nove horas por dia, com uma folga por semana. Fazemos aulas de balé e canto todos os dias antes dos ensaios corridos”, conta a bailarina, que em cena interpreta Pouline, namorada de um Jet. A coreografia original do espetáculo, de Jerome Robbins (1918-1998), é considerada até os dias de hoje a melhor já concebida para um musical. Na versão brasileira, a adaptação coreográfica é assinada por Tânia Nardini e os figurinos são de Fábio Namatame.

NAS CORDAS - Secamilli é um dos 23 instrumentistas da orquestra do musical. Veterano em espetáculos — já fez “My Fair Lady” — ele ressalta o brilhantismo da composição de Leonard Bernstein (1918-1990). “A música é encantadora, empolgante e bem construída. A cada dia descobrimos algo novo na partitura. Às vezes, Bernstein coloca uma parte com uma certa disposição em um lugar e, de repente, ela aparece em outro, de forma diferente para significar outra coisa. Ele realmente foi um gênio”, diz. “Sem contar as coisas que estão nas entrelinhas, como os ritmos. Por exemplo, quando os personagens principais estão jurando amor um para o outro, a música de fundo mistura o ritmo americano com o porto riquenho”, conta.

A versão musical do espetáculo, traduzida e assinada por Cláudio Botelho, também preza a linha melódica das composições. Botelho traduziu as letras sem perder a tônica das canções americanas. Seu maior desafio foi versão de “Tonight”. A canção exigia uma palavra de duas sílabas para substituir “tonight”, ele encontrou em “você” a chave para manter o ritmo certo e segurar a linha melódica da peça. “O musical é surpreendente e fazer parte dele é um grande privilégio. Estou muito feliz”, revela o violinista.

EXPERIÊNCIA - O piracicabano Francarlos Reis, que foi aclamado pela crítica por seu personagem Alfred Doolittle em “My Fair Lady” — seu último trabalho no teatro — vive Doc, em “West Side Story”. “O bom do ator é que você faz vários personagens diferentes. O personagem que eu faço em ‘West Side Story’ é o oposto do Doolittle. É um homem já vivido, calmo, que não entende a violência e que luta contra ela. Quem vai esperar a comicidade no meu personagem não vai encontrar, vai encontrar a dramaticidade. O que é bom para o ator. Estou muito contente em fazer esta participação especial”, disse o ator no vídeo do musical postado no You Tube (youtube.com/watch?v=5poMz-NIy3c).

Reis tem 39 anos de carreira, atuou em 64 peças de teatro, como “Operação Abafa” (2006), de Jandira Martini e Marcos Caruso, com direção de Elias Andreato; “Abajur Lilás” (2002), de Plínio Marcos, com direção de Sérgio Ferrara; “Procura-se um Tenor” (1995), de Ken Ludwig, com direção de Bibi Ferreira; entre outras. Seu último trabalho foi na série de TV Carandiru, na Globo, e no cinema atuou em “Onde Andará Dulce Veiga?”, dirigido por Guilherme de Almeida Prado. Sob direção de Takla, já atuou em “Medéia” (1997), de Eurípides; “Pequenos Burgueses” (1990) e “O Jardim das Cerejeiras” (1982).

SERVIÇO — “West Side Story”. No Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, 722), em São Paulo. De quinta e sexta, às 21h; sábado 17h e 21h, e domingo, 18h. Os ingressos variam entre R$ 40 e R$ 150. O espetáculo fica em cartaz até 27 de julho. Datas, local, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações: (11) 5693-4000 e 0300 789-3377.

Nenhum comentário:

Revista de Dança

Queridos amigos e seguidores do Tudo É Dança, Escrevo hoje para dividir com vocês todos, que dançam comigo aqui durante todos esses anos, ...