quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Dança da Vida - Crítica de "Adeus China"



Marcela Benvegnu

À primeira vista, “Adeus, China — O Último Bailarino de Mao” (Editora Fundamento), de Li Cunxin, parece ser um livro cuja temática principal é a dança, e que tem como objetivo contar a saga do autor, um garoto que sai da pequena Qingdao, na China, para conquisar o mundo. Mas a verdade é que o texto vai muito além desta pequena — e bem pequena — impressão.
A publicação é um exemplo concreto de determinação, esforço, superação, dor e conquista, que é capaz de emocionar em suas poucas 400 páginas. Sim, porque quando se fecha a contracapa, se quer saber mais. Talvez esteja aí o brilhantismo da poética de Cunxin, que escreve de dentro da dança e consegue tocar qualquer leitor.

A narrativa tem ritmo próprio, bem mais veloz que uma série de piruetas — o ponto forte de Cunxin — e é toda permeada por lendas que costumam ser contadas pelos chineses. A principal delas, que inclusive permeia o livro e a vida do bailarino, é O Sapo no Poço. O texto conta a história de um sapinho que vivia em um poço fundo. Certa vez, outro sapo que vivia do lado de fora o convidou para brincar. O sapinho não pôde aceitar porque não conseguia sair dali, e sabia que seu pai já tinha tentado pular para fora do poço a vida toda. O resultado? O sapinho passou a vida inteira preso, tendo o mundo de fora apenas como um sonho.

Cunxin comprova que a lenda não é verdadeira. O menino, que aprendeu a idolatrar Mao, passou fome, dividiu o Kang (cama) com mais seis irmãos e só tinha roupas remendadas, não só saiu de sua realidade. Ele a transformou e se revelou um dos maiores nomes da dança mundial. Cunxin poderia ter escolhido qualquer profissão, mas a dança o escolheu. Ele optou por sair do poço.
Na publicação, o encontro com a realidade da China torna-se inevitável. A fome, os pés enfaixados das mulheres, o casamento combinado, os filhos, as comunas. A triste e dura vida de um povo, que ainda sofre com a Revolução Cultural que um dia tanto amou, é retratada em detalhes.

O único — único mesmo — porém fica por conta das imagens. O livro não traz nenhuma foto de Cunxin depois que ele se torna o ‘queridinho’ do Ocidente, o primeiro bailarino do Ballet de Houston, e o amigo de grandes estrelas do cinema mundial. Só na capa é possível vê-lo pequeno, aos 11 anos, quando foi um dos escolhidos para entrar na Academia de Dança de Pequim. A solução é imaginar suas conquistas e dançar com suas palavras. “Adeus, China — O Último Bailarino de Mao” é um livro para qualquer um reescrever sua própria história.

6 comentários:

Jani disse...

Lí e achei o livro maravilhoso. Raramente se vê tanta força e deterinação em uma criança. Pois foi ao suportar a dor da primeira seletiva que ele tornou-se, merecidamente, o grande bailarino que é, afinal ainda está vivo.

Tarcisio Cunha disse...

Gostei muito da sua crítica. Inclusive, coloquei no meu blog, com os devidos créditos, claro, espero que não se importe. Gostei muito do seu blog também, parabéns.

Anônimo disse...

Maravilhosooooooooooooooooooo......Amei,e chorei demais...Me emocionou completamente!!!
Senti vontade que meu "DIA"estivesse comigo.

Luana disse...

Um dos melhores livros de dança que já li, indico pra todos que amam a dança, realmente vale a pena! Uma historia de superação, amor, determinaçao e sucesso, onde é impossível não se emocionar e se sentir parte da historia. amei!!!!
Agora estou lendo Tatiana Leskova a historia de uma bailarina que dançou e se consagrou aqui no brasil um pais que, não tem a cultura da dança, por enquanto estou adorando e também recomendo para os que respiram essa arte de dançar.

Luana disse...

Um dos melhores livros de dança que já li, indico pra todos que amam a dança, realmente vale a pena! Uma historia de superação, amor, de terminaçao e sucesso, onde é impossível não se emocionar e se sentir parte da historia. amei!!!!
Agora estou lendo Tatiana Leskova a historia de uma bailarina que dançou e se consagrou aqui no brasil um pais que, não tem a cultura da dança, por enquanto estou adorando e também recomendo para os que respiram essa arte de dançar.

Anônimo disse...

Um dos melhores livros de dança que já li, indico pra todos que amam a dança, realmente vale a pena! Uma historia de superação, amor, de terminaçao e sucesso, onde é impossível não se emocionar e se sentir parte da historia. amei!!!!
Agora estou lendo Tatiana Leskova a historia de uma bailarina que dançou e se consagrou aqui no brasil um pais que, não tem a cultura da dança, por enquanto estou adorando e também recomendo para os que respiram essa arte de dançar.

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