quinta-feira, 26 de junho de 2008

No mundo de Kandinsky

Crédito: Rodrigo Netto

Marcela Benvegnu

O ponto, a reta e a curva são alguns dos personagens inspirados no artista plástico russo Wassily Kandinsky (1866-1944) que estão no palco do infantil “Lúdico”, espetáculo que encerra sua temporada domingo, dia 22 de junho, no Centro Cultural São Paulo — sala Jardel Filho. A concepção e coreografia é da renomada Miriam Druwe, que assina a direção junto com Cristiane Paoli Quito. No dia 28 de junho, a companhia fará uma apresentação extra no Teatro Humboldt.
Contemplado pelo 3º Fomento Municipal à Dança, “Lúdico” propõe de forma colorida e poética um passeio pelo universo da criação de uma obra de arte. Cores e formas se agitam em busca de um lugar. No espetáculo, a reta, a curva e o ponto são personagens que têm características e personalidades próprias. A curva, estilosa, assanhada e sinuosa tem um temperamento e mobilidade corporal que lembra a serpente, é elástica, pode ceder e evitar, porque é capaz de desviar.
O ponto é o início de tudo e por ser o princípio, a tela branca foge dele, porque ela se acha linda assim, e tenta convencer a todos que sendo o mais simples dos elementos é cheia de graça, mas também cheia de expectativa. Já a reta é determinante, mandona, indica caminhos (corporais), tem certeza que é uma junção de pontos (o que é verdade). O círculo preto, circunspecto, sisudo, é meditativo e diz, va-ga-ro-sa-men-te: “Aqui estou”. O círculo vermelho, por sua vez, é troada e relâmpago, apaixonado, irradia para todos os lados e roda, roda, roda. O criador (ou pintor) ao se deparar com a reta, os círculos, o ponto, a curva e a tela, é engolido pela obra. Qual o resultado? Dança.
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MONTAGEM — Há tempos Miriam Druwe alimentava uma paixão pela obra de Kandinsky. Pintor reconhecido pelas cores e formas de suas obras, ele teve contato muito cedo com a música, aos 8 anos. Essa pequena incursão pelas aulas de piano e violino lhe deu noções fundamentais de harmonia e evolução, que depois foram utilizadas em suas pinturas. Como base para todo desenvolvimento e criação de “Lúdico”, Miriam pesquisou no livro “Do Espiritual Na Arte (1912), a primeira grande obra teórica sobre pintura. Nela, o pintor desenvolvia uma investigação filosófica sobre as cores e as formas, às quais conferia valores psicológicos e morais, e as comparava com a música, que, apesar de sua imaterialidade, era capaz de fazer vibrar a alma.
A partir dos elementos pesquisados, Miriam percebeu que o caráter lúdico sempre esteve à sua porta, assim juntou sua paixão pelo pintor russo, cercou-se de profissionais premiados e competentes das artes e percebeu que pela primeira vez em sua carreira falaria às crianças. Assinada por Fabio Cardia, a trilha sonora do espetáculo foi especialmente composta para a montagem.

PARA VER — “Lúdico”. Até domingo, às 16h, no Centro Cultural São Paulo (rua do Vergueiro, 1000). Entrada gratuita. Mais informações (11) 3383-3400.

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