sexta-feira, 7 de novembro de 2008

SPCD inicia Programa 2

'Serenade", de Balanchine
Crédito: João Caldas

Marcela Benvegnu

Depois de estrear com “Polígono”, de Aléssio Silvestrin, a São Paulo Cia. de Dança apresenta agora seu segundo programa, que inclui três peças representativas do repertório proposto pela companhia, marcado por diferentes momentos da história da dança. Dois grandes clássicos do balé do século 20: “Serenade” (1935), de George Balanchine (1904-1983), criado para ser o primeiro espetáculo apresentado pelo New York City Ballet, e “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972), um dos marcos da incorporação do modernismo à dança; além de “Entreato”, concepção inédita de Paulo Caldas.

“Les Noces”, de Nijinska, sobre música homônima de Igor Stravinsky (1882-1971) é a mais importante criação da coreógrafa. Apesar do mote aparentemente trivial — um casamento tradicional de camponeses russos apresentado em quatro movimentos — o trabalho se constitui num marco de inovação artística, por sua peculiar geometria de movimentos e sua austeridade cênica. O balé original já foi executado por companhias como Oakland Ballet Company, Les Grands Ballets Canadiens, Joffrey Ballet e Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre muitas outras.

Já “Serenade” (1935) — que promete ser um dos maiores marcos da noite se bem executado — de Balanchine, sobre a música “Serenade for Strings in C, Op. 48” (1880), de Tchaikovsky (1840-93), foi criada pelo coreógrafo para o School of American Ballet e aborda a distinção entre o bailado em sala de aula e a dança sobre o palco. “Parecia-me que o melhor meio de fazer os alunos compreenderem a técnica de palco era lhes dar algo novo para dançar, algo que nunca tivessem visto antes”, explicou o artista em um de seus escritos. Com a série de exercícios e adaptações que esse trajeto formativo propunha, movimentos de riqueza inesgotável iam se organizando sobre a música de Tchaikovsky.

Serenade é, 74 anos depois de sua criação, uma obra ainda rica em proposições artísticas, um clássico consagrado no repertório internacional. Como Nijinska, o russo Balanchine, freqüentemente citado como o grande criador do balé moderno, explorou as questões formais impostas pela modernidade a partir do rigor clássico. Depois de se exilar no ocidente, em 1924, e juntar-se à companhia de Sergei Diaghilev (1872-1929), entrou em contato com artistas como Stravinsky, Prokofiev, Satie, Ravel, Cocteau, Chagall e Picasso. Com a saída de Nijinska, tornou-se, então com 21 anos, o principal coreógrafo do Ballet Russo de Diaghilev.
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NOVA CRIAÇÃO — A presença da criação inédita de Paulo Caldas — leia-se Staccato Dança Contemporânea — no segundo programa da São Paulo Cia. de Dança reitera a proposta artística da companhia, de congregar tradição e ruptura. “Entreato”, com música de Sacha Amback — composta especialmente — de alguma maneira prolonga elementos de uma procura recente: a continuidade dos fluxos de movimento associada habitualmente à coreografia de Caldas, agora, perturbada por falhas, angulosidades e reversões, enquanto as extremidades do corpo assumem novos usos. Cada um dos bailarinos que integraram o processo de montagem foi também um criador com a oportunidade de experimentar a diferença de sua mobilidade, a partir de uma matriz comum de movimento.
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PARA VER — São Paulo Companhia de Dança — 2º Programa com “Serenade”, “Les Noces” e “Entreatos”. Estréia hoje, às 21h, no Teatro Alfa (rua Bento Branco de Andrade Filho, nº 722), em São Paulo. Ingressos custam entre R$ 30 e R$ 80. O espetáculo pode ser visto até domingo. Mais informações: (11) 3224-1380.

* A crítica deste espetáculo será publicada na semana que vem.

Um comentário:

Eduardo disse...

SPCD NASCE GRANDE.
JA É SUCESSO QUE FICARA PARA A HISTORIA.
FICO MUITO FELIZ E ORGULHOSO DO MEU FILHO FERNANDO PALMA FAZER PARTE DESTE SELETO GRUPO.

PARABENS A TODOS E AO MEU NENE!!!

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