terça-feira, 31 de julho de 2007

As formas de Quick

Marcela Benvegnu

Rodrigo Quik, que dá nome à Quik Companhia de Dança de Minas Gerais, que apresentou a coreografia “Formas e Linhas”, na Mostra de Dança Contemporânea, na última sexta-feira, mostrou que os traços de Rodrigo Pederneiras - coreógrafo residente do Grupo Corpo, de Belo Horizonte, – ainda fazem parte do seu repertório de possibilidades coreográficas.
Não poderia ser diferente, tento em vista que Quick integrou o Grupo Corpo por mais de dez anos, assim como sua assistente coreográfica, a bailarina Letícia Carneiro. Os traços de Pederneiras aparecem de forma clara no trabalho, marcado pela música repetitiva de O Grivo, por conta da movimentação geométrica e pela quebra acentuada dos quadris.
O cenário instigante é construído e modificado durante a coreografia. Uma espécie de cubo, com linóleo branco e elásticos com roldanas que se prendem cada hora em um canto ou diagonal, ajuda os quatro bailarinos da companhia, também formada por Kika Brant e Sandra Santos, a moldarem o trabalho.
A movimentação contemporânea se multiplica ao passo que os elásticos ganham o palco no solo de Quik e mesmo nos duos e trios da montagem. “Formas e Linhas” desenha no espaço gestos simétricos e assimétricos que se repetem a todo o tempo. A dança contemporânea se transforma em matemática é preciso refletir para entender a pesquisa histórica sobre o pós-cubismo, que inclui estudos sobre a arquitetura da Bauhaus, as pinturas de Malevich, Mondrian, Kandinsky, desenhos de Vladimir Tatlin, além de revisões da dança de Merce Cunningham e Rudolf Laban.
De fato, é preciso refletir bastante.

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