terça-feira, 31 de julho de 2007

No aquecimento


Marcela Benvegnu

A primeira noite da mostra competitiva da 25ª edição do Festival de Dança de Joinville, que compreendia trabalhos de balé clássico de repertório (conjunto júnior, grand pas de deux sênior e variação masculina júnior e sênior) e jazzdance conjunto avançada, não foi das mais impactantes. Talvez porque os bailarinos ainda estejam aquecendo as sapatilhas para a maratona da dança que ainda tem muito que emocionar.
O Corpo de Baile Juvenil da Escola de Arte Veiga Valle de Goiânia (GO) foi o primeiro e único a concorrer na categoria de balé clássico de repertório conjunto, com o 1º ato de “Giselle”, de Jules Perrot e Jean Coralli. A coreografia executada pelas bailarinas não deixou a desejar. Elas eram graciosas e tinham pés bem trabalhados, mas poderiam fazer mais. A primeira noite de competição pedia mais.
“Harlequinade”, de Marius Petipa, concorrente do balé clássico de repertório variação masculina sênior foi o grande ápice da noite. O solista André Guilherme Oliveira dos Santos, do Pavilhão D, de São Paulo, fez uma execução perfeita. Além de ser dono de uma técnica apurada, o intérprete é muito expressivo, o que fez com que a platéia se encantasse por ele.
A técnica de Leusson Bento Pereira Muniz, da Cep Ballet Basileu França, também de Goiânia merece ser elogiada. Concorrendo com “Carnaval em Veneza”, de Michel Fokine na categoria de clássico de repertório variação masculina júnior, o bailarino chama atenção por suas piruetas precisas e pela sua musicalidade.
Pode-se dizer que os grand pas-de-deux foram bem executados. Porém, os olhares se voltaram para dois grandes trabalhos, a impecável “Raymonda”, de Luiza Marques de Oliveira e Everton da Conceição, pelo Pavilhão D e para “Chamas de Paris”, de Vainonen, do Conservatório Brasileiro de Dança do Rio de Janeiro (RJ) dançado por Helenilson da Silva Ferreira e Thayara Teixeira Lima do Nascimento. A dupla estava entrosada, é dona de uma excelente técnica de giros e tem bela finalização de movimentos.
Em uma noite de apresentações de balés de repertório se instaura uma questão, já recorrente em festivais de dança: Quem são seus remontadores? Sem a perspicácia desses profissionais, o repertório pode se transformar em uma outra coisa muito distante da forma de preservação da obra. O que se vê em cena é mérito desses coreógrafos, que infelizmente em Joinville não se pode nomear.
E aqueles que esperavam que o jazzdance avançado aparecesse com força total no palco Centreventos, se decepcionaram. Ele entrou e saiu tímido, não com relação aos cenários das coreografias - que demoravam muito para serem montados - , mas sim em sua pesquisa coreográfica. Os movimentos muitas vezes foram apagados por figurinos ou arranjos de cabeça que chegavam a deformar o movimento. Convenhamos que não é preciso abusar de tantas plumas ou cenários, vale mais a pena se preocupar com a concepção.
Quem mais chamou atenção na primeira noite foi, “Tambores Que Vem do Norte... Inebriam Minha Alma”, de Érica Novachi. Talentosa coreógrafa do Galpão 1, de Indaiatuba (SP), Érica conseguiu unir uma movimentação pertinente ao gênero, bailarinos fortes e bem ensaiados à linda composição (“Gates of Istambul”) de Lorena Macknnet com a percussão de Dalga Larrondo. No mais, se viu de tudo, showbiss dos circuitos off-off (mais off) Broadway, panos que tentavam se transformar em movimento e muita, muita dança contemporânea.

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