terça-feira, 31 de julho de 2007

Movimento nas palavras


Marcela Benvegnu


Poesia, dança e romance. Assim é “Tudo O Que Se Espera”, coreografia do talentoso Clébio de Oliveira – também integrante da Cia. de Dança Débora Colker, do Rio de Janeiro – para a companhia que leva seu nome e que foi apresentada na terceira noite da Mostra de Dança Contemporânea do Festival de Dança de Joinville, no Teatro Juarez Machado, no domingo.
O trabalho, livremente inspirado no romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos começa ao passo que os espectadores procuram seus lugares no teatro. Em cena quatro bailarinas se locomovem ao som do acordeon tocado ao vivo pelo instrumentista Antônio Fidélis em um palco coberto por 10 mil folhas sulfite brancas, que fazem o papel das cartas recebidas e das que jamais foram escritas por Ramos. O movimento das palavras em silêncio, revela a espera, a saudade e os destinos incertos.
A movimentação é delicada e ao mesmo tempo precisa. Sutilezas como o toque de um pé em outro para que as bailarinas caminhem no tempo correto, ou uma respiração que marca o início de uma nova seqüência deixa o trabalho mais poético. Sua relação fragmentada e interdependente, mescla a dança contemporânea com as danças brasileiras, ao som de composições de Sivuca, Comadre Florzinha, Quinteto Armonial e outras.
“Tudo O Que Se Espera” foi premiada como a melhor coreografia de 2006 em votação online no “Jornal do Brasil” (RJ) e deixa claro, que Oliveira, bem sucedido em solos autorais como “Uma Barata Só Faz Verão” (2001) e “Valkíria Junia da Silva”, (2002), encontrou sua própria identidade coreográfica.

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