segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A universalidade de Pederneiras


Marcela Benvegnu

A figura de Rodrigo Pederneiras, coreógrafo residente do Grupo Corpo, de Belo Horizonte, foi desvendada pelo jornalista Sérgio Rodrigues Reis em “Dança Universal — Rodrigo Pederneiras e o Grupo Corpo”, de uma forma leve e convidativa. O livro, que acaba de ser lançado pela Imprensa Oficial e integra a Coleção Aplauso, narra a trajetória deste ícone brasileiro da dança contemporânea em 193 páginas de puro movimento.

O que mais chama a atenção na publicação é a forma da escrita. É Rodrigo quem conta em primeira pessoa e parágrafos curtos, sua história, que aliada às fotografias de época fazem com que o leitor divida com ele suas conquistas e glórias. Não é à toa e muito menos por acaso que o Grupo Corpo se tornou o maior fenômeno da dança contemporânea brasileira, já tendo se apresentado no mundo todo.

Reis é feliz quando diz que Pederneiras “moldou a música de Bach, Chopin, Villa-Lobos e Brahms. Conseguiu dar forma ao minimalismo das obras de Marco Antônio Guimarães e Philip Glass. Ajudou a lapidar a brasilidade das composições de João Bosco, José Miguel Wisnik, Tom Zé e personificou as influências urbanas de Arnaldo Antunes e a tropicalidade de Caetano Veloso (...). Fez mais: potencializou a emoção presente nas músicas, por meio dos gestos de seus bailarinos, deu alma a composições esquecidas, levou o público a chorar e a sorrir de emoção”.

Pederneiras imprimiu no Grupo Corpo uma gramática corporal própria. Movimentos que só o seu corpo poderia inicialmente produzir. Conseguiu criar uma matriz perfeita de grandes executores e com isso um idioma que só seus bailarinos conseguem expressar: uma dança de qualidade, que chega ao limite da perfeição proposta e também imposta pelo padrão da companhia.

Em “Dança Universal”, o leitor conhece aqueles que estão por trás de o Grupo Corpo e se depara com uma equipe coesa. O diálogo entre todos funciona por isso: Pederneiras tem espaço e autonomia para criar. Foi assim desde suas primeiras coreografias, como “Cantares” (1978), “Sonata” (1984), “Canções” (1987), “Missa do Orfanato” (1989), “21” (1992), até trabalhos mais recentes, como “Santagustin” (2002), “Leucona” (2004), “Onqotô” (2005) e “Breu” (2007).

Qualquer tipo de menção ou detalhe de sua história ficaria pequeno e sem valor se comparado à riqueza de informações de “Dança Universal”. Diferente daqueles livros biográficos, a publicação vai além e escreve sobre dança para um público leigo. Está aí o tão sonhado e famoso caminho para a formação pela informação. Acesso fácil tendo o prazer como resultado final.

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