domingo, 8 de março de 2009

O Amado Brasil


Marcela Benvegnu
publicado no Jornal de Piracicaba, em 6 de março de 2009 / caderno Fim de Semana

Os aspectos mais corriqueiros da vida popular do povo baiano, seus costumes, modo de ser, agir, religiosidade e estratégias de sobrevivência foram mais do que traduzidos por um escritor da terra: Jorge Amado (1912-2001). Entre suas mais de 30 publicações, destaca-se “Tieta” (1977), espécie de espelho de algumas representações da identidade do povo brasileiro, que depois de ter sido tema de novela e filme, será pela primeira vez na história narrada em forma de musical, pelas mãos de uma mulher, a diretora e adaptadora Christina Trevisan. E para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a montagem “Tieta do Agreste — O Musical”, estrelada por Tania Alves, será apresentada amanhã, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”, com apoio do Jornal de Piracicaba, na abertura da temporada 2009 do espaço. Piracicaba é a primeira e única cidade do interior a receber a montagem que fez temporada em São Paulo e agora excursiona pelo país.

Amado conseguiu expressar em palavras a essência da Bahia. Nas ruas do centro de Salvador ou nas plantações de cacau de Ilhéus, narrou conflitos e injustiças sociais, maravilhas e peculiaridades do seu Estado natal, além de construir personagens que esbanjavam sensualidade, como Tieta. “Quando a produção me procurou para que eu adaptasse a obra em um musical eu fui taxativa e afirmei que não faria algo estilo Broadway. Porque o que era preciso fazer com a obra de ‘Tieta’ era trazer à tona a sua brasilidade”, fala Christina.

Segundo a diretora e adaptadora da montagem, o musical revela um subtexto que vai além do seu regionalismo. “São anseios comuns de qualquer cidade pequena nesse Brasil. É a religião, os conflitos de sexualidade reprimidos, as relações familiares”, revela Christina. “E dentro desta proposta, me aliei ao Pedro Paulo Bogossian, que é o diretor musical, e a Rosely Fiorelli, a coreógrafa, para adaptarmos isso juntos. Eu retirei as letras das páginas do livro de Amado, o Bogossian musicou e a Rosely criou as coreografias. Não apresentaremos um show à la Broadway, porque temos um corpo brasileiro, somos irreverentes, cínicos, entusiasmados. De Broadway só temos o padrão de qualidade”, fala.
Em cena o público verá composições e coreografias que enfocam o forró, samba de roda, xaxado e até o tango. Tudo ao vivo. A banda é formada por seis instrumentistas, que acompanham o elenco em todas as apresentações. “Tenho certeza de que as pessoas se surpreenderão com o trabalho. A prosa de Amado é lírica, tem ritmo, rima. Cada hora nos encontramos em um personagem e aprendemos mais sobre outro. Por isso, Amado nos revela tanto nossa própria identidade e nos permite encontrar muitas Tietas”, atesta Christina.
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CONTEXTO HISTÓRICO
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Nas primeiras cenas do romance, assim como no musical, Sant’Anna do Agreste, pequena vila do interior da Bahia, vive dias de grande expectativa enquanto se prepara para receber Tieta, filha da terra que retorna depois de 25 anos morando no sul do país e trabalhando como cafetina. Aos 17 anos, Tieta (Tania Alves) viverá aventuras amorosas que escandalizaram a população e, denunciada pela irmã mais velha, Perpétua (Maria do Carmo Soares), é expulsa de casa pelo pai Zé Esteves (Osvaldo Raimo).

Desde a sua partida, o único contato de Tieta com a família era por meio de cartas que tinham como remetente uma caixa postal em São Paulo. Além da correspondência, controlada por Carmosina (Neusa Romano), funcionária dos Correios, Tieta também enviava ajuda financeira para o pai, as irmãs, Perpétua e Elisa (Emanuelle Araújo/ Vyvian Albouquerque) e os sobrinhos. Perpétua acredita que Tieta é proprietária de uma butique famosa em São Paulo e que da morte de seu esposo, um comendador, provém a sua riqueza. Quando Tieta retorna a Sant’Ana do Agreste, acompanhada de Lenora (Tânia Paes), que apresenta como sua enteada —, mas na verdade é sua protegida no bordel —, é recebida com grande pompa. O que as pessoas não imaginam é que ela esconde um grande segredo.

“Alguns estudiosos consideram Tieta uma síntese de todas as mulheres de Jorge Amado. Ela é uma mulher da natureza, que cresceu com as cabras e sua referência de sexualidade é a dos animais. Isso gerou liberdade no seu espírito”, fala Tânia Alves. “A trama revela uma história cheia de dramas e preconceitos. O fato de o pai ter batido nela com um cajado e de ela ter ido embora provocou uma grande dor na personagem”, fala. A atriz e cantora revela que em Sant’Ana do Agreste, Tieta é uma espécie de lenda. “Ela volta influente e tem uma posição política ativa. Regressa para perdoar, se reconciliar com a família”, completa Tânia.
A presença de Tieta em Sant’Ana do Agreste deixa marcas profundas. Enquanto a cidade se transforma pela chegada do progresso — Tieta é responsável por levar luz da Hidrelétrica de Paulo Afonso até a cidade — ela se envolve com o seu sobrinho Ricardo — seminarista e filho de Perpétua—; Lenora e o prefeito apaixonam-se, industriais querem sediar uma fábrica de titânio na praia do Mangue Seco, e Elisa sonha em morar com a irmã na cidade grande.

“Elisa é uma típica personagem de Amado. É a irmã mais nova de Tieta, que é casada com um homem que ela julga pacato e que sonha em se mudar para a cidade grande. Com a chegada de Tieta ela enxerga essa possibilidade de mudar de vida”, fala Emanuelle Araújo, que na novela A Favorita, da Rede Globo, viveu a personagem Manu, uma prostituta, assim como Tieta. “Elisa é apaixonada pela vida e é obrigada e enfrentar a educação rígida imposta pelos pais”, completa a atriz, que afirma que a montagem é um verdadeiro presente à cultura brasileira.

Talvez Elisa não consiga realizar seu sonho, pois quando o segredo da vida de Tieta é revelado, ela é obrigada a partir novamente. Mas, Sant’Ana do Agreste e seus habitantes nunca mais serão os mesmos e nunca serão esquecidos por ela. “Interpretar Tieta tem sido algo marcante na minha vida. Gosto de trabalhos ricos e desafiadores. A personagem exige várias nuances e estabelece uma série de relações com o pai, o sobrinho com quem ela tem um caso de amor, que exige muito de mim como atriz”, fala Tânia, que dedica o espetáculo a Jorge Amado e Zélia Gattai (1916-2008). “Certa vez encontrei com os dois e eles me disseram que gostavam do meu trabalho. Então, onde estiverem, minha Tieta é para eles”, completa.
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IDENTIDADE NACIONAL
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A proposta de Jorge Amado e outros modernos foi definida pelo crítico literário Antonio Candido como “ir ao povo”. Amado, de fato, parece não somente ter ido ao povo, como ter feito parte dele para escrever textos que fossem reflexos de pura brasilidade. Segundo a antropóloga llana Seltzer Goldstein, consultora da editora Cia. das Letras para o relançamento das obras do baiano — até 2012 a editora relançará os 32 livros do escritor — e autora do livro “O Brasil Best-seller de Jorge Amado: Literatura e Identidade Nacional” (Ed. Senac), Amado era um grande observador da realidade, que se relacionava com vários extratos sociais. “Com essa capacidade de trânsito, ele foi capaz de ter uma síntese do Brasil muito particular, que tem relação direta com a imagem que ele fez do país”, fala.

Para Ilana, o escritor conseguiu uma penetração tão ampla na forma de o brasileiro olhar o país que acabou formando opiniões. “A literatura dele estava a serviço da nação”, atesta a pesquisadora, que aponta características similares nas obras do autor, pós-década de 50, quando ele abandona a militância política. “A primeira é a força das personagens, que sabem conviver com a diferença, o que é uma característica do brasileiro. A segunda é a mestiçagem, seguida da força da cultura popular. Ele acreditava que a cultura popular deveria inspirar artistas eruditos e sempre dizia que apesar de ter feito direito, nunca foi buscar o seu diploma. Sua faculdade havia sido a do Pelourinho”, conta Ilana.

Entre os pontos também figura o amor do brasileiros a festas, a força dos sentidos e o jeitinho brasileiro de ser. “Ainda incluo uma outra característica à literatura de Amado pensando em ‘Tieta’, ‘Teresa Batista’ e ‘Gabriela, Cravo & Canela’, que é a violência. Violência de diversos níveis, seja física ou entre o arcaico e o progresso. Essa briga entre o velho e o novo está presente em ‘Tieta’. A questão de gênero também. Embora ele seja acusado de colocar a mulher mulata como objeto na maioria dos seus livros, nesses três que citei, ele mostra mulheres que rompem com a convenção. Tieta foi assim”, completa Ilana.
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SERVIÇO — “Tieta do Agreste — O Musical”, com Tania Alves, Emanuelle Araújo e grande elenco. Amanhã, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”. Ingressos custam R$ 50 (inteira); R$ 35 (Clube JP, Unimed e Acipi); R$ 25 (estudantes, idosos e professores estaduais). A peça é recomendada para maiores de 12 anos. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (19) 3434-2168.

Barbatuques de volta

Foto: Manolo Moran

Marcela Benvegnu


Depois de um ano sem se apresentar em São Paulo, o Barbatuques volta com força total e estréia amanhã, às 21h, no Teatro Santa Cruz, o espetáculo “Indivíduo Corpo Coletivo”. O grupo traz à tona sons orgânicos e tribais, colocando-os em contato com sonoridades contemporâneas e celebrando o corpo como fonte infinita de música. Palmas, estalos, batidas no peito, sapateados, vácuos de boca, recursos vocais entre vários outros sons são encadeados na produção de ritmos e melodias.
O grupo tem cumprido uma agenda de shows no exterior, com passagem por países como o Líbano, Espanha, Suíça e França. No final de 2008 fez sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde participou de workshops e apresentações com o reconhecido músico e pesquisador Keith Terry, pioneiro da percussão corporal na costa oeste dos Estados Unidos, além de participar do 1º International Body Music Festival (Festival Internacional de Música Corporal) que aconteceu em dezembro, em São Francisco. O Barbatuques foi o grande destaque do evento que contou com a participação de artistas dos EUA, Indonésia, Canadá, França e Turquia.
A experiência vivida e absorvida a partir desta intensa pesquisa e troca cultural influenciou a criação de “Indivíduo Corpo Coletivo”. O show apresenta diversas composições inéditas além de músicas presentes nos dois CDs e no DVD já gravados pelo grupo.
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NA BATIDA — Fundado em 1996, o Barbatuques é dirigido pelo músico Fernando Barba e conta com 14 percussionistas corporais. O primeiro espetáculo do grupo “A Casa” foi apresentado em 1997 e o primeiro CD da trupe — “Corpo do Som” — foi lançado em 2002. Em 2003 eles lançaram o CD “Marias do Brasil”, destinado ao público infantil e resultado da peça homônima que teve trilha sonora de Chico César e direção musical de Fernando Barba. Na sequência eles lançaram “O Seguinte é Esse” (2005), e foram contemplados com o prêmio Tim de Música como melhor grupo de MPB. Foi no início de 2008 que o grupo lançou seu primeiro DVD “Corpo do Som ao Vivo”.

PARA VER — Indivíduo Corpo Coletivo, com Barbatuques. Estréia amanhã, às 21h, no Teatro Santa Cruz (rua Orobó, 277), em São Paulo. A temporada vai até o dia 29 de março, aos sábados, às 21h, e domingos, às 20h. Ingressos custam entre R$ 40 e R$ 20. Datas, local, horários e valores foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 3024-5191.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Entre Solos, Duos e Trios

crédito: Arnaldo Torres

Marcela Benvegnu

O conhecido Centro Cultural São Paulo é no mês de março de palco para um dos mais importantes eventos da dança contemporânea brasileira. De 4 a 29 de março, o Solos, Duos e Trios agita o espaço, e conta com a participação de nomes consagrados do meio. O objetivo do evento é ampliar a expressão dança contemporânea, suas possibilidades de convivência de idéias de danças e de processos em estágios múltiplos e ampliar o território da criação para um corpo que dança com novos criadores intérpretes.
Em 2009 o evento será dividido em dois programas. No primeiro, o traço característico é a presença de experientes coreógrafos intérpretes. Jorge Garcia aparece com “Nihil Obstat”, um solo que atenta à volatilidade da criação corporal. O trabalho atenta para a liberdade de criação e a possibilidade de transformação, em cada lugar e a cada momento.
Já Diogo Granato, acompanhado de Clarice Lima, apresenta “Dueto”, um exercício em cima da improvisação e coreografia inspirada na música do jazz. “Corpoético”, de Miriam Druwe, com Adriana Guidotte, Miriam Druwe e Tatiana Guimarães — que poderá ser visto em Piracicaba no mês de março no Teatro Municipal “Dr. Losso Netto” — busca um estado de brincadeira com a construção da palavra corporal.
O segundo programa — entre 18 a 29 de março — traz novos coreógrafos e experimentações. O Coletivo de Solos, formado por inúmeros intérpretes e coordenado por Samanta Barros apresenta o projeto “Solos e Reverberações” formado por trabalhos como “O Cego e o Aleijado”, de Alan Scherk; “Entre Contenções”, de Eduardo Fukushima; “Entre”, de Isabel Hölzl; “Porcorpo”, de Manuela Figueiredo; “Um Conto de um Ponto”, de Manuela Afonso; “Uma História Encerrada no Mundo”, de Marcelo Moraes; “Parto da Dança/Noite Escura”, de Ricardo Neves; “O Princípio da Incerteza”, de Samanta Barros, e “Ecologias: Espaços Onde Não Há Mais Espaço ou Pequenos Transbordamentos de Dentro Para Fora”, de Suzana Bayona.
Vale à pena se atentar aos trabalhos de Jorge Garcia, Diogo Granato e Miriam Druwe. Garcia, atuou na Cisne Negro Cia. de Dança e no Balé da Cidade de São Paulo (1997). Fundou o P.U.L.T.S. Teatro Coreográfico e criou a cena coreográfica para o filme “Carandiru”, de Hector Babenco e para “Baile Estelar”, sob direção de José Possi Neto. Atualmente dirige a J. Garcia & Cia. Granato sempre se firmou no cenário da dança contemporânea como um criador e intérprete. É criador da Cia. Nova Dança 4 há doze anos, e diretor do Silenciosas e do Grupo de Terça. Miriam Druwe dirige sua companhia desde 1996 e integrou como bailarina importantes companhias — Balé da Cidade de São Paulo, Cisne Negro, República da Dança e Terceira Dança.

PARA VER — Solos, Duos e Trios no Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 1.000), em São Paulo. De 4 a 29 de março. As apresentações acontecem de quarta a sábado, às 21h, domingo, às 20h. A entrada é gratuita. Mais informações (11) 3397-4002.

Nada. Vamos Ver

Crédito: Flávia Meirelles


Marcela Benvegnu


Questionar os lugares que performer e público ocupam dentro de um espetáculo. Essa é a proposta de Gustavo Ciríaco e sua companhia em “Nada. Vamos Ver”, espetáculo de dança contemporânea que está em cartaz na unidade provisória do Sesc Avenida Paulista. As apresentações acontecem às sextas, sábados e domingos, sempre às 19h. No palco o bailarino propõe um questionamento sobre o papel de público e performer, e quebra as formas tradicionais de apresentação. Os bailarinos ocupam as cadeiras do público e levam os espectadores ao palco.
Como tornar visível aquilo que está presente e constituir a situação de um espetáculo de dança em um teatro? Como explicitar o óbvio, o já acordado, porém já esquecido na relação público e artista? Foram essas questões que impulsionaram a criação de “Nada. Vamos Ver”. “O resultado foi uma montagem colaborativa e interativa, em que se entremeiam as histórias do público e do performer”, fala Ciríaco.
A sala de espetáculos é tratada como um espaço de convivência e evasão. O espetáculo começa com uma conversa informal com o público. Os bailarinos distribuem placas de identificação com os dizeres “público” e “performer” e, ao longo da apresentação, sentam-se no lugar da platéia e trazem o púbico para o palco, invertendo papéis, que também mudam conforme alterações sutis do espaço cênico. Tudo isso sob uma trilha de músicas e ambientações sonoras elaborada pela dupla carioca Arpx, responsáveis por trabalhos anteriores de Ciríaco e montagens do bailarino Bruno Beltrão.
“O espetáculo trabalha a expectativa que tem uma pessoa quando vai ver uma peça de dança, uma série de regras que são tácitas: fazer silêncio, não comer, sentar na platéia, ver algo que tenha início, meio e fim. A gente ainda mantém esse encontro entre público e performer, mas ele está toda hora sendo deslocado. Pois não há espetáculo sem essas duas partes, eles são co-responsáveis por fazer acontecer o espetáculo”, completa o artista.
No dia 28 de fevereiro, o bailarino oferece uma oficina de dança contemporânea gratuita intitulada Compartilhando Histórias. Nela, o coreógrafo vai usar como base a pesquisa de seu novo espetáculo para propor, a partir do movimento e da palavra, modos e estratégias de interação entre público e performer em uma sala de espetáculo, em um intercâmbio de histórias reais, códigos e ficções.
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CIRÍACO — Cientista político, Círiaco formou-se em dança pela Escola Angel Vianna. De 1995 a 2005, formou com Frederico Paredes a dupla Ikswalsinats. Desde 2003, desenvolve projetos independentes em associação com outros artistas brasileiros e estrangeiros, como “Jorge” (2003) e “Uma Conferência Imaginária sobre os Meus Arredores” (2004). Em 2006, estreou “Aqui Enquanto Caminhamos” e em 2007, “Still Sob o Estado das Coisas”. Atualmente leciona história da dança na Escola Angel Vianna e é curador do Condança (Porto Alegre) desde 2003.
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PARA VER — “Nada. Vamos Ver”, de Gustavo Ciríaco. Até dia 28 de fevereiro, às sextas, sábados e domingos, às 19h, na unidade provisória do Sesc Avenida Paulista (avenida Paulista, 119). Ingressos custam R$ 20 (inteira), R$ 10 (usuário matriculado no Sesc, dependentes, idosos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 5 (trabalhador no comércio). Mais informações (11) 3179-3700.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

‘Beijo nos Olhos...’ em BH

Primeiro Ato, de Belo Horizonte, estréia novo trabalho no dia 17
Crédito: Guto Muniz


Marcela Benvegnu

“... Dorotéia, Zulmira, Misael, Senhorinha, Décio, Nono, Boca de Ouro, Oswaldinho, Virginia, Arandir, Timbira, Geni, Olegário, Alaíde, Amado, Ribeiro, dr. Werneck, Leleco, Guida, Paulo, Serginho, Glorinha, ...Nelson! Realidade ou ficção? Memória ou alucinação? Simplesmente Nelson! A paixão que (des)norteia... O desafio: esculpir no corpo de cada bailarino os conflitos e os gritos de seres que desconhecem limites e caminham, iluminados e belos, para o abismo; transformar radiografias tão peculiares do cotidiano brasileiro na linguagem universal do movimento”.

O texto acima foi escrito em Paris, no outono de 1997, pelo coreógrafo Tuca Pinheiro, que mais de dez anos depois, traz o texto para a cena em “Beijo nos Olhos... Na Alma... Na Carne...”, obra coreográfica do Grupo de Dança Primeiro Ato, de Belo Horizonte, que estréia o trabalho no dia 17 de fevereiro, às 21h, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. O grupo planeja uma temporada do espetáculo em São Paulo, ainda este ano.

“As parcerias sempre foram muito importantes em minha vida, muito antes do modismo da palavra. As crenças, a fé, a infância, o contato com o homem, o estudo do seu pensar, a dança, o envolvimento com os bailarinos, a divisão de trabalho, a troca com o público, e finalmente a felicidade de ter o meu país como parceiro, por meio daquele, que foi um brasileiro na íntegra, por ter tido a coragem de nos retratar, no osso, sem batom, beijando nossas realidades”, fala Suely Machado, diretora da companhia, sobre a inspiração de Pinheiro, em Nelson Rodrigues.

Inspirado na apaixonante vida e obra de Rodrigues o trabalho traz consigo algo além do prazer. “A montagem desenha no corpo essa dramaturgia do conflito, do desvio, que é rica em sentido com lirismo e paixão. Temos a oportunidade de devolver ao país, por meio da dança, uma fagulha do sentimento de seu povo, as tramas de suas paixões, homenageando o homem e enaltecendo a natureza, através da liberdade do tempo”, fala a diretora.

Em “Beijo nos Olhos... Na Alma... Na Carne...” atuam Alex Dias, Ana Virgínia Guimarães, Cibele Maia, Danny Maia, Júnio Nery, Lucas Resende, Luciana Lanza, Marcela Rosa e Thiago Oliveira. O trabalho tem duração de uma hora e dez minutos.
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PARA VER — “Beijo nos Olhos... Na Alma... Na Carne...”. Estréia dia 17 de fevereiro, às 21h, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Mais informações (31) 3296-4848 ou www.primeiroato.com.br

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Tá rolando

Marcela Benvegnu
PARALELO
Na última segunda-feira, dia 2, aconteceu o lançamento da 2ª edição da Paralelo 16 ­ Mostra Internacional de Dança, em Goiás. O evento acontecerá entre os dias 11 e 15 de fevereiro, no Teatro Goiânia. A 1ª edição da mostra aconteceu em 2005 e desde então o evento havia sido suspenso por falta de recursos. A programação completa do evento será divulgada em breve no http://paralelo16-dancacontemporanea.blogspot.com/

LA MÈTIVE
O la Métive ­ espaço destinado à criação artística situado na região de Creuse, na França ­ está com convocatória aberta a projetos para seu programa de residências 2009. São oferecidos dois tipos de residências. O programa reúne cinco projetos de artistas de diferentes áreas e ao final do programa cada artista deve organizar uma apresentação pública do seu trabalho. Os interessados em participar podem se inscrever pelo e-mail lametive@lametive.fr.

NA ITÁLIA
Dufrayer A Dufrayer Dance Company, de Sylvio Dufrayer, se apresentou este mês na Itália. Eles levaram o espetáculo "Improvisando su La Bohème", para a Sala Parrocchiale di Legnaro, região de Veneto. A proposta mistura dança contemporânea e jazz dance.

SAMBATEADO
A Escola de Samba Mocidade Alegre consolida a permanência do sambateado ­ mistura de samba e sapateado ­ no seu desfile de 2009. A ala Amor à Dança foi coreografada pela sapateadora Christiane Matallo, sob o enredo "Da Chama da Razão ao Palco das Emoções... Sou Máquina, Sou Vida... Sou Coração Pulsando Forte na Avenida". O grupo de profissionais, que este ano conta com uma sapateadora da comunidade da escola, entra na avenida no dia 21 de fevereiro. A Mocidade Alegre é a terceira escola a desfilar.

JAZZ DANCE
As inscrições para o 1º Congresso Internacional de Jazz Dance já começaram. O evento acontecerá entre os dias 18 e 21 de abril, em Indaiatuba, e reúne alguns dos maiores nomes do estilo. Entre os professores nacionais e internacionais estão Caio Nunes, Érika Novachi, Rose Calheiros, Sue Samuels, e outros. O evento conta com mostra comentada, palestra, exibição de vídeos e mesa redonda. Mais informações pelo http://www.congressodejazzdance.blogspot.com/

220 VP
A Pip Pesquisa em Dança, que aproxima discussões que se erguem nas intersecções entre linguagens, criou agora o 220VP, uma proposta de relacionar os estudos do vídeo e da performance como linguagens artísticas em seus desdobramentos variados. A abordagem teórico-prática pretende fomentar discussões a respeito das questões fundamentais das duas linguagens, além de organizar debates e mostras de trabalhos. A organização do evento inclui discussões de curadoria e crítica de trabalhos até o dia 18 de maio, no Paraná. Mais informações: 220vp@gmail.com.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

No aquecimento

Crédito: Agência Espetaculum
Legenda: ‘Alice’, espetáculo apresentado pelo grupo Gaia no ano passado, em Joinville

Marcela Benvegnu

O mês de julho ainda parece estar longe, para aqueles que esperam fevereiro chegar para curtir o Carnaval. Porém, os bailarinos interessados em participar das mostras competitivas do 27º Festival de Dança de Joinville, que será realizado de 15 a 25 de julho, em Joinville, já precisam calçar as sapatilhas. Sim, porque o envio de material e o cadastro de projetos já começou, e como todo mundo sabe, um trabalho mal ensaiado, sem proposta, ou mesmo fora dos padrões, não é aprovado para o evento.
Na Mostra de Dança Contemporânea podem participar companhias profissionais de dança de todo o país ou do exterior, com trabalhos inéditos, ou não. A mostra também tem o objetivo de valorizar e difundir trabalhos de artistas, grupos e companhias profissionais de dança, enfatizando a diversidade de linguagens e perspectivas de criação e pesquisa na produção contemporânea. A programação é composta por espetáculos e workshops destinados a coreógrafos e bailarinos inscritos nos demais eventos do festival. Porém, aqueles que quiserem enviar seus trabalhos, tem que correr. As inscrições terminam no dia 2 de fevereiro.
A escolha dos projetos que integrarão a mostra será realizada em fevereiro pelo Conselho Artístico do Festival, formado por Airton Tomazzoni (RS), Eliana Caminada (RJ), Sandra Meyer (SC) e Sueli Machado (MG), com a participação de jurados convidados.
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PALCO PRINCIPAL — A verdadeira vedete dos bailarinos que participam do Festival de Dança é o palco do Centreventos Cau Hansen, que recebe a mostra competitiva nos estilos do balé clássico de repertório, balé clássico, dança contemporânea, jazz dance, dança de rua, danças populares e sapateado. O regulamento para o envio do material dos grupos — e isso inclui o Festival Meia Ponta, para crianças — já está disponível no site do evento (festivaldedanca.com.br) e os grupos têm até 30 de março para preencher o formulário e encaminhar os trabalhos para a seleção. O documento oficial para a inscrição, seletiva e, depois, para o festival, é o RG ou o passaporte, no caso de bailarinos estrangeiros.
A principal novidade este ano é que os bailarinos poderão acompanhar cada etapa do processo de inscrição pela internet, o que permite corrigir a tempo eventuais problemas e evitar a desclassificação. Outro diferencial é que a partir deste ano, só serão aceitos trabalhos gravados em DVD. A orientação da coordenação do festival é que os responsáveis pelos grupos fiquem atentos às exigências do regulamento. Pequenos detalhes podem ser motivo de desclassificação do grupo.
Um fator importante é que as coreografias inscritas na mostra competitiva, ou no Festival Meia Ponta, também podem ser avaliadas para participar dos Palcos Abertos. Para isso, basta o responsável pelo grupo informar na ficha de inscrição que há esse interesse.

Thank you, Dance!

by Judy Smith "