segunda-feira, 2 de março de 2009

Nada. Vamos Ver

Crédito: Flávia Meirelles


Marcela Benvegnu


Questionar os lugares que performer e público ocupam dentro de um espetáculo. Essa é a proposta de Gustavo Ciríaco e sua companhia em “Nada. Vamos Ver”, espetáculo de dança contemporânea que está em cartaz na unidade provisória do Sesc Avenida Paulista. As apresentações acontecem às sextas, sábados e domingos, sempre às 19h. No palco o bailarino propõe um questionamento sobre o papel de público e performer, e quebra as formas tradicionais de apresentação. Os bailarinos ocupam as cadeiras do público e levam os espectadores ao palco.
Como tornar visível aquilo que está presente e constituir a situação de um espetáculo de dança em um teatro? Como explicitar o óbvio, o já acordado, porém já esquecido na relação público e artista? Foram essas questões que impulsionaram a criação de “Nada. Vamos Ver”. “O resultado foi uma montagem colaborativa e interativa, em que se entremeiam as histórias do público e do performer”, fala Ciríaco.
A sala de espetáculos é tratada como um espaço de convivência e evasão. O espetáculo começa com uma conversa informal com o público. Os bailarinos distribuem placas de identificação com os dizeres “público” e “performer” e, ao longo da apresentação, sentam-se no lugar da platéia e trazem o púbico para o palco, invertendo papéis, que também mudam conforme alterações sutis do espaço cênico. Tudo isso sob uma trilha de músicas e ambientações sonoras elaborada pela dupla carioca Arpx, responsáveis por trabalhos anteriores de Ciríaco e montagens do bailarino Bruno Beltrão.
“O espetáculo trabalha a expectativa que tem uma pessoa quando vai ver uma peça de dança, uma série de regras que são tácitas: fazer silêncio, não comer, sentar na platéia, ver algo que tenha início, meio e fim. A gente ainda mantém esse encontro entre público e performer, mas ele está toda hora sendo deslocado. Pois não há espetáculo sem essas duas partes, eles são co-responsáveis por fazer acontecer o espetáculo”, completa o artista.
No dia 28 de fevereiro, o bailarino oferece uma oficina de dança contemporânea gratuita intitulada Compartilhando Histórias. Nela, o coreógrafo vai usar como base a pesquisa de seu novo espetáculo para propor, a partir do movimento e da palavra, modos e estratégias de interação entre público e performer em uma sala de espetáculo, em um intercâmbio de histórias reais, códigos e ficções.
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CIRÍACO — Cientista político, Círiaco formou-se em dança pela Escola Angel Vianna. De 1995 a 2005, formou com Frederico Paredes a dupla Ikswalsinats. Desde 2003, desenvolve projetos independentes em associação com outros artistas brasileiros e estrangeiros, como “Jorge” (2003) e “Uma Conferência Imaginária sobre os Meus Arredores” (2004). Em 2006, estreou “Aqui Enquanto Caminhamos” e em 2007, “Still Sob o Estado das Coisas”. Atualmente leciona história da dança na Escola Angel Vianna e é curador do Condança (Porto Alegre) desde 2003.
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PARA VER — “Nada. Vamos Ver”, de Gustavo Ciríaco. Até dia 28 de fevereiro, às sextas, sábados e domingos, às 19h, na unidade provisória do Sesc Avenida Paulista (avenida Paulista, 119). Ingressos custam R$ 20 (inteira), R$ 10 (usuário matriculado no Sesc, dependentes, idosos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 5 (trabalhador no comércio). Mais informações (11) 3179-3700.

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