sexta-feira, 27 de março de 2009

Duato e Scheir: os novos da SPCD

"Ballo": a estréia
Crédito: João Caldas


Marcela Benvegnu


A São Paulo Companhia de Dança nasceu mostrando resultados. Mesmo sem sede fixa, com uma nova audição realizada para completar o elenco e projetos que envolvem professores e nomes da dança (o Figuras da Dança e o Corpo-a-Corpo, são exemplos disso), ela continua na estréia de trabalhos. Gostem ou não, talvez a companhia seja a única no país com um repertório tão grande e importante em pouco mais de um ano de existência. Aos olhos dos outros, cabe saber como esse tempo (e dinheiro) foi aproveitado e se a gramática corporal desses novos bailarinos já está mais evidente nas criações.

Considerações à parte, a São Paulo Companhia de Dança, dirigida por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, estréia a partir desta semana, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, duas novas montagens, “Gnawa” (2005), de Nacho Duato (1957), e “Ballo” (2009), de Ricardo Scheir (1961), para marcar a abertura de sua temporada 2009. As coreografias se unem a “Serenade”, de George Balanchine, e “Les Noces” (1923), de Bronislava Nijinska (1891-1972) — trabalhos apresentadas pela São Paulo Companhia de Dança no ano passado — em dois programas.

Os trabalhos do primeiro programa, que vai de hoje a domingo, têm em comum a relação com rituais. “Les Noces”, parte da trivialidade, um casamento tradicional de camponeses russos, para criar uma geometria de movimentos que aliou a tradição do balé às vanguardas modernistas do início do século 20. Já “Gnawa”, de Duato, diretor da Compañía Nacional de Danza, da Espanha, é inspirada no universo étnico e religioso de uma confraria mística muçulmana do norte da África. De origem sub-saariana, os gnawa incorporam cantos às suas práticas espirituais, e Duato adota como base do trabalho, canções dessa comunidade.

No programa dois — de 2 a 5 de abril — “Serenade” (1935), de George Balanchine (1904-1983), criada inicialmente para os alunos da School of American Ballet, encontra ecos na nova criação de Scheir, “Ballo”, com música original de André Mehmari (1977). A composição teve como ponto de partida o tema de um madrigal de Claudio Monteverdi (1567-1643), “Ballo Delle Ingrate” (“Baile das Ingratas”). Na peça, Mehmari apresenta variações que remetem a diversos momentos da história da música e, assim, propõe um diálogo do antigo com o novo, do moderno com o arcaico. Da mesma forma, Scheir busca referências na obra de Monteverdi para tratar das relações humanas e de questões importantes para o homem de todos os tempos.

¤
PARA VER—
São Paulo Companhia de Dança. Temporada 2009. “Les Noces” e “Gnawa”. Até 29 de março. “Serenade” e “Ballo”, de 2 a 5 de abril. De quinta-feira a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h, no Teatro Sérgio Cardoso (rua Rui Barbosa, 153). Ingressos custam entre R$ 10 e R$ 20. Data, local e horários foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 3288-0136.

Um comentário:

Flávia Romanelli disse...

Olá, passa lá - http://entelas.blogspot.com/

Bjão