

Marcela Benvegnu
Os olhos azuis de Maurice Béjart, 80, um dos maiores coreógrafos do mundo se fecharam para sempre ontem em Lausanne, na Suíça, onde o francês morava e dirigia o Béjart Ballet Lausanne desde 1987. O artista, que tinha problemas de saúde há anos e foi hospitalizado na semana passada para ser submetido a um tratamento cardíaco e renal estrito que deveria durar várias semanas, não resistiu.
Acostumado a dizer que não temia a morte porque ela era uma certeza, o coreógrafo de “Bolero” — uma de suas mais famosas coreografias — , de Maurice Ravel (1960) declarou uma vez à agência de notícias suíça que o ser humano morre sempre a tempo e que o tempo é contado de maneira diferente para cada um. Segundo a assessora de imprensa de Béjart, Roxane Aybek, em entrevista ao
“Estamos muito tristes em anunciar a morte de Béjart. Perdemos um coreógrafo que revolucionou a dança no século 20 e que era o diretor de uma das mais importantes companhias de dança do mundo”, disse Roxane. “Ele dirigiu a mesma companhia por mais de 50 anos sem interrupções sob diferentes nomes. Muitos bailarinos estão perdendo um pai, um mentor, um inspirador. E nós, estamos perdendo um amigo, um criador, visionário e humanista”, disse Peter Berger, presidente da Fundação Béjart Ballet Lausanne, em e-mail enviado ao
A morte do coreógrafo não irá interromper as turnês e a programação de sua companhia de dança. O grupo prepara a estréia de “A Volta ao Mundo em 80 Minutos” (“Tour du Monde en 80 Minutes”), para o dia 20 de dezembro em Lausanne. Depois seguen em turnê mundial. As apresentações serão em homenagem a memória do ícone que dizia que a dança era a combinação de tempo com espaço e a música era o tempo e o movimento que ocupam este espaço. A continuação da companhia está garantida por contrato pelos próximos três anos.
Béjart criou aproximadamente 250 balés e mostrou um novo modo de se fazer dança com “Symphonie Pour Un Homme Seul” sobre a música de vanguarda de Pierre Henry e Pierre Schaeffer.
Marcela Benvegnu
Quixotes do Amanhã”, coreografia de Fernando Machado para a Cia. de Dança de Diadema, que foi apresentada no Sesi Piracicaba no domingo, 28, começa antes mesmo de a cortina se abrir. O bailarino Ton Carbones está colocado no canto da platéia. Ele é uma espécie de menino de rua, que vê no dia seguinte a esperança de um mundo melhor. Cidadão do tempo. Quixote do amanhã. No proscênio, copos de plástico amassados chamam a atenção. É o lixo. Proposta de concepção da companhia para esta montagem que por sinal é bem trabalhada e sai da reciclagem convencional da dança contemporânea.
Quando a cortina se abre, a dança se revela. É possível assistir a uma fluida movimentação que se abdica da junção de passos para dar ênfase a uma forma de linguagem que mistura a dança contemporânea ao teatro coreográfico. O palco aberto — sem o uso das coxias — serve de cenário para uma cidade onde o homem é tratado como bicho, que caça para sobreviver. Na sutil poesia de Quixote está o subtexto de que é preciso respirar ar puro, quem sabe ar que dança, e que consegue dançar em meio ao lixo que ocupa todo o espaço.
Os bailarinos são bem preparados. Mostram sincronicidade e força na execução. Porém, é Fernanda Bueno quem chama atenção. Não é pelo nu, que executa em um momento do espetáculo — por sinal um nu de costas muito bem colocado —, mas sim pela força e vigor físico com que interpreta a coreografia musicada ao vivo por Loop B, com iluminação do talentoso Ari Buccione.
Com direção de Ana Botosso, o trabalho provoca uma reflexão que vai além do mau direcionamento do lixo provocado pela inconsequência do homem. Estaríamos nós todos no lixo? Qual o lugar da dança na contemporaneidade? Não basta acreditar, talvez seja preciso dançar.
Foto: Arnaldo Torres
Marcela Benvegnu
Meses antes de falecer, visando proteger seu legado, o bailarino flamenco Antonio Gades (1936-2004) criou uma fundação. Uma instituição encarregada de zelar pelo seu patrimônio artístico, e que ajudasse a difundir a sua obra, fomentando, a partir dela, um maior conhecimento da dança espanhola em todo o mundo. O maior projeto da empreitada foi a criação da Companhia que leva seu nome e que chega ao Theatro Municipal de São Paulo, no próximo dia 30, quando a trupe apresenta “Carmen”. No dia 31, eles voltam ao palco com “Bodas de Sangre” e “Suíte Flamenca”.
A montagem de “Carmen” é o resultado de colaboração de Gades no filme “Bodas de Sangue”. A história de Carmen é a de uma obsessão. Como diz Emilio Sanz Soto, “Carmen e Don José se devoram pelo prazer de devorar-se. Não é a tragédia grega que buscava uma salvação ou uma condenação. Aqui só a morte nos pode libertar do desejo. A impossibilidade de desviar o destino”.
É curioso que esta personagem tão representativa da Espanha, a “espanhola” por antonomásia, tão definida por seu físico, por sua estampa; seja uma invenção francesa. Porque é da França, pelas mãos de Prosper Merimée e de Georges Bizet, que calaram tão fundo em nossos costumes, que nos chega Carmen. A versão da companhia para a montagem é totalmente dançada. No palco a dança é protagonista absoluta, e é sinônimo de ritmo, música, movimento.
ÍCONE — Antonio Gades, o grande nome do flamenco mundial nasceu em Elda, Alicante e em pouco tempo conquistou a Espanha e o mundo, com suas coreografias altamente criativas e carregadas de força e sensualidade. A participação de sua trupe nos filmes de Carlos Saura, especialmente “Bodas de Sangre”, “Carmen” e “Amor Brujo”, ampliou ainda mais o público do grande bailarino e coreógrafo. Foi a partir de sua experiência cinematográfica que Gades transpôs para o palco a obra de Merimée celebrizada pela música de Bizet. “Carmen” transformou-se em um sucesso absoluto da companhia e ninguém até hoje conseguiu como Gades extrair a carga de sensualidade que funciona como fio condutor da tragédia da cigana e de Don José.
PARA VER — Compañía Antonio Gades. Dia 30, “Carmen” e dia 31, “Bodas de Sangre” e “Suíte Flamenca”. Às 21h, no Theatro Municipal de São Paulo. O valor dos ingressos ainda não foi divulgado. Mais informações (11) 6163-5087.
Marcela Benvegnu
Com cenas que remetem às fotonovelas e ao cinema mudo, a peça coreográfica “As Formas Eram Já Mera Ilusão da Vista”, do Avoa Núcleo Artístico, de São Paulo, é a atração de amanhã, às 17h e 20h, do projeto Sesi Dança 2007, no Teatro Popular do Sesi Piracicaba. A montagem, que sugere situações que transitam entre o romântico, o irônico e o cômico, utilizam artifícios como projeções de imagens e recortes de luz. A entrada é gratuita mediante retirada de ingresso antecipada uma hora antes do início da apresentação na bilheteria do teatro.
Com concepção, direção e interpretação de Gil Grossi e Luciana Bortoletto, “As Formas Eram Já Mera Ilusão da Vista” — que tem 40 minutos de duração — foi inspirada em fotos clássicas de casais, na sensação de expectativa vividas pelas pessoas instantes antes de serem fotografadas e também em fotonovelas. O trabalho do grupo, existente desde 2000, iniciou cerceado por uma técnica denominada fotodança que soma o estudo da dança contemporânea, relação cênica, clown e improvisação, com elementos da fotografia.
“O Gil (Grossi) é fotógrafo e eu apesar de ser bailarina também atuo na área. Assim, desenvolvemos uma pesquisa de linguagem pautada pelo corpo que é um híbrido e pela forte questão da imagem”, fala Luciana. “Unimos a dança e a fotografia para desenvolver as cenas do trabalho. O enquadramento, o foco, os planos de imagem estão equilibrados dentro da composição cênica”.
A pesquisa nasceu em 2004 com uma performance chamada “Pontos de Vista”. “Depois de um tempo que ela virou espetáculo”, conta a bailarina. “Hoje, ‘As Formas Eram Já Mera Ilusão da Vista’ tem um formato bem intimista que é para ser visto de perto mesmo. É um trabalho que evoca emoção e memória. “São emoções provocadas por meio das imagens e como associamos isso às fotonovelas e até as novelas mexicanas também demos voz aos dramas dos casais”.
Em cena, Luciana e Grossi estabelecem uma relação simbiótica. “Como somos muito diferentes procuramos que o contraste físico de idade e biotipo vire mote para à concepção”, fala Luciana, que juntamente com Grossi trabalham em um projeto paralelo denominado dança haicai, oriunda da necessidade investigar a transformação da imagem contemplada em movimento dançado. Entre os principais trabalhos da companhia destacam-se, “O Que Passa”, “Toca” e “A Hora do Espelho
Marcela Benvegnu
A primeira grande diferença entre os musicais “My Fair Lady” e “Os Produtores”, que estão em cartaz em São Paulo, está logo de cara do espaço. “My Fair Lady” está sendo apresentado do Teatro Alfa, e que o diga Jorge Takla, — o produtor da montagem — um teatro acostumado a receber grandes espetáculos, principalmente do gênero dos musicais, enquanto “Os Produtores”, acaba de estrear no Tom Brasil, uma casa de shows, na qual você é obrigado a assistir ao espetáculo torto em uma cadeira, sendo que a visão é totalmente comprometida pelo andar dos garçons — estes que na hora de pagar a conta, não trazem o seu troco.
Mas isso são meros detalhes — que fazem uma grande diferença — quando a grande reflexão sobre o nicho dos musicais paulistas está mesmo na qualidade, dos cenários, figurinos, iluminação, cantores, atores, e, sobretudo, bailarinos. Apesar de “My Fair Lady” não ser um musical com muitos números coreográficos eles apresentam uma certa sintonia com o espaço e estão bem ensaiados, poderiam ser mais vibrantes, mas... Em “Os Produtores”, apesar de os currículos dos bailarinos serem recheados de outros musicais, cursos e até apresentações internacionais, quando o assunto é sapatear, a coisa se complica.
Não adianta somente o pé da bailarina da frente estar igual à de trás, se o som que ela emite é completamente diferente da proposta coreográfica. Ensaio, limpeza e muita técnica seriam ingredientes que poderiam melhorar o trabalho da montagem, que revela uma linda (por natureza) Juliana Paes e um surpreendente Vladimir Brichta. Em “My Fair Lady”, vale prestar atenção nas quase três horas de espetáculo sem piscar os olhos. A beleza plástica é tão grande, que é difícil se prender aos detalhes. A sintonia entre Daniel Boaventura (Professor Higgins) e Amanda Acosta (Elisa Doolittle) é tão grande que chega a impressionar. A troca dos cenários é feita de um modo muito sutil, o microfone dos intérpretes é quase imperceptível — provavelmente esteja acoplado às perucas —, a iluminação poderia ter o nome de desenho de luz, os figurinos de Fábio Namatame são mais bonitos que os originais, e a regência de Vânia Pajares é digna de reverência.
Não se pode explicar tudo. Para esta montagem a palavra de ordem é assistir.Antes que o espaço termine, impossível não falar dos programas dos espetáculos. Ambos tem valor de R$ 20 e merecem ser adquiridos no hall do teatro ou casa de show. O programa de “Os Produtores” faz jus a montagem e é um material bem produzido. O de “My Fair Lady” é um verdadeiro livro. Branco, de capa dura e além da boa produção de imagens, o material conta com um histórico completo dos “criadores” do musical, como George Bernard Shaw, Alan Jay Lerner e Frederick Loewe, e da história da montagem. Vale o preço.
Marcela Benvegnu
A Galeria Olido e o Centro Cultural São Paulo (CCSP) recebem a partir de 4 de outubro, a 1ª Mostra do Fomento à Dança. Além de ocupar com atividades dois pavimentos da Secretaria Municipal de Cultura, haverá programação intensa no Lugar — nova sede da Cia. Corpos Nômades —, que surge graças ao Programa Municipal de Fomento à Dança, ampliando o acesso do público às criações e produções no gênero.
Na abertura do evento haverá a inauguração da Sala de Pesquisa e Acervo, localizada no Centro de Dança da Galeria Olido, que abrigará o acervo multimeios do Programa — disponível para consulta pública, e materiais de dança doados por grupos e instituições. A idéia é que o local torne-se referência para pesquisadores e interessados no assunto.
Criado com a proposta de investir, fortalecer e difundir a dança contemporânea na cidade de São Paulo, o Programa lançou seu primeiro edital em julho do ano passado. Entre os 32 projetos inscritos, foram selecionados 14, que receberam entre R$ 60 e 200 mil para custear despesas de circulação, criação de espetáculos e manutenção de companhias.
Esta semana os espetáculos contemplados pelo primeiro edital integram a mostra que passará a fazer parte do calendário de dança da cidade de São Paulo anualmente, apresentando coreografias dos projetos selecionados a cada edição e promovendo o trabalho continuado dos grupos e núcleos independentes da dança paulistana.
Para a estréia da iniciativa, estão programados espetáculos, exposições e workshops gratuitos, além de palestras sobre o ensino de dança para crianças, discussão sobre a Lei de Fomento, em vigor desde 2005 e um encontro com coreógrafos e intérpretes dos 14 grupos selecionados, com mediação da bailarina e crítica da "Folha de São Paulo", Inês Bogéa.
Entre as coreografias que se apresentarão no Centro Cultural São Paulo e Galeria Olido estão, "PólisSemos", com concepção e direção geral de Maria Mommensohn; "¿Por que no hacemos cine?", com a Cia. Lambe-Lambe de Teatro e Afins; "O Processo", com a Cia. Borelli de Dança; "Anjo Novo", com o Núcleo Passo Livre; "Frida Kahlo: Uma Mulher de Pedra dá Luz à Noite" e "Feifei e a Origem do Amor", com a Taanteatro Cia.; "Estudos Sobre o Desejo", com os Artesãos do Corpo; "Brincos & Folias", "Entranças - Descobrindo e Redescobrindo o Brasil", "RodaPé", com a Balangandança Cia.; "Olhos Invisíveis", com P.U.L.T.S Teatro Coreográfico e outros. A programação completa pode ser conhecida no site: www.centrocultural.sp.gov.br/fomento_danca. O evento vai até 29 de outubro.
Marcela Benvegnu
Um dos musicais de maior sucesso na história da Broadway, “Os Produtores” (“The Producers”), de Mel Brooks e Thomas Meehan, finalmente chegou aos palcos de São Paulo em clima de superprodução. O Tom Brasil foi reformado para receber o musical, que tem mais de dez diferentes tipos de cenários, 350 figurinos, 60 perucas, uma orquestra de 11 músicos, equipe de 80 pessoas e um elenco de 25 atores tendo à frente Miguel Falabella — diretor do espetáculo —, Juliana Paes e Vladimir Brichta.
O musical, que estreou no último sábado e teve platéia recheada de figurinhas carimbadas da Globo, se passa em 1959, em Nova York. O produtor Max Bialystock (Falabella) amarga seu último fracasso no teatro quando chega em seu escritório um contador tímido e um tanto nervoso, Leo Bloom (Brichta), para revisar a contabilidade. Sem querer, Leo descobre que um produtor pode ganhar mais dinheiro com um fracasso do que com um sucesso.A dupla então se dedica a encontrar a pior obra jamais escrita, conseguir o mais desastroso diretor de teatro e produzir o maior fracasso da história.
A eles junta-se Ulla (Juliana Paes), uma dançarina sueca que conquista seu espaço com algum talento e belas pernas. No entanto, nem tudo sai como planejado: a obra resulta num sucesso, o golpe é descoberto e ambos são presos. Mas o que parece o fim acaba virando um novo começo. Após saírem da prisão, Max e Leo voltam à Broadway com o musical “Prisioneiros do Amor”. Desta vez, porém, a idéia é fazer sucesso e a peça é um recomeço para os dois.
A versão nacional de “The Producers” para os palcos brasileiros contou com direção coreográfica de Chet Walker — renomado coreógrafo da Broadway, que participou das montagens de espetáculos como “Fosse”, “Sweet Charity”, “Chicago” e “A Gaiola das Loucas”. Os ensaios duraram dois meses e meio, com oito horas de trabalho diárias, incluindo aulas de dança, canto e interpretação. “The Producers” foi apresentado ao público originalmente como um filme — “Primavera para Hitler” (1968) — e foi dirigido por seu próprio autor. Na Broadway o espetáculo estreou em 2002, ficou cinco anos em cartaz e foi a peça que mais ganhou prêmios em toda a história dos musicais.
PARA VER — “Os Produtores”. Até o dia 25 de novembro, de sexta a domingo. Às sextas-feiras, às 21h30, sábados, às 17h e 22h e domingos, 18h, no Tom Brasil-Nações Unidas (av. Bragança Paulista, 1281). Ingressos custam de R$ 70 a R$ 200.
Marcela Benvegnu
"Carnaval dos Animais" é uma das mais famosas coreografias de Luiz Arrieta, considerado por muitos críticos e especialistas um gênio da dança contemporânea. Apesar de ter sido composta em 2000, a montagem só estreou no ano passado e pode ser vista no palco da Galeria Olido, em São Paulo, hoje, amanhã às 20h e domingo, às 19h. O espetáculo tem duração de uma hora e entrada é gratuita.
“Carnaval dos Animais” trata da explicação do processo da composição da obra coreográfica com música homônima de Camille Saint Saëns (1835-1921), abordando cada parte (ou animal), seguida da apresentação da coreografia completa com figurino, adereços e iluminação. Tudo acompanhado da exposição das fotografias da obra já registradas pelo fotógrafo especializado em dança Antonio Carlos Cardoso — que também é coreógrafo e dirigiu o Balé do Teatro Castro Alvez, em Salvador — , que interpreta o do trabalho do ponto de vista do diafragma.
A divisão do espetáculo é clara. A introdução é a marcha real do leão, seguida de galinhas e galos, hemíones, tartarugas, elefante, canguru, aquário, personagens com longas orelhas, cuco no fundo do bosque, viveiro de aves, pianistas, fósseis, cisne e final.
Arrieta é um nome forte na dança mundial. Apesar de ter nascido na Argentina, foi em terras brasileiras que construiu seu nome e imagem. Foi bailarino de algumas das mais importantes companhias do mundo, como Ballet de Joaquín Pérez Fernández (Buenos Aires), Ballet Stagium, Balé da Cidade de São Paulo, Associação de Ballet do Rio de Janeiro e Hessiches Sttadtheater em Wiesbaden, Alemanha.
Trabalhou com coreógrafos de peso como Víctor Navarro, Oscar Araiz, Sonia Mota, Tatiana Leskova, Décio Otero, Christian Uboldi e Celia Gouveia.Em mais de 100 criações coreográficas trabalha com os mais variados temas e gêneros musicais, junto a diversas companhias do mundo. Entre as principais destacam-se, o Balé da Cidade de São Paulo, Grupo Andança, Cia. de Dança Cisne Negro, Ballet Ópera Paulista, Primeiro Ato, Meia Ponta Cia. de Dança, Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ballet Teatro Guaíra, Ballet del Teatro San Martín, Ballet Nacional de Cuba, Ballet’s San Juan, Ballet de Grand Thèâtre de Genève e outros.
Marcela Benvegnu
Quem disse que balé clássico dançado nas pontas dos pés não é coisa para homens? O Les Ballets Trockadero de Monte Carlo, que o diga. A companhia formada por bailarinos profissionais, masculinos, especializados na gama do repertório clássico e originais do estilo russo, chega a São Paulo, no dia 18 de setembro, para uma única apresentação, às 21h, no Teatro Sérgio Cardoso.
Fundado em 1974 por um grupo de entusiastas da dança clássica, com a finalidade de realizar uma paródia das formas tradicionais do balé clássico de maneira travestida, o Les Ballets é sucesso de crítica e público em todo o mundo.O conceito original do Les Ballets Trockadero de Monte Carlo não foi modificado desde a sua criação.
A comédia é atingida a partir do exagero das circunstâncias da narrativa da dança clássica, dos acidentes e da incongruência das coreografias. O fato de os homens executarem todos os papéis — o peso de um homem equilibrando-se precariamente nas pontas dos pés e pretendendo ser cisne, sílfide, ninfa das águas, princesa romântica e mulher vitoriana — engrandece, ao invés de ridicularizar, o espírito da dança clássica.
No ano passado, após uma temporada que assinalou recordes de venda em Londres, a companhia recebeu o prêmio de excelência em dança pela Associação dos Críticos de Dança de Londres. Em 2007, como resultado do êxito obtido em apresentações em Roma e Milão, a companhia recebeu o cobiçado Massina/Positano Award, em Positano, Itália.
Desde a sua estréia em 1974, a companhia apresentou-se em mais de 30 países e 300 cidades. Atualmente vêm empreendendo temporadas mais longas, incluindo visitas recentes, por várias semanas, a Amsterdam, Barcelona, Berlim, Buenos Aires, Caracas, Colônia, Hamburgo, Lisboa, Lyon, Moscou, Paris, Singapura, Sydney, Viena e Wellington.Artigos publicados em revistas como Variety, Oui, The London Daily Telegraph, assim como um ensaio fotográfico de Richard Avedon para a Vogue, fizeram com que a companhia se tornasse mundialmente conhecida. O que fizeram nos últimos 32 anos é o que os espera no futuro: inovação, comédia e desmistificação de mitos. O balé é mesmo para todos.
PARA VER — Les Ballets Trockadero de Monte Carlo. Dia 18 de setembro, às 21h, no Teatro Sérgio Cardoso. O valor dos ingressos ainda não foi divulgado. Data, local e horário foram enviados pelos organizadores. Mais informações (11) 6163-5087.
Marcela Benvegnu
Viver da arte da dança, trabalhar com os mais renomados coreógrafos da atualidade e, sobretudo, ser um grande bailarino. Esse é o sonho de vários alunos de escolas de dança brasileiras, que pode se tornar realidade. Prova real poderá ser vista no palco do Teatro Municipal “Dr. Losso Netto”, hoje, às 21h, quando acontece a “Gala Internacional — Um Brinde a Piracicaba”, espetáculo com direção de Camilla Pupa — que em 2007 completa 25 anos de carreira —, que reúne bailarinos das mais importantes companhias de dança do Brasil e exterior, além da Oficina da Dança de Piracicaba. Os ingressos estão esgotados. O evento tem apoio do Jornal de Piracicaba.
Antes da apresentação, às 19h30, acontece no mesmo espaço a entrega do Troféu de Mérito Cultural Fabiano Rodrigues Lozano e das medalhas de Mérito Cultural para personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da cultura piracicabana ao longo do ano. Camilla foi premiada com a medalha Iris Ast, na categoria dança.
Um dos destaques de “Gala Internacional” é o bailarino Denis Piza, que cresceu em Piracicaba e hoje é solista da Companhia Niedersächischen Staats Ballet, de Hannover, Alemanha. Piza poderá ser visto na coreografia de abertura, “Dom Quixote”, com Marcela Lacreta, da Oficina da Dança e no encerramento, em “Corsário”, com Ivy Amista, solista do Bayerisches Staatsballet — Ballet da Ópera de Munique, ambas coreografias de Camilla após Marius Petipa (1822-1910).
Entre os bailarinos ainda destacam-se profissionais do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Grupo Corpo de Belo Horizonte, Camilla Ballet, Miami City Ballet School, Heinz-Bosl-Stiftung-Ballet, Ballet de Monterrey, Pacific Dance Arts, Cia. Theater Philharmonie Thüringen e outros. O que talvez poucos saibam é que esses bailarinos não foram convidados para a apresentação somente por serem talentosos e integrarem grandes companhias. Todos, de forma direta ou indireta, foram alunos de Camilla. “Fiquei muito feliz porque todos atenderam prontamente ao meu convite para dançarem em Piracicaba. Eles estão de férias no Brasil e estão aqui hoje por amor”, fala a diretora, que mora em Piracicaba, tem uma escola de dança (Camilla Ballet) em São Paulo e ministra aulas na Oficina da Dança.
Conhecida no cenário da dança brasileira como uma das maiores exportadoras de talentos, Camilla acredita que a lição mais importante desta noite é mostrar a todos como é possível fazer dança de qualidade e proporcionar emprego aos bailarinos brasileiros. “Nosso bailarinos são muito talentosos e integram as maiores companhias de dança do mundo. A receita disso é um bom profissional, um trabalho bem dirigido e muita disciplina. Desta forma a dança continuará crescendo como arte em todo o mundo.”
REPERTÓRIO — “Gala Internacional” vai além de uma apresentação de dança tradicional. O espetáculo pode ser considerado um convite à história da dança por trazer ao palco alguns dos mais famosos balés de repertório, como “Suíte de Dom Quixote”, “La Bayadére” e “O Corsário”, de Petipa; “Águas Primaveris”, de Asaf Messerer; “Esmeralda”, de Jules Perrot (1810-1892), e “Cisne Negro”, de Lev Ivanov (1950-1980). Além destas coreografias, “Desejo”, de Éder Braz; “Flocos de Neve”, de Tatiana Stamado; “Winds”, do piracicabano André Malosá — que foi bailarino do Le Jeune Ballet de France, em Paris —, “Vortex”, de Alvin Ailey (1931- 1989), e “Who Cares?”, de George Balanchine (1904-1983) completam o programa.
Marcela Benvegnu
“Chopiniana”, também conhecido como “Les Sylphides” – esse é o seu nome mais popular - é um balé de um único ato baseado em obras do músico Frédéric Chopin (1810-1949). Apresentado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB), no encerramento do festival Meia Ponta, no Teatro Juarez Machado, na quarta-feira, o balé começou a ser coreografado por Mikhail Fokine (1880-1942), em 1907, porém, somente dois anos depois foi apresentado na íntegra no teatro Maryinsky em São Petersburgo.
Isso porque Fokine primeiro coreografou “Opus 64, nº 2”, de Chopin para Anna Pavlova (1881-1931). Em 1908, coreografou uma marzurka e uma valsa, que deu o nome de, “Danses sur la Musique de Chopin” para um corpo de baile e finalmente em 1909, o balé completo. No dia da estréia, Serguei Diaghilev (1872-1929) esteve presente e propôs que a montagem fosse incorporada aos seus Ballets Russes. Assim com a inserção de novas músicas, a montagem final conta com 34 minutos.
Quando coregrafada, “Chopiniana” foi considerada revolucionária por utilizar novas técnicas de dança clássica, estas que os alunos da ETBB souberam reconhecer na remontagem da professora Galina Kravchenko em tom de romantismo. O balé tem como cenário um bosque onde um jovem sonhador está cercado de sílfides bailando ao seu redor. Não existe uma história. O cenário e o tema das sílfides serve para que a coreografia criada por Fokine tome forma.
O elenco formado por bailarinas entre 14 e 19 anos apresentou um trabalho limpo, que encantou o público – muitos de pé pela falta de lugares – e os pequenos bailarinos do Meia Ponta. Entre as intérpretes, todas impecáveis, Stephanine Ricciardi conseguiu se destacar. A jovem, dona de movimentos muito delicados e precisos, parecia uma verdadeira sílfide e foi capaz de dançar e revelar sua alma. Pode-se dizer que “Chopiniana”, interpretado pela ETBB foi uma verdadeira aula de história da dança ao vivo, daquelas que todos deveriam ter oportunidade de assistir.
by Judy Smith "