quarta-feira, 9 de maio de 2007

Mano Tap


Aqueles que ainda não foram assistir ao filme “Happy Feet — O Pingüim” não imaginam o que estão perdendo. Além da coreografia de Mano ser assinada por Savion Glover — o mesmo que coreografou Bring in ‘Da Noise, Bring in ‘Da Funk, e atuou em “Black and Blue” e “Jelly’s Last Jam”, com Gregory Hines — e Kelley Abbey, a mensagem que o filme de George Miller mostra, vai além do tap.Mano é um pingüim que nasceu diferente dos demais de sua espécie, nasceu sapateando. Sua vida se resume basicamente em uma coisa: ter uma canção do coração. A partir dela ele conquistará o amor de uma fêmea. Apaixonado por Glória — a melhor cantora do pedaço — mas sem ter como conquistá-la, Mano se afasta de seu bando, porém, não desiste de viver entre os seus e mostra que a dança, ou melhor, o sapateado pode mover montanhas. A vida dos pingüins é extraordinária, cheia de alegorias em termos de como nos conduzir como seres humanos. A maneira como eles sobrevivem nos confins do planeta, abraçando-se para fugir do frio, dividindo o calor, cantando para encontrar um parceiro é uma lição de vida para os individualistas. Pode-se dizer que Mano é um sobrevivente, da arte, da dança, da vida. Falar de sapateado nas telonas é um grande avanço, pois desde a overdose de Fred Astaire e Sirley Temple, que não se falava tanto — e tão bem — sobre o gênero. Pontuando os ápices do filme, a trilha sonora merece destaque e vai do rap às canções estilo broadway. Coreograficamente não se tem muito a dizer, Glover é mesmo um ótimo sapateador. A limpeza sonora das cenas também é excelente, visto que não adianta ele ser um exímio tapper, sem uma boa direção ou sonoplastia.A reflexão é que parece que todos os bailarinos são um pouco como Mano, lutam a cada dia em uma sociedade na qual você tem que ser igual aos outros para ser aceito. O diferente sofre, não consegue encontrar espaço para mostrar o seu trabalho — na maioria da vezes melhor do que se imagina — e por mais que ele tente, tente e tente é difícil lutar contra a maré. “Happy Feet” não é um filme sobre dança ou sapateado. É um trabalho sobre superação, esta que os bailarinos lutam a todo instante

2 comentários:

Cinthia Vilas Boas disse...

Ouvir a canção que vem do coração nem sempre é necessario cantar, podemos sapatear. Eu uma sapateadora fanatica por son, dança, música, arte......certifico a qualidade do filme e nem falo nada pela limpeza sonora de Savion Glover. O filme descrito numa linha educacional deixa claro a reflexão sobre discriminação e o processo de interação social, onde mano se esquiva ou mantem um mecanismo de defesa para não ser humilhado. Mano ao sapatear se liberta de todos os impessilios da vida e mostra a canção dos pés que atinge o coração de uma maneira simples e também bela como a canção. E quem disse que sapatear não é cantar ? É canta também. Pare para pensar e tente cnatar o son que escuta. Bom, enfim não querendo usar a psicologia como base, mas já usando, Mano se mostra forte, com garra e perseverante ao ultrapassar todas as barreiras colocadas no filme. Ássim como muitas e muitos por ai que se identificaram com o Mano.
Poderiamos também falar da saude mental que o sapateado proporciona, mas entrariamos em outros ramos, que a dança não deixa de se apropriar. Mas esse era pra ser um breve comentário sobre o filme, ou talvez sobre a materia, ou ainda talvez sobre a pessoa Marcela que escreveu a máteria. Então eu digo que está tudo de bom e q sempre eu cantarei a música do meu coração e do tap para as pessoas que amo. Como Mano, né Mana. kkkkkkkkk - duplo sentido.

Anônimo disse...

Primeiro parabéns pelo blog é mais uma iniciativa que com certeza ajudará muitas pessoas a entenderem mais sobre a dança,pois suas críticas sempre ensinam mais e mais,você tem a capacidade de nos levar a leitura até o fim,pois a maneira como escreve é sempre interessante e inteligente.
Fico muito feliz com sua crítica sobre este filme,pois também acho que não é um filme sobre sapateado e acho que se perderam dentro do roteiro que no final não me leva a questionamento algum e sim a uma frustação. A única lição que aprendi, é que as pessoas são o que são e que devemos respeita-las com seus defeitos e qualidades e nada mais.Agora o ponto alto do DVD é o Savion Glover ensinando a sapatear.
Marcela adorei as suas outras críticas,estou fazendo o meu comentário aqui pois o sapateado é minha maneira de ser.
É isso obrigada por amis essa inicitiva.
Beijos carinhosos
Kika Sampaio