quarta-feira, 9 de maio de 2007

Vá Dançar


O nome correto para o novo longa-metragem de Dianne Houston estrealado por Antonio Banderas (talvez ele até tenha saído de cartaz) deveria ser “Vá Dançar”, ao invés de “Vem Dançar”, pois a história real de Pierre Dulaine, interpretado por Bandeiras, vai além da própria luta do bailarino para que uma sociedade formada pelos menos favorecidos de Nova York — capital da dança de salão no mundo — aceite a dança como forma de educação. Na verdade “Vem Dançar” prova que é possível acreditar na arte, mesmo que poucos dêem atenção à ela.Dulaine é um dançarino de salão profissional, que se torna voluntário para dar aulas de dança em uma escola pública de Nova York para alunos que estão em detenção, ou por mau comportamento ou por terem tirado notas baixas. Nesses momentos, após o término das aulas, eles ficam sozinhos em uma sala localizada no subterrâneo da escola ouvindo músicas de hip hop. Quando Dulaine aparece e apresenta seus métodos clássicos enfrenta muita resistência, a história só muda de figura quando eles descobrem que em um concurso de dança podem ganhar cinco mil dólares. É aí que começa o desafio da auto-superação, característica que acontece a cada minuto com todos os que “dançam”.O longa — de trilha sonora familiar como “I’ve Got the Rhythm” e “Fascination” — apresenta um sub-texto que ainda é real na vida cotidiana americana, a super valorização do capital. Tudo fica diferente quando os alunos, embora que tocados pela magia do ritmo, começam pensar no que fazer com o dinheiro do campeonato. Do confronto do hip hop com a erudição de George Gershwin nasce um novo estilo de dança, mesclado desses gêneros e tendo Dulaine como mentor. As coreografias — interpretadas por atrizes e bailarinos de musicais da Broadway e Los Angeles — são de extremo bom gosto. Capazes de mostrar o vigor da dança de salão sem a imagem da vulgaridade ou da mesmice de dançar “colado”, que muitas pessoas tem no Brasil, revelam um filme e consequentemente uma dança que preza pela valorização do intérprete com sequências criativas e sobretudo contínuas.Antes marginalizados por não estarem no “padrão” da escola, a turma se torna exemplo, pois mostra que o milagre da dança é possível e que se pôde educar por meio da arte dos movimentos. Os pais e diretores da escola aprovam a idéia e se interessaram em fazer aulas. Assim podem sentir que a vida de fato se transforma, mesmo para aqueles que não querem se tornar profissionais. O curso de Dulaine, antes não valorizado pela escola pública americana é hoje “matéria obrigatória” espalhada pelos quatro cantos da América do Norte. Como diz o slogan do filme, “Entre no ritmo. Sinta a batida. Siga o seu coração”, vá dançar.

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