quarta-feira, 9 de maio de 2007

O Butoh de Kazuo

Quando se ouve falar em Butoh, — etimologicamente “bu” significa dança e “toh”, passo, que juntos dão o sentido de passo de dança — a primeira imagem que vem à cabeça de muitas pessoas é a de Kazuo Ohno (1906-), o “homem” — porque sua figura na maioria das vezes é traduzida como alma — que disseminou esse tipo de manifestação artística. Para muitos, o butoh não é uma dança, mas uma encenação teatral, pois sua forma mistura elementos do teatro tradicional japonês e da mímica.Para Kazuo, cada dançarino tem seu próprio butoh. É uma dança da expressão interior de cada um, por isso é singular em cada pessoa. Para ele, o butoh é simplesmente a apreciação da vida, individual e alheia. Kazuo teve influência direta do balé clássico de Isadora Duncan (1878-1910), que tirou as sapatilhas e começou a dançar livremente em sua forma de movimentação. Também rompeu com as formas do balé de Mary Wigman (1886-1973), que pertenceu à dança de vanguarda alemã dos anos 30 e transformou tudo em uma dança que nasce do interior, na intimidade de cada um.A melhor maneira de descrever o butoh é dizer que ele quebra as regras preestabelecidas da dança tradicional e que proporciona uma grande possibilidade para a improvisação. Na dança, os corpos são pintados de branco, os movimentos são lentos, ou melhor, quase imperceptíveis, e a postura é contorcida. O estilo mescla imagens que vão da decadência, do medo e do desespero ao erotismo, êxtase e tranqüilidade. Há estudiosos que dizem que o o butoh conecta consciência com inconsciente, no qual o movimento não é ditado pelo que está fora, mas aparece na interação entre exterior e interior do mundo. Sua essência baseia-se no mecanismo em que os dançarinos deixam de ser eles mesmos e tornam-se outra pessoa ou coisa. Esta é uma concepção diferente da dança convencional em que o corpo do dançarino expressa uma emoção ou idéia abstrata. No butoh, começa-se pela imitação, mas esse não é o objetivo final.¤PARA SABER — Aqui em Piracicaba não existe uma escola oficial de butoh, mas no dia 18 de abril, a professora Erika Teodoro estará fazendo uma performance no espaço Delphas, às 19h. No Brasil, existem diversos pesquisadores dessa forma de movimentação. Umas delas é a professora Christine Greiner da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, que escreveu o livro “Butô — Pensamento em Evolução”, em parceria com Raquel Zuanon. (Jornal de Piracicaba - Marcela Benvegnu - abril 2006)

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